POV/ ADRIAN
De manhã cedo, Eleonora esmurrou a porta.
— Adrian, levanta-se agora! — ela ordenou.
Acordei perdido, mas o pânico me atingiu quando percebi que a Mel não estava do meu lado.
— Onde ela está?
— Sua garotinha favorita é um problema, Adrian! — ela gritou. — Está envolvida com agiotas, passou mal na rua e eu tive que levá-la para o hospital.
Levantei-me em um salto, o sangue gelando. Liguei para Isadora imediatamente.
— Vou passar em casa e te encontro lá.
Passei em casa, tomei um banho rápido e decidi levar as minhas filhas comigo. Talvez a pureza delas a animasse um pouco. Quando cheguei, Eleonora ainda resmungava pelos cantos.
— Ela é um problema, Adrian. Está devendo para gente perigosa.
— Você não sabe de nada, Eleonora. Depois conversamos, mas nenhuma palavra sobre isso com mais ninguém. Entendido?
Ela apenas concordou e saiu, jogando o cabelo. As meninas entraram para vê-la, e eu aproveitei para ir com a Isadora até o clube e checar as câmeras de segurança. Confirmamos o que eu já temia: o homem mais cedo era o Wagner. Liguei para o meu contato na polícia na mesma hora.
— Quero esse homem. Ele é um assassino e está no meu caminho. Quando encontrarem, me avisem. Eu vou ensinar uma lição que ele nunca vai esquecer.
Voltamos para o hospital. Combinei com a Isadora: ela ficaria de dia e eu à noite. Fiquei a madrugada inteira lá. De vez em quando, eu entrava no quarto só para ter certeza de que ela estava respirando. Ela dormia de forma tão serena que eu precisava pôr a mão perto do nariz dela para sentir o ar saindo. Em um desses momentos, ela abriu os olhos, delirando pelos remédios.
— Você é tão bonito... — ela sussurrou, a voz arrastada e doce. — Se meu coração não estivesse quebrado... ele bateria forte por você...
Eu não relaxei.
Fui para o escritório. Eu era um feixe de nervos. Cancelei três reuniões seguidas e ignorei as notificações de Azazel sobre o nosso "projeto de ouro". Mathew entrou na minha sala com o cenho franzido, segurando o tablet como se fosse um escudo.
— Adrian, você precisa dar atenção ao Azazel. O homem está furioso, disse que você o humilhou ao telefone. Esse contrato vale milhões. Se não aceitar vai prejudicar e você sabe como os russos são.
— Mande o Azazel enfiar o projeto no rabo, Mathew. Não vou a lugar nenhum hoje — respondi, sem tirar os olhos do monitor, onde eu tentava, sem sucesso, rastrear qualquer movimento suspeito perto do prédio da Clara.
— O que está acontecendo com você? — Mathew perguntou, genuinamente confuso. — Você nunca agiu assim por negócio nenhum.
Olhei para ele e as palavras morreram na minha garganta. Como eu explicaria para o meu braço direito que eu estava prestes a jogar um império para o alto porque estava preocupado com a minha babá?
Mathew não entenderia. Ninguém entenderia. Para o mundo, eu era o homem que só se importava consigo mesmo, com o poder e, no máximo, com o bem-estar das minhas filhas e talvez da Adelaide. A ideia de eu estar perdendo o sono por uma funcionária era absurda demais para qualquer um processar.

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