POV/ ADRIAN
Peguei o celular e disquei o número que não existe em registros oficiais.
— Quero tudo comprado — ordenei, sem fôlego. — Tudo removido. Tudo enterrado. Agora. Vou te enviar o IP.
— Meu Adrian, isso é crime. Quem é? Isso é grave — a voz do outro lado hesitou. — Muito grave.
— Não é da sua conta, mas poderia não abrir os arquivos e alguém muito... extremamente especial para mim. Não quero que mais pessoas vejam.
— Certo amanhã de manhã todos que tem esses arquivos não terão mais.
Desliguei. Tirei o relógio, os sapatos, o paletó.
Wagner Marx achava que tinha vendido a filha e ia se safar. Ele estava prestes a descobrir que, no processo, ele tinha assinado o próprio atestado de óbito.
Isso não ia terminar em justiça. Ia terminar em ruína. E ele não fazia ideia do tipo de demônio que ele tinha acabado de despertar.
O silêncio do escritório tornou-se insuportável, uma presença física que me sufocava. Caminhei até a janela e abri o vidro, deixando o ar gélido da noite bater no meu rosto com violência, como se o frio pudesse congelar as imagens que eu tinha acabado de ver. O celular tocou. Atendi sem sequer olhar o visor.
Era Azazel.
— Adrian — a voz dele veio suave demais, carregada daquela cortesia falsa que sempre me deu nojo. — Precisamos conversar. Tenho uma proposta. Um negócio grande.
Olhei para a cidade lá embaixo. As luzes, os prédios, o movimento... nada daquilo significava nada naquele momento. O mundo podia queimar, desde que eu tivesse o que queria.
— Não tenho tempo — respondi, seco. — Estou ocupado.
Houve uma pausa curta do outro lado. Senti a ofensa vibrar na linha.
— Sempre há tempo para mim, Adrian.
— Hoje, não.
O tom dele mudou instantaneamente. Ficou afiado, perigoso.
— Você anda diferente. Se afastando. Isso é falta de respeito com os nossos acordos.
— Chame como quiser.
— Oh, meu filho... Então conta para ela. Ela é uma boa menina. Ela vai entender o seu amor e vocês poderão finalmente ficar juntos.
— Eu não posso — respondi, sentindo o peso da mentira. — Eu estou mentindo para ela faz tempo.
— Então conte a verdade. Só a verdade liberta.
Respirei fundo, sentindo a frieza voltar a tomar conta do meu sangue. O nó na garganta se transformou em uma lâmina afiada.
— Tudo bem. Eu vou contar a verdade. Mas antes disso... eu preciso matar alguém.
Adelaide me olhou confusa, assustada. Ela sabia quem eu era, mas nunca tinha me visto com aquele olhar de morte absoluta. Ela não sabia se eu era capaz de cumprir aquela promessa, mas eu sabia.
— Pede para prepararem o carro — ordenei, ajustando o paletó sobre os ombros. — Eu vou sair.
Saí do escritório abandonando os destroços. No meu peito, restava apenas uma certeza fria e cortante: ninguém toca no que é meu e sai andando por ai..
FIM POV/ ADRIAN

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