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O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido romance Capítulo 63

E ali, no jantar a paz acabou. Ver Aurora foi como assistir a um assassinato social ao vivo.

— Você sempre foi rebelde como seu pai — ela disse ao Adrian, com uma doçura envenenada. — Uma pena não ter herdado a elegância dele.

Adrian travou o maxilar de imediato. Eu quis atravessar a mesa e tampar os ouvidos das gêmeas. O clima ficou pesado, sufocante. Sem dizer uma palavra, Adrian deixou o talher sobre o prato e saiu em direção à área externa. Meu peito apertou por ele. Senti que aquela dor era antiga e profunda.

Respirei fundo e decidi fazer algo idiota: fui atrás. Segui pelo corredor que dava para a piscina, chutando pedrinhas para não parecer que estava desesperada para alcançá-lo. Ele estava sentado na beira da água, com os cotovelos nos joelhos.

— Ela sabe onde bater, né? — murmurei, parando ao lado dele.

— Ela passou a vida inteira treinando para isso — ele respondeu, a voz cansada. — E eu passei a vida inteira tentando provar algo que ninguém aqui queria ver.

Ele soltou uma risadinha amarga e encarou meus olhos.

— Eu cresci aqui acreditando que era sobrinho dela. Até descobrir que não era. Eu sou o filho bastardo do marido dela. A lembrança viva da traição.

Meu peito doeu.

— Adrian... — sussurrei.

— Fui criado como um problema. Um erro. E quando minha mãe me largou aqui e desapareceu... isso confirmou tudo o que Aurora dizia.

Sem pensar, toquei o ombro dele. Senti a tensão acumulada, a força contida. Ele virou o rosto lentamente e encontrou meu olhar. Naquele instante, no azul dos olhos dele, eu vi o Imperador. A postura, a intensidade, a forma como ele me olhavam como se pudesse me despir apenas com a respiração.

Tão familiar.

Adrian piscou devagar e, para minha salvação, quebrou o transe.

— Vamos sair daqui.

— Agora?

— Quero te mostrar o Rio. Mas... só se você quiser.

"Só se você quiser" era a frase mais perigosa que ele poderia ter dito. Eu assenti antes mesmo de processar. Voltei ao quarto e me arrumei rápido, mantendo o vestido branco que deixava minhas costas nuas. Quando saí, ele me esperava no saguão, com a camisa entreaberta e os cabelos bagunçados pelo vento.

— Você está... linda — ele disse, com a voz baixa.

Apenas sorri.

Pegamos um táxi até a praia. O Rio ainda dançava em uma ressaca de glitter e alegria do pós-Carnaval. O céu alaranjado anunciava o pôr do sol enquanto as ondas batiam com força na areia. Havia um luau mais à frente, com luzes penduradas e música suave no violão.

Sentamo-nos em uma canga sobre a areia. Ficamos ali por um tempo, conversando sobre tudo e sobre nada, enquanto beliscávamos alguns petiscos que um ambulante vendia — espetinho, queijo coalho, e um drink verde que o vendedor jurou que era de kiwi, mas tinha gosto de vodka com luz química.

As pessoas dançavam ao nosso redor, fantasias coloridas, purpurina, confete que gruda no cabelo para sempre…

O som dos blocos de carnaval ecoava pela orla, vibrando sob os nossos pés.

Adrian estava relaxado pela primeira vez desde que chegamos.

O sorriso dele estava mais solto… mais real.

E quando ele olhava para mim… era como se o mundo inteiro desaparecesse atrás dos olhos azuis dele.

Eu tentei fingir que aquilo não mexia comigo.

Falhei miseravelmente.

O vento quente da praia fazia meu vestido colar nas minhas pernas, e eu me sentia exposta…

CAP. 63-  Encontro com o homem mais lindo 1

CAP. 63-  Encontro com o homem mais lindo 2

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