Pov/ Clara
Acordei com o som rítmico de aparelhos. O cheiro de hospital me deu náuseas, mas logo vi o rosto de Isadora me olhando. Eleonora estava lá também, mas assim que a Isa agradeceu, ela se retirou com sua impaciência habitual. Vi Eleonora parar na porta para falar com alguém que eu não consegui identificar, e então ela sumiu.
— Você está bem? — Isa me beijou a testa, a voz embargada. — Devia ter te esperado, Clara.
— Eu estou bem... — menti, sentindo meu corpo pesado.
— De acordo com os médicos, você teve um ataque de pânico severo. Sua ansiedade e sua pressão explodiram. Você bateu a cabeça, mas não foi nada grave. Você vai ficar em observação até amanhã, quietinha tá.
Eu assenti, fechando os olhos por um segundo.
— Tem pessoas que querem te ver.
— Eu tenho visita? —
— Sim. Você tem em dose dupla.
A porta se abriu e Adrian entrou. Ele estava sério, parou como uma estátua sob o batente da porta, mas não veio sozinho. Ângela e Geovana correram até a minha cama, os rostos pequenos cheios de preocupação.
— Clara! Você vai morrer? — Geovana perguntou, os olhos arregalados.
— Não vou morrer— respondi, tentando sorrir.
— Promete? — Ângela segurou minha mão.
— Eu sei que pessoas morre ... mas você não pode morrer antes do nosso aniversário, está bem? — Ângela completou, e eu acabei rindo, sentindo um calor no peito que eu não esperava.
— Nunca vou morrer. Prometo.
Adrian soltou um riso rápido, quase imperceptível. Ele trocou um olhar intenso com Isadora e, logo em seguida, os dois saíram para o corredor. Meu coração apertou.
É claro, pensei. Ontem eu os atrapalhei no clube, agora eles vão se ver aqui. Eles combinam... e eu sou só o problema no meio do caminho.
*******
Mais tarde, Adrian voltou apenas para buscar as meninas. Ele se despediu com um aceno curto e saiu. Isadora ficou comigo o dia todo. Eu dormia e acordava, e ela sempre estava lá. Mas, de noite eu acho, não tinha tanta noção de tempo ela avisou que precisava ir em casa tomar banho e trocar de roupa.
Fiquei sozinha. O silêncio do quarto era profundo.
De madrugada tive um sonho quente, senti uma presença reconfortante. Vi um vulto sentado na poltrona ao meu lado um vulto muito bonito. Parecia um sonho, um daqueles sonhos tão bonitos que você tem medo de respirar e estragar.
— Você é tão lindo... — murmurei — Se meu coração não estivesse tão destruído... tão quebrado... ele bateria forte por você. Mas eu sou toda estragada, Adrian.
Sorri no meio do torpor do remédio e voltei a dormir, sentindo uma mão quente, quente demais para um sonho, a mão segurou a minha no escuro. Dizendo
— Você é perfeita!
*******
Acordei cedo com a enfermeira entrando para checar meus sinais. Eu me sentia mais leve, mas ainda exausta.
— Nossa, você tem bons amigos, viu? — a enfermeira comentou, sorrindo enquanto anotava os dados na prancheta.
— Por quê?


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Os comentários dos leitores sobre o romance: O Bilionário Obcecado e a Babá Virgem do Clube Proibido