POV/ Adrian
Ela me olhou, e eu vi o alívio misturado à culpa nos seus olhos verdes. Eu sabia que ela teria que me explicar muita coisa depois, mas ali, naquele teatro de aparências, eu era sua muralha. Eu não precisava que eles me contassem o motivo da fuga; eu sentia o cheiro do perigo que ela tentava abandonar.
— Mas você se sente mesmo à vontade aqui, Clara? Alguém que morava numa casa de taboca e ganhava dinheiro você sabe-se lá como… isso aqui não é demais pra você?
Ela não respondeu. Apenas me lançou um olhar suplicante.
Foi quando Theo ergueu o celular, o flash pronto para eternizar a humilhação.
Num reflexo puro, cobri o rosto dela com a palma da minha mão.
— Não — disse, sem elevar a voz. — Ela não gosta de fotos. Abaixa isso agora ou eu vou quebrar o seu braço.
O silêncio caiu como chumbo.
Theo engoliu em seco. Mas a inveja ainda o fez cuspir a última pergunta:
— Por que um homem como você se interessaria por ela? O que ela tem de tão especial?
O mundo perdeu o som.
Olhei para Clara. Ela estava vermelha, a respiração curta, os olhos verdes implorando por socorro.
— Não precisa… — tentou, abanando as mãos.
Peguei as mãos frias dela e as coloquei entre as minhas, obrigando-a a me encarar.
— Eu preciso falar.
Ela piscou, rendida ao toque.
— Vocês me perguntaram o que ela tem de especial… — comecei, a voz firme, limpa. — Como é possível que vocês não enxerguem?
Voltei todo o meu mundo para ela.
— Antes da Clara, minha vida era perfeita. Organizada. Simétrica. Eu tinha tudo… menos alma. — Apertei a mão dela com cuidado. — Então ela chegou. E a imperfeição dela virou a minha única perfeição.
Ela prendeu a respiração.
— Sou fascinado pelo jeito desajeitado com que ela amarra o cabelo. Pelo corpo real, sem moldes, sem mentira. Pela forma como ela cuida das minhas filhas, como se o cuidado fosse instinto. Sou obcecado por cada detalhe… pelo sorriso que acende os olhos, pelo rosto amassado ao acordar, pelo modo como ela ocupa os próprios silêncios.
O canto da boca dela tremeu. Quando riu, mesmo sem querer, o mundo desapareceu.
— Amo os vestidos soltos que ela usa — continuei — porque escondem o corpo mais desejável que já quis… e revelam uma alma mais forte do que qualquer coisa que conheço. Clara é inteligente. Doce. Nunca humilha. Nunca pisa. É gentil num mundo que insiste em endurecer as pessoas.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido