O aniversário das gêmeas estava chegando e cada dia a mansão parecia um formigueiro. Eu ainda me sentia estranha o espelho mostrava que eu tinha perdido alguns quilos, meu rosto estava mais anguloso e minhas roupas mais folgadas, reflexo de tudo o que passei. Mas, apesar da fragilidade física, havia algo novo em mim: um começo de paz.
O Adrian e a Isadora não me deixavam sozinha por um segundo. Era engraçado, quase uma conspiração silenciosa. Se a Isa ia para a cozinha, o Adrian surgia no corredor. Se ele ia para o escritório, ela aparecia com um suco. Eles eram minhas sombras, e pela primeira vez na vida, ter sombras não me causava pavor, me causava segurança.
Naquela tarde, fizemos o último ensaio da dança na sala principal. As meninas estavam eufóricas, saltitando ao redor enquanto esperávamos a música começar.
— Clara, você vai conseguir o giro final? — Ângela perguntou, preocupada.
— Vou sim, meu amor. Eu treinei muito — respondi, sorrindo de verdade.
A música começou a tocar. Adrian se aproximou e, quando sua mão tocou minha cintura para iniciarmos os passos, senti aquele choque elétrico de sempre. Ele foi extremamente paciente, guiando meus movimentos com uma leveza que eu não sabia que ele tinha.
Eu estava tão concentrada em não pisar nos pés dele minha maior meta para esse aniversário que nem percebi quando o ensaio fluiu perfeitamente. Pela primeira vez, os passos encaixaram, o ritmo estava certo e eu não tropecei.
— Você foi perfeita — ele sussurrou perto do meu ouvido, quando a música parou.
A Isadora nos observava do canto, com um sorriso de quem sabia muito mais do que dizia. O ensaio acabou com as meninas comemorando e nos fazendo prometer que no dia 12 seria exatamente daquele jeito.
Eu só esperava que, até lá, meu coração entendesse a diferença entre a Mel que busca o fogo e a Clara que, finalmente, está descobrindo o que é viver em paz.


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