POV/Adrian
Abandonei os destroços do meu escritório para trás. O som da destruição ainda ecoava na minha mente, mas o silêncio do carro era pior. Fazia eu pensar e imaginar coisas não muito agradáveis. Saí direto para o clube, dirigindo como um louco pelas ruas de Porto Alegre. Eu precisava encontrar a Isadora. Se havia alguém que sabia a extensão do estrago na vida da Clara, era ela.
Cheguei ao clube transbordando uma energia sombria, mas Isadora não estava lá. Eleonora me informou, com o desdém de sempre, que ela teve uma emergência e não poderia ir hoje. O pânico, algo que eu raramente sentia, começou a subir pela minha garganta. Pedi o número do telefone dela e liguei para ela no mesmo instante.
— Adrian? — a voz dela soou cansada. — Tem noção de que horas são?
— Você tem notícias da Clara? — disparei, sem preliminares. — como ela está.
— Por que você não pergunta para ela? — ela rebateu, ácida.
— Eu não posso. Apenas me diga: ela está bem?
— Ela está sim. Acabei de colocá-la para dormir. Ela está segura, Adrian.
— O que aconteceu no shopping, Isadora? — minha voz saiu como um rosnado baixo. — Eu nunca a vi daquele jeito.
— Amanhã. Amanhã a gente conversa no clube e eu te conto tudo. Agora, deixe-a descansar.
Desliguei o celular sentindo uma impotência que me cegava. Voltei para casa, mas o sono era um artigo de luxo que eu não podia comprar. Passei o resto da noite em claro. De manhã, tentei correr até meus pulmões pedirem socorro, mas a imagem daquelas fotos no relatório não saía da minha retina.
Tentei brincar com Ângela e Geovana, tentei ser o pai que elas mereciam, mas eu não conseguia me concentrar. Minha mente estava no Pará, estava nos vídeos, estava na dor que a Clara carregava. Pedi desculpas às minhas filhas, sentindo-me um lixo, e saí de novo. Eu não conseguia ficar parado enquanto ela estava sangrando por dentro.
À noite, fui para o clube. O ambiente que sempre foi meu refúgio agora parecia um cenário de crime. Quando a vi no meio do salão, meu coração deu um solavanco. Mesmo por baixo da máscara da Mel, eu percebi. O corpo dela, que eu conhecia centímetro por centímetro, estava murcho.
Olhar para ela me causava uma dor física. Eu me sentia um monstro por estar mentindo, por usá-la naquele lugar, mas ao mesmo tempo, eu preferia ser esse monstro e tê-la sob minha proteção do que deixá-la à mercê do lixo que a perseguia.
Pelo menos comigo, ela estaria segura.
Mandei a recepcionista chamá-la.
Quando ela entrou na sala privada, foi diferente de todas as outras vezes. Eu não senti o fogo habitual. Eu não senti a fome de posse. Eu senti compaixão. Eu senti medo. Eu só queria pegá-la no colo como se fosse uma criança ferida e colocar remédio em cada uma das suas marcas.
Mas como eu diria que sabia de tudo? Como eu explicaria que tinha revirado o lixo da vida dela?
Ela se aproximou e tentou me beijar. Eu via nos olhos dela que ela queria ser usada, queria descontar a raiva e a dor no prazer bruto. Eu entendia aquela necessidade, mas eu não podia fazer aquilo. Se eu a usasse naquele estado, eu nunca mais me perdoaria. Meu corpo reagiu, meu membro estava duro porque não entendia a moralidade do meu cérebro, mas eu me forcei a parar.
Apenas a abracei. Senti o corpo dela tremer contra o meu e a aninei no meu colo, fazendo um cafuné lento até que o cansaço a vencesse e ela dormisse nos meus braços.
De madrugada, meu celular vibrou. Uma mensagem da Isadora. Ela estava lá fora, me esperando. Levantei-me devagar para não acordar a Mel e saí do quarto. Era hora de encarar a verdade que eu ainda não tinha coragem de ouvir. Encontrei Isadora na penumbra do corredor. Eu não precisava de introduções então a bombardeei com as informações que possuía.
— Mas... ela é virgem, Adrian. Ela é quebrada, cheia de feridas psicológicas que você nem imagina. Você é o Imperador... Você é você ... você não sabe do que está falando.
— Cala a boca — cortei, a voz vibrando de convicção. — Eu sei exatamente o que sinto, sei o que eu daria pela vida dela. Ela é perfeita. Ela é meiga, engraçada, pura. Eu não queria magoá-la, mas a partir de agora, eu vou transformar o mundo em um lugar seguro para ela, nem que eu precise queimar tudo ao redor.
Isadora assentiu, processando a intensidade das minhas palavras.
— Como ela está? — perguntou.
— Ela está bem. Agora você pode contar comigo. Você não está mais sozinha nessa, Isadora. Eu vou te ajudar a protegê-la.
— Ok. Fica com ela hoje, eu a busco amanhã cedo aqui no clube.
— Não! — a palavra saiu com uma urgência que eu não pude controlar. — Você não pode ir agora. A gente ainda não resolveu tudo.
— Depois a gente conversa, Adrian. Depois que você a deixar, a gente se fala.
— O assunto não acabou! — gritei, mas ela já estava a meio corredor de distância. Droga, eu precisava de mais informações, de cada detalhe daquele passado maldito.
Voltei para o quarto e ela estava acordada, encolhida na cama, chorando de novo. Vê-la daquele jeito era como se estivessem arrancando meu oxigênio, apertando meu coração com garras de ferro. Eu nunca tinha sentido nada parecido. Era uma mistura de posse absoluta e uma necessidade desesperada de cuidar. Dei água a ela e fiz carinho até que ela dormisse novamente. Eu não conseguia fechar os olhos, vigiando o sono dela até que o cansaço me venceu sem que eu percebesse.

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