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O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido romance Capítulo 69

Pov/ Adrian

O jantar no Palace foi um exercício de paciência assassina. Eles tentavam diminui-la a cada comentário, mas, para cada indireta, eu tinha uma resposta pronta e precisa, recolocando-os em seus devidos lugares. Eu a defendia não apenas com palavras, mas com gestos. Quando ela, nervosa e desastrada, quebrou uma taça, deixou o talher bater no prato ou esbarrou no celular, eu estava ali. Presente. Firme. Até que acabou.

Graças a Deus.

Eu tinha pedido o vinho mais caro do menu, uma safra que aqueles garotos sequer saberiam pronunciar, e deixei o cartão Black sobre a mesa como um aviso silencioso: Clara agora estava em outro patamar.

Mas notei que ela empalidecia havia algum tempo. Uma tonalidade esverdeada subia pelo rosto enquanto encarava a taça. Antes que eu pudesse perguntar, ela cobriu a boca com a mão e saiu em disparada em direção aos banheiros.

Lancei um olhar ao garçom, sinalizando para fechar a conta, e me levantei. Mas o rato do Átila foi mais rápido. Ele se esgueirou entre as mesas enquanto eu assinava o comprovante. Quando cheguei ao corredor dos banheiros, o sangue subiu à minha cabeça.

Átila estava lá, segurando o pulso de Clara com força, prensando-a contra o mármore frio. Ela parecia frágil, os olhos marejados, tentando limpar o rosto úmido enquanto ele sibilava insultos.

— Você sempre foi fraca, Clara. Acha que esse luxo apaga quem você é? — ele zombava.

Eu não anunciei minha chegada. Girei o corpo dele pelo ombro e desferi um soco seco, bem no meio daquela cara presunçosa. O som do impacto foi música para os meus ouvidos. Átila desabou, sangrando sobre o tapete persa.

— Se você respirar o mesmo ar que ela de novo, eu faço você sumir do mapa — minha voz saiu baixa, carregada de promessa. — Suma daqui.

Ele fugiu, cambaleante.

Clara me olhou, tremendo de vergonha e medo.

— Vem… desculpa por isso, Adrian — sussurrou, a voz quebrada.

— Está tudo bem, Clarinha. Ninguém mais vai te machucar.

Saímos dali. O Rio estava quente, mas ela tremia. Caminhamos em direção à praia do outro lado do hotel, longe do barulho do luau, exatamente como ela pediu. Notei que ela mancava; a tira daquela sandália barata cortava a pele clara do calcanhar.

Parei na hora. Tirei meus próprios chinelos e os coloquei à frente dela.

— Usa os meus. Estão grandes, mas não vão te ferir.

Ela me olhou como se eu tivesse lhe entregado uma barra de ouro.

Sentamo-nos num tronco caído na areia, de frente para o mar. Eu tinha comprado água com gás para ela.

— Beba. Vai te ajudar a relaxar — falei, entregando a garrafinha.

Ela deu um gole longo e começou a falar. As palavras saíram como se uma represa tivesse se rompido.

— Eu fugi de casa, Adrian… fugi do meu pai. Ele era um monstro. Bebia, batia na minha mãe, batia em mim… eu virava o saco de pancadas quando nada dava certo.

Meu sangue gelou.

CAP. 69 -  Diante do seus pés. 1

CAP. 69 -  Diante do seus pés. 2

CAP. 69 -  Diante do seus pés. 3

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