E ali, no jantar a paz acabou. Ver Aurora foi como assistir a um assassinato social ao vivo.
— Você sempre foi rebelde como seu pai — ela disse ao Adrian, com uma doçura envenenada. — Uma pena não ter herdado a elegância dele.
Adrian travou o maxilar de imediato. Eu quis atravessar a mesa e tampar os ouvidos das gêmeas. O clima ficou pesado, sufocante. Sem dizer uma palavra, Adrian deixou o talher sobre o prato e saiu em direção à área externa. Meu peito apertou por ele. Senti que aquela dor era antiga e profunda.
Respirei fundo e decidi fazer algo idiota: fui atrás. Segui pelo corredor que dava para a piscina, chutando pedrinhas para não parecer que estava desesperada para alcançá-lo. Ele estava sentado na beira da água, com os cotovelos nos joelhos.
— Ela sabe onde bater, né? — murmurei, parando ao lado dele.
— Ela passou a vida inteira treinando para isso — ele respondeu, a voz cansada. — E eu passei a vida inteira tentando provar algo que ninguém aqui queria ver.
Ele soltou uma risadinha amarga e encarou meus olhos.
— Eu cresci aqui acreditando que era sobrinho dela. Até descobrir que não era. Eu sou o filho bastardo do marido dela. A lembrança viva da traição.
Meu peito doeu.
— Adrian... — sussurrei.
— Fui criado como um problema. Um erro. E quando minha mãe me largou aqui e desapareceu... isso confirmou tudo o que Aurora dizia.
Sem pensar, toquei o ombro dele. Senti a tensão acumulada, a força contida. Ele virou o rosto lentamente e encontrou meu olhar. Naquele instante, no azul dos olhos dele, eu vi o Imperador. A postura, a intensidade, a forma como ele me olhavam como se pudesse me despir apenas com a respiração.
Tão familiar.
Adrian piscou devagar e, para minha salvação, quebrou o transe.
— Vamos sair daqui.
— Agora?
— Quero te mostrar o Rio. Mas... só se você quiser.
"Só se você quiser" era a frase mais perigosa que ele poderia ter dito. Eu assenti antes mesmo de processar. Voltei ao quarto e me arrumei rápido, mantendo o vestido branco que deixava minhas costas nuas. Quando saí, ele me esperava no saguão, com a camisa entreaberta e os cabelos bagunçados pelo vento.
— Você está... linda — ele disse, com a voz baixa.
Apenas sorri.
Pegamos um táxi até a praia. O Rio ainda dançava em uma ressaca de glitter e alegria do pós-Carnaval. O céu alaranjado anunciava o pôr do sol enquanto as ondas batiam com força na areia. Havia um luau mais à frente, com luzes penduradas e música suave no violão.
Sentamo-nos em uma canga sobre a areia. Ficamos ali por um tempo, conversando sobre tudo e sobre nada, enquanto beliscávamos alguns petiscos que um ambulante vendia — espetinho, queijo coalho, e um drink verde que o vendedor jurou que era de kiwi, mas tinha gosto de vodka com luz química.
As pessoas dançavam ao nosso redor, fantasias coloridas, purpurina, confete que gruda no cabelo para sempre…
O som dos blocos de carnaval ecoava pela orla, vibrando sob os nossos pés.
Adrian estava relaxado pela primeira vez desde que chegamos.
O sorriso dele estava mais solto… mais real.
E quando ele olhava para mim… era como se o mundo inteiro desaparecesse atrás dos olhos azuis dele.
Eu tentei fingir que aquilo não mexia comigo.
Falhei miseravelmente.
O vento quente da praia fazia meu vestido colar nas minhas pernas, e eu me sentia exposta…


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