Pov/ Adrian
O Palace Hotel reluzia contra a noite carioca como um monumento à exclusividade, mas, para mim, era apenas o palco da minha próxima execução. Mantive Clara colada ao meu corpo desde a entrada, sentindo o tremor sutil dela se dissipar à medida que eu a envolvia no tecido caro do meu paletó. Eu era o escudo. Ela, o meu centro de gravidade.
Eles já estavam à mesa.
Clarice, com os cachos loiros impecáveis e o olhar afiado de quem mede mulheres como mercadoria. Theo, sustentando uma falsa superioridade que não sobreviveria cinco minutos numa negociação real. E Átila.
Quando nossos olhares se cruzaram, senti o desprezo subir como ácido. Aquele homem tivera a audácia de tocar o que hoje era sagrado para mim. Meus dedos marcaram a cintura de Clara num gesto quase imperceptível. Um aviso silencioso: o tempo dele havia acabado. O meu começava ali.
— Reserva de Adrian Cavallieri — anunciei.
Minha voz cortou o ar como uma lâmina de gelo. Fomos conduzidos ao setor superior, onde o silêncio custava caro demais para ser desperdiçado com gente pequena.
Clara cumprimentou a todos com educação contida e uma elegância que não se ensinava. Átila foi o primeiro a romper o verniz:
— Nossa, Clara… você está linda. Mudou muito desde que saiu do Pará. Virou outra mulher.
Senti o corpo dela tensionar. Inclinei levemente o rosto na direção dela, ignorando a existência dele.
— Ela sempre foi linda — respondi, a voz aveludada. — O mundo é que demorou a alcançar isso.
Sentamo-nos. Os cardápios eram pesados, couro e ouro nas mãos erradas. Não precisei abri-los. Depositei o cartão Black sobre a mesa como quem marca território.
— Château Petrus — pedi ao garçom. — E o prato do chef com trufas brancas para todos. Fiquem à vontade. Eu pago.
O valor era irrelevante diante do prazer de ver o choque nos olhos deles. Clara soltou uma risadinha baixa, nervosa. Aquilo me atravessou o peito como um raio de sol. Eu faria qualquer coisa para manter aquele sorriso aceso.
A falsa cordialidade não durou.
Começaram a desenterrar o passado, rindo das dificuldades que Clara enfrentara no Pará. Clarice puxou o celular, exibindo fotos antigas: ônibus lotados, marmitas frias, o esforço estampado num rosto que eles insistiam em diminuir.
— Lembra, Clara? Quando não tínhamos dinheiro nem pra passagem? — Theo riu, testando se ela ainda “pertencia” àquele luxo.
Clara ficou muda. Queria desaparecer dentro do vestido branco. Cada palavra sobre a “vida simples” dela só aumentava a minha vontade de lhe dar o mundo. Mas Clarice não tinha freios:
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