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O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido romance Capítulo 65

POV/ ADRIAN

A paz, aquele simulacro de felicidade que construímos na estrada, evaporou-se no exato segundo em que cruzamos os portões de ferro da mansão no Rio de Janeiro. Eu odeio este lugar. Odeio o cheiro de mofo disfarçado por perfumes caros, o falso moralismo que escorre pelas paredes e os segredos podres que habitam cada fresta deste mausoléu de mármore.

Aurora estava lá, como uma sentinela do caos. Com seu veneno destilado em palavras elegantemente cruéis, ela tentou me diminuir desde o primeiro segundo, mas meu foco era um laser apontado para Clara. Ver aquela mulher ignorar a existência de Clara, tratando-a como se fosse uma mancha invisível no tapete persa, me enfureceu de um jeito que eu mal conseguia conter. Meus punhos cerraram sob o tecido do terno; eu era o Imperador, e ninguém — nem mesmo Aurora — desrespeitaria o que eu decidi proteger.

Mandei Clara subir para descansar. Horas depois, ela apareceu no topo da escadaria. Quando abriu a porta do quarto, com o rosto levemente corado e amassado pelo sono profundo, o cabelo castanho com aquelas mechas vermelhas preso em um coque torto, eu perdi o ar. Havia uma pluma branca de travesseiro pendurada bem no topo da cabeça dela. Naquele momento, ela não era a babá ou a mulher que desafiava meu controle; ela parecia um passarinho caído do ninho. Vulnerável, suave... absolutamente minha.

Aproximei-me devagar, meus sapatos ecoando no mármore frio. Antes que ela tentasse arrumar o desleixo adorável do cabelo, meus dedos alcançaram a pluma. Toquei a pele quente perto da orelha dela, sentindo a maciez absurda da sua tez. O arrepio que percorreu o corpo dela foi imediato, uma resposta elétrica ao meu toque. Prendi a respiração feito um idiota; se ela percebesse como meu coração martelava contra o peito, eu estaria acabado.

— Você estava... confortável — murmurei. Tentei brincar, mas minha voz saiu como um lixa, arranhada pelo desejo.

Ela corou na hora, um tom de rosa subindo pelas bochechas até as orelhas. Linda demais para ser real. Quando ela se virou para descer, a distração a fez tropeçar no terceiro degrau. Meu corpo agiu por puro instinto, antes mesmo do meu cérebro processar o movimento. Envolvi sua cintura com firmeza, impedindo a queda e puxando-a contra o meu torso. Minhas mãos queimaram ao tocar a pele sob o tecido fino do vestido verde. Ela ofegou, os seios fartos pressionados contra o meu peito, e o mundo sumiu.

— Cuidado — eu disse, minha boca tão próxima da dela que eu podia sentir o calor do seu hálito.

— Obrigada por não me deixar cair — ela sussurrou, os olhos verdes dilatados.

— Eu nunca vou deixar você se machucar, Mel. — Era uma promessa. Um juramento silencioso.

Com a Clara, eu notava tudo. Cada microexpressão, cada respiração travada... cada sombra de medo. E quanto mais eu notava, mais impossível se tornava a ideia de não possuí-la por completo.

Havia uma história ali. Uma ameaça que eu ainda não conhecia, mas que já odiava com todas as minhas forças. Afastei-me, saquei o celular e escrevi para Mathew, meu braço direito em assuntos sujos:

Adrian: Mathew, preciso de um favor agora. Investigue Clara Menezes Cavalcante. Paraense. Quero o dossiê completo. Cada nome, cada lugar, cada cicatriz. O mais rápido possível.

Enviei uma foto que tirei dela sem que percebesse. Ela estava sorrindo para as meninas, viva, iluminada por um raio de sol... a imagem da pureza que eu estava prestes a corromper e proteger. Guardei o aparelho e voltei a observá-la de longe, uma silhueta curvilínea contra o mar do Rio.

Eu não sabia quem tinha ferido aquela mulher, mas eu ia descobrir. Ninguém toca no que pertence ao Imperador. E Clara Menezes, mesmo que sua mente ainda resista, já é minha em cada fibra, em cada segredo e em cada batida do coração. Eu vou caçar o medo dela. E depois, vou destruir quem quer que o tenha causado, pedaço por pedaço, até que não sobre nada além de cinzas.

Ela é minha responsabilidade. Minha vida. Minha obsessão.

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