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O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido romance Capítulo 45

O clube parecia diferente naquela noite. Mais cinza. As luzes estavam baixas demais e o som chegava abafado, como se o mundo lá fora estivesse em luto. Um silêncio quase reverencial dominava os corredores das áreas privadas, mas dentro de mim, o barulho era ensurdecedor.

Aquele quarto era o meu santuário. O único lugar onde o CEO e o Imperador podiam, finalmente, calar a boca. Servi-me de uma dose generosa. O uísque desceu como brasa, espalhando um calor líquido que tentava, sem sucesso, anestesiar o peso no meu peito. Sentei-me na beira da cama, encarando o vazio enquanto o tempo escorria. Quando me dei conta, a garrafa de Old Parr já estava pela metade.

O bom do uísque caro é que ele não cobra juros; ele apenas te abraça.

Marília Mendonça cantava na TV, com o volume baixo, sobre amores mal resolvidos. Uma ironia desgraçada para um domingo à noite. Em oito anos, era a primeira vez que eu planejava passar a noite inteira ali sem o corpo de uma mulher para me distrair. Ou era o que eu pensava, até que o destino resolveu me cobrar a conta.

Um ruído discreto. A maçaneta girou.

O instinto de preservação foi mais rápido que o álcool. Alcancei a máscara sobre a mesa de cabeceira e a prendi no rosto, ocultando o homem e libertando o monstro. Abaixei ainda mais a luz, mergulhando o quarto em um âmbar perigoso. Pensei ser o serviço de quarto, mas quando a porta se abriu, o ar fugiu dos meus pulmões.

Era ela. Clara.

— O que você faz aqui? — Minha voz saiu pastosa, um misto de surpresa e o torpor do uísque. Eu estava vendo coisas. Só podia ser uma alucinação.

— Uai, Imperador... — Ela sussurrou. Aquele sotaque carregado me desarmou antes mesmo que eu pudesse revidar. — Você marcou comigo. Eu vim.

— Merda... — Esfreguei o rosto, sentindo o peso da minha própria falha. — Eu esqueci.

— Tudo bem — ela respondeu.

Aquele "tudo bem" veio seco, cortante como navalha. Ela estava parada junto à porta, uma visão pecaminosa em um vestido de cetim vermelho-sangue. O tecido escorria pelas suas curvas como lava, marcando o bico dos seios, a linha dos quadris... tudo o que eu vinha tentando, inutilmente, apagar da minha mente. Meu corpo reagiu no mesmo instante; uma pulsação dolorosa entre as pernas que me roubou o fôlego.

— Já entendi — disse ela, o tom de voz subindo na defensiva. Ela girou nos calcanhares. — Acho que vai ter outra daquelas festinhas lá embaixo... Já que você não me quer aqui, eu vou para lá.

A frase me atingiu como um soco no estômago. Ciúme, posse e fúria borbulharam no meu sangue, queimando mais que o uísque.

— Mel! — O rosnado saiu baixo, mas carregado da autoridade que eu costumava usar para dobrar impérios.

— Não! — Ela se virou, e eu vi o brilho de lágrimas e desafio naqueles olhos verdes. — Já chega. Você nem sabe o que quer! Você me chamou. Eu dispensei o Lucas hoje por sua causa. Para ficar aqui. Com você.

Clara soltou um gemido — um som pequeno, rendido — e abriu a boca para mim. Nossas línguas se encontraram em uma dança selvagem que dispensava oxigênio. Eu precisava daquele gosto de baunilha. Arrastei-a para o centro do quarto sem romper o contato, sentindo o tremor dela se espalhar pelo meu próprio corpo.

— Você me faz perder o maldito controle — murmurei contra os lábios dela, roçando minha boca na sua.

Apertei o queixo dela, forçando-a a me encarar. Aqueles olhos verdes estavam dilatados, perdidos no abismo que eu mesmo criei.

— O que você quer, garota?

— Eu... — Ela arfou. — Eu não sei. Minha amiga disse que eu descobriria aqui. Então eu vim.

A honestidade dela foi o golpe final.

— Olha para mim — comandei. Ela obedeceu, a submissão brilhando em seu olhar.

— Eu... estou conhecendo alguém — confessou num fio de voz. Meu sangue gelou. — Eu não devia estar aqui. Mas eu estou. E não quero ir embora.

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