Pv/ Clara
Chorei até dormir e no domingo fui para o quarto.
Cheguei pronta para ir embora.
De verdade.
Já estava no ponto de virar e fugir quando ouvi:
— Não.
A voz dele. Atrás de mim.
— Vem.
E eu fui.
O resto… foi impossível.
Beijos. Em lugares que eu nem sabia que eram lugares de beijar. Beijos lentos, outros urgentes, outros que pareciam pergunta, outros que pareciam resposta. Eu o senti duro daquele jeito. Minha respiração sumiu.
Eu fiquei molhada num nível ridículo, desesperador.
Cada toque fazia meu corpo lembrar sem eu entender. Nos beijamos até ficar com câimbra. Eu queria muito que tivesse feito amor com ele, mas acho que ele só fode, mas assumiria o risco.
E quando me colocou na cama, eu estava pronta, mas ele não me tocou. Ele me embrulhou, me serviu vinho e colocou filme para a gente assistir, Crepúsculo.
Eu quase ri. Aquilo tudo era indecifrável.
Eu dormi encostada nele.
Como se fosse natural.
Acordei diferente.
Sensível. Profunda.
Como se tivesse vivido cem coisas em poucas horas.
Olhei para o lado. Ele ainda estava ali. E aquilo me assustou mais do que qualquer outra coisa.
Levantei-me devagar, antes que ele acordasse. Antes que significados surgissem.
Eu tinha vida. Tinha rotina. Tinha trabalho.
Saí em silêncio. Mas alguma coisa dentro de mim tinha mudado.
E eu já não sabia voltar para quem eu era antes dele.
Meu Deus.
Nunca, em hipótese alguma, imaginei que iria para um clube de BDSM e… dormiria. Literalmente dormir. Com o homem mais falado e mais temido daquele lugar.
Oito da manhã. Eu tinha que trabalhar.
— Pressionar? — ri fraco. — Eu dormi no ombro do homem. Isso conta como pressão?
— Conta como… vulnerabilidade. Que, para um homem como ele, deve ser quase um soco emocional.
Ela virou de lado, me encarando.
— Então? Você gostou… e o Victor?
Suspirei fundo, as mãos entrelaçadas.
— Com o Victor… é calma. É pureza. É seguro. Ele é… o tipo de amor que eu sempre quis ter.
— E com o Imperador? — ela perguntou.
Eu olhei para o teto, tentando dar nome ao que estava no meu peito.
— Com ele… é tudo grande demais. Intenso demais. Parece… perdição. Como se eu estivesse caminhando para um lugar aonde não deveria ir… mas não consigo evitar.
Minha amiga soltou um assobio.
— E aí mesmo assim vai viajar com o Vitor, vocês pelo menos conversaram esse fim de semana?
— Quase nada. Ele disse que tinha umas coisas para me contar. Vai me buscar no trabalho e vamos conversar.
— Dois boys gostosos a sua disposição. Hein!!! Clarinha. Clarinha — Ela abriu um sorriso malicioso — Agora vai arrumar que você trabalha daqui a pouco.

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