Vesti uma camiseta, calcei o tênis e saí. O asfalto ainda estava frio quando comecei a correr. Não fiz alongamento. Não marquei tempo. Só fui. O corpo precisava gastar aquela tensão antes que ela me dominasse por completo. Cada passada era um impacto seco, quase agressivo, como se eu tentasse esmagar alguma coisa invisível sob meus pés.
A cidade ainda dormia. 5h da manhã Lojas fechadas. Janelas escuras. Silêncio quebrado apenas pelo meu fôlego pesado e pelo som ritmado dos tênis no chão.
Corri mais rápido do que o habitual. Muito mais. Mas o ritmo do corpo puxava lembranças junto: o calor, a pressão, o nome dela pulsando em um lugar que não respeitava lógica. Tudo voltava misturado ao suor que escorria pelas costas.
Meu telefone vibrou preso ao braço. Ignorei por alguns segundos. Xinguei baixo e reduzi o passo.
Mathew.
Atendi ainda correndo.
— Fala.
— Bom dia para você também — disse ele. — A reunião ficou para hoje. Dez horas. Eu, você e o Victor. Assunto encerrado ou aberto, depende do seu humor.
Respirei fundo, virando uma esquina.
— Hoje? — passei a mão pelo rosto suado. — Achei que tinha ficado para a segunda.
A conversa seguiu automática. Empresa. Prazos. Documentos. Ele retomou a história da nova filial em Goiânia, criada por Victor. Eu respondia no piloto automático enquanto minha cabeça insistia em voltar para o cheiro dela, para o calor da pele, para o estrago que alguém tão pequena conseguia fazer em mim.
— Preciso que você assine o projeto — Matheus continuou. — Só para te avisar: os sócios não gostaram. Disseram que não vão entrar nessa furada com você. Então preciso te perguntar mais uma vez…
— A resposta é sim.
O silêncio do outro lado durou um segundo.
— Adrian…
— Não me importa o valor. Eu preciso fazer esse cara sumir.
— Como assim, sumir? — a voz dele mudou. — Você está bem?
Olhei a rua vazia à frente. O peito queimava, o corpo cansado, a mente em guerra.
—Te vejo lá.
Desliguei e parei por alguns segundos, apoiei nos joelhos. O suor pingava no asfalto, como se o corpo estivesse sangrando alguma coisa que ainda não tinha forma.
Voltei para casa mais devagar, sabendo que, gostando ou não, o dia tinha começado de verdade. As meninas não estavam em casa haviam saído para uma festinha de uma colega da escola.
Apenas uma mensagem no meu celular de Adelaide.
“Levei as garotas para o aniversário da Isabella coleguinha de escola, e elas já começaram a falar sobre o aniversario delas em junho e um Spoiler para o senhor vai ser da Bela e a Fera e não queria dizer por mensagem, mas não poderei viajar para o Rio de Janeiro, minha irá operar de pedra na vesícula terça feira que vem no feriado, precisamos achar uma forma de contar a elas. Me desculpa mesmo Adrian.”
Merda! Mais um problema.
Com certeza elas criariam um grande problema por não ir visitar a jararaca da tia avó.

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