POV/ CLARA
A mansão da tia Aurora não era apenas uma casa. Era um aviso ostensivo: "Dinheiro não compra bom gosto, mas compra todo o resto". Portões de ferro com arabescos exagerados, estátuas que pareciam julgar quem passava e vidros tão polidos que eu quase vi minha autoestima refletida e estilhaçada no chão.
Aurora apareceu na porta antes mesmo de batermos. Ela era linda... de um jeito artificial. Pele esticada, boca volumosa, cabelo loiro impecável, mas nada sorria nela. O olhar dela caiu sobre mim como quem encontra uma mancha de poeira no sofá novo e, em seguida, me ignorou completamente. Passei a ser tão relevante quanto um vaso de planta atrás da porta.
As meninas, por outro lado, foram recebidas como princesas perdidas. Pularam no colo dela e riram como se ali fosse o lugar favorito do mundo. Eu me senti um bidê humano invisível no meio da sala de estar.
— Vou mostrar o quarto delas — Aurora anunciou, segurando cada gêmea por uma mão, sem sequer olhar na minha direção.
Adrian tocou minha mão de leve. Foi só um segundo, mas o suficiente para eu voltar a respirar.
— Você vai ter seu próprio quarto — ele sussurrou perto do meu ouvido. — E pode descansar. A Aurora assume as meninas por hoje.
Assenti, sentindo um cansaço tão profundo que poderia desmaiar ali mesmo. Ele me guiou até um quarto menor, porém aconchegante, e meu corpo simplesmente apagou antes mesmo de a porta se fechar.
Acordei com aquela sensação de cabelo ruim e dignidade zero. Olhei o relógio: 18h12. Tarde demais para fingir que estava apresentável. Troquei de roupa correndo, vestindo um vestido branco que amarrava no pescoço e minha sandália que, embora apertasse um pouco, me deixava parecendo estável.
Desci as escadas tentando arrumar o coque com as mãos e, no meio do corredor, lá estava ele. Encostado à parede, usando uma camisa social clara com as mangas dobradas, o relógio caro brilhando no pulso e um cheiro de banho recente que me deixou tonta.
Ele deu um meio sorriso.
— Dormiu bem, pelo visto.
Fiquei vermelha na hora. O sorriso dele era quase criminoso.
Adrian deu um passo na minha direção — perto demais — e tirou com delicadeza uma pluma presa no meu cabelo.
Os dedos dele roçaram a minha orelha.
Minha pele se arrepiou inteira.
Ele devia ter sentido, porque o canto da boca dele subiu… satisfeito.
— Obrigada — murmurei, tentando parecer humana e não um panda sonolento apaixonado.
— Você parecia um passarinho caído do ninho — ele disse baixo, rindo daquele jeito que deixava os joelhos fracos.
— Desculpa… eu perdi a hora, eu estava realmente cansada.
— Você estava exausta — ele respondeu com uma seriedade que derreteu meu estômago. — Fico feliz que tenha descansado.
Meu coração fez um BUM BUM tão alto que eu jurava que ele tinha ouvido.
— E você conseguiu descansar? — perguntei, sem perceber que estava observando a boca dele.
A linha do maxilar dele se contraiu antes da resposta:
— Eu já me acostumei a dormir pouco. Viagens demais, trabalho demais… jet lag infinito. — Ele desviou os olhos por um segundo, vulnerável. — É raro quando eu apago de verdade.
Eu engoli seco.
Ele sempre carregava o mundo sozinho… e ainda assim me olhava como se eu fosse importante.
— As meninas…? — perguntei, tentando recuperar o ar.
— Estão com a tia Aurora lá embaixo. Empolgadas, provavelmente falando sem parar. — O tom dele suavizou. — Hoje elas estão em boas mãos. Pode relaxar.
Relaxar?
Com ele tão perto assim?



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Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido