Pov/ Adrian
O voo de volta foi um inferno silencioso. Minha cabeça latejava, o veneno de Aurora ainda circulando no meu sangue. Quando chegamos em casa, as meninas estavam em frangalhos. Agarraram-se às minhas pernas no meio da sala, chorando como se o mundo estivesse prestes a acabar.
— Papai, você não precisa de uma namorada! — Geovana soluçou, o rosto vermelho. — A gente é o suficiente, não é? Se você colocar outra mulher aqui, a gente foge!
— Mas a Clara… se fosse a Clara, não seria ruim — Ângela murmurou, dividida entre o ciúme e o carinho que sentia pela babá.
Ajoelhei-me no tapete e puxei as duas para um abraço apertado. Eu precisava ser o porto seguro delas, mesmo enquanto eu mesmo naufragava.
— Escutem bem — disse, a voz firme, mas carregada de amor. — Eu não tenho nada com a Clara além do trabalho. Mas prestem atenção no que vou dizer: independentemente de qualquer mulher que passe pela minha vida, vocês duas continuam sendo as maiores preciosidades do meu mundo. Ninguém toma o lugar de vocês. Entenderam? Eu sou o pai de vocês antes de ser qualquer outra coisa.
Beijei o topo da cabeça de cada uma até que os soluços diminuíssem. Ângela enxugou o rosto com a mãozinha e perguntou, esperançosa:
— O nosso aniversário ainda vai ter a festa da Bela e a Fera?
— Vai sim, meu amor. Eu prometi, não prometi?
Elas finalmente relaxaram e subiram com a babá de folga que as esperava. Foi então que Adelaide surgiu na sala. O olhar dela era de quem sabia ler cada linha da minha alma.
— Que recepção, hein, menino? — comentou, aproximando-se.
— Nem me fale, Adelaide. Como foi a cirurgia da sua mãe? Ela está bem?
— Está se recuperando, graças a Deus. — Ela me deu um abraço rápido, daquele aperto de mãe que eu nunca tive. — Mas e você? Como aguentou aquela jararaca da sua tia? O que pretende fazer?
Suspirei, jogando a cabeça para trás no sofá.
“Quero a Mel no domingo à noite. Quarto privado. Sem interrupções.”
Ela teria o sábado para descansar da viagem. E eu teria o sábado para tentar colocar a cabeça no lugar. Mas a verdade era que, enquanto olhava pela janela de Porto Alegre, eu só conseguia pensar que o domingo demoraria uma eternidade para chegar. Eu ia descobrir quem era Clara — ou Mel — de um jeito ou de outro.
O ar do Clube Proibido parecia mais pesado naquela noite. Eu precisava de luz, de ar, de algo que me arrancasse daquele estado de alerta constante que o Rio deixara em mim. Quando a porta do meu quarto privado se abriu e Mel — minha Clara — entrou, o tempo simplesmente parou.
Ela usava um vestido preto simples, mas nela parecia a vestimenta de uma divindade profana. Antes que meu cérebro processasse qualquer comando, meu corpo se moveu. Eu a alcancei e a envolvi em um abraço. Não era de luxúria. Era o abraço de quem encontra terra firme após um naufrágio.
Senti o corpo dela tremer contra o meu, um pequeno espasmo de susto e surpresa.
Eu não era um homem de abraços. O Imperador não abraçava.
Mas ali, com o rosto enterrado na curva do pescoço dela, eu entendi: ela não era mais um objeto. Não era apenas um corpo virgem a ser explorado. Ela tinha se tornado uma necessidade até mais que o proprio oxigênio.

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