Pov/ Adrian
O jantar no Palace foi um exercício de paciência assassina. Eles tentavam diminui-la a cada comentário, mas, para cada indireta, eu tinha uma resposta pronta e precisa, recolocando-os em seus devidos lugares. Eu a defendia não apenas com palavras, mas com gestos. Quando ela, nervosa e desastrada, quebrou uma taça, deixou o talher bater no prato ou esbarrou no celular, eu estava ali. Presente. Firme. Até que acabou.
Graças a Deus.
Eu tinha pedido o vinho mais caro do menu, uma safra que aqueles garotos sequer saberiam pronunciar, e deixei o cartão Black sobre a mesa como um aviso silencioso: Clara agora estava em outro patamar.
Mas notei que ela empalidecia havia algum tempo. Uma tonalidade esverdeada subia pelo rosto enquanto encarava a taça. Antes que eu pudesse perguntar, ela cobriu a boca com a mão e saiu em disparada em direção aos banheiros.
Lancei um olhar ao garçom, sinalizando para fechar a conta, e me levantei. Mas o rato do Átila foi mais rápido. Ele se esgueirou entre as mesas enquanto eu assinava o comprovante. Quando cheguei ao corredor dos banheiros, o sangue subiu à minha cabeça.
Átila estava lá, segurando o pulso de Clara com força, prensando-a contra o mármore frio. Ela parecia frágil, os olhos marejados, tentando limpar o rosto úmido enquanto ele sibilava insultos.
— Você sempre foi fraca, Clara. Acha que esse luxo apaga quem você é? — ele zombava.
Eu não anunciei minha chegada. Girei o corpo dele pelo ombro e desferi um soco seco, bem no meio daquela cara presunçosa. O som do impacto foi música para os meus ouvidos. Átila desabou, sangrando sobre o tapete persa.
— Se você respirar o mesmo ar que ela de novo, eu faço você sumir do mapa — minha voz saiu baixa, carregada de promessa. — Suma daqui.
Ele fugiu, cambaleante.
Clara me olhou, tremendo de vergonha e medo.
— Vem… desculpa por isso, Adrian — sussurrou, a voz quebrada.
— Está tudo bem, Clarinha. Ninguém mais vai te machucar.
Saímos dali. O Rio estava quente, mas ela tremia. Caminhamos em direção à praia do outro lado do hotel, longe do barulho do luau, exatamente como ela pediu. Notei que ela mancava; a tira daquela sandália barata cortava a pele clara do calcanhar.
Parei na hora. Tirei meus próprios chinelos e os coloquei à frente dela.
— Usa os meus. Estão grandes, mas não vão te ferir.
Ela me olhou como se eu tivesse lhe entregado uma barra de ouro.
Sentamo-nos num tronco caído na areia, de frente para o mar. Eu tinha comprado água com gás para ela.
— Beba. Vai te ajudar a relaxar — falei, entregando a garrafinha.
Ela deu um gole longo e começou a falar. As palavras saíram como se uma represa tivesse se rompido.
— Eu fugi de casa, Adrian… fugi do meu pai. Ele era um monstro. Bebia, batia na minha mãe, batia em mim… eu virava o saco de pancadas quando nada dava certo.
Meu sangue gelou.



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