Pv/ Clara
Depois do banho, vesti um vestido florido de alcinha, leve, fresco.
Prendi o próprio cabelo num coque improvisado daqueles que a gente faz girando o cabelo e travando com o próprio fio.
Cheguei No trabalho com aquela sensação renovada de boa noite de sono. O domingo tinha sido… intenso demais.
A casa estava silenciosa demais para um horário daquele. Silenciosa e… caída.
Encontrei a Adelaide na cozinha, fazendo almoço.
— Bom dia — murmurei olhando ao redor, geralmente elas me esperam no jardim.
— Bom dia, querida. Elas estão emburradas hoje — ela avisou, suspirando. — Desde cedo trancadas no quarto. Não quiseram nem tomar café.
Ergui as sobrancelhas.
— Mas por quê?
— Já, já você vê.
Subi a escada.
E no topo, dei de cara com o Adrian descendo. O ar ficou mais pesado. Ele também parou.
— Bom dia — ele disse, com a voz neutra demais.
— Bom dia — respondi, tentando soar normal.
Um silêncio estranho se espalhou.
— Dormiu bem? — ele perguntou.
— Dormi — E você?
— Incrivelmente bem— e sorriu genuinamente.
O silêncio se alongou.
— Vou ver as meninas — falei.
— Talvez você consiga fazer elas levantarem e comerem alguma coisa — ele murmurou. — Eu… não obtive sucesso.
Franzi o cenho.
— Mas o que aconteceu?
Ele passou a mão na nuca, frustrado.
— Elas tinham uma viagem programada iam visitar a tia Aurora no Rio. A Adelaide que as levaria. E eu consegui alguns dias de folga iriamos de carro fazendo um tour entre os estados.
— Que bom! Elas me falaram da viagem, você vai junto?
— Eh... era para ser né, mas a mãe da Adelaide vai fazer cirurgia. Então cancelamos. E… elas ficaram assim rebeldes.
— Vou conversar com elas — respondi.
Ele apenas assentiu e caminhou comigo até a porta do quarto ficando escorado no portal, e eu entrei.
Ângela e Geovana estavam encolhidas na mesma cama, abraçadas aos travesseiros, com caras de mundo acabado.
— Ei… — entrei devagar, sentando-se na beirada. — O que houve?
Ângela fungou. Geovana cruzou os braços, emburrada.
— A gente ia ver a tia Aurora — Geovana disse. — E o papai mentiu!
— Não menti — Adrian corrigiu da porta. — Só… não deu.
— Não deu por sua causa, papai, se tivéssemos ido antes — Ângela rebateu.
Respirei fundo e me coloquei entre elas.
— Às vezes as coisas mudam — expliquei. — Isso não quer dizer que seu pai não queria ir. Só quer dizer que… não aconteceu do jeito planejado.
As duas começaram a chorar de verdade.
— E agora não vamos porque não tem ninguém para ir com a gente! — Ângela lamentou.
— O papai sozinho não dá conta — Geovana completou.
— Uma pena, isso, vamos aproveitar aqui, podemos fazer pipoca e maratona de filmes da Barbie, podemos programar e falar mais sobre a festa de aniversário de vocês.
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