POV/ ADRIAN
O silêncio do hospital sempre me perturbou, mas nada me assustou mais do que o silêncio da Clara naquela maca. Quando ela finalmente abriu os olhos e eu pude sentir o calor da sua mão na minha, foi como se o meu próprio coração voltasse a bater. Naquele momento, eu fiz um pacto silencioso com a Isadora: a Clara não voltaria para aquele apartamento sozinha. Ela viria para a minha casa. Sob os meus olhos. Sob a minha proteção.
As três semanas que se seguiram foram, ao mesmo tempo, o meu céu e o meu inferno.
Levei a Clara para a mansão sob o pretexto de recuperação, mas a verdade era mais egoísta: eu precisava dela por perto. Ver a Clara interagindo com a Ângela e a Geovana era como assistir a um comercial de margarina que eu nunca achei que protagonizaria. Elas riam, pintavam com glitter, ensaiavam danças... e eu, o temido Imperador, ficava apenas observando de longe, sentindo uma paz que o dinheiro e o poder nunca me deram.
A Clara era o meu oxigênio. Descobri que, quanto mais tempo eu passava longe dela, mais o ar ficava rarefeito, difícil de puxar. Eu me tornava um homem inquieto, irritadiço, até que entrava na sala e a via sorrindo para as meninas. O efeito era instantâneo. Minha alma se acalmava.
Nesse meio tempo, cuidei dos "detritos" do passado dela. Wagner, aquele lixo que ousava se chamar de pai, quase morreu de hemorragia interna. Fiz questão de que os melhores médicos o operassem não por caridade, mas porque eu queria que ele estivesse bem vivo para apodrecer na cadeia. Usei meus contatos para garantir que as provas de pornografia infantil e seus outros crimes fossem entregues de bandeja para a polícia. Ele foi para um presídio onde, embora não fosse o pior buraco do estado, ele saberia exatamente quem o colocou lá. Ele nunca mais tocaria nela.
Minha relação com a Isadora também mudou. Ela se tornou minha confidente, a única que sabia do meu segredo e da minha angústia.
— Você está brincando com fogo, Adrian — ela me disse certa vez, enquanto tomávamos um uísque na biblioteca.
Conduzi-la na dança foi a tarefa mais difícil da minha vida. Eu precisava manter o ritmo, mas tudo o que eu queria era carregá-la para longe dali. O cheiro dela — aquele mix de baunilha com a fragrância de quem finalmente encontrou a paz — estava me deixando louco. Eu sentia saudade. Uma saudade física, visceral, dos lábios dela que eu só conhecia sob o manto da escuridão do clube.
Eu não resisti. No auge da melodia, o Imperador e o Adrian se tornaram um só. Eu a puxei, sentindo o impacto do corpo dela no meu, e a beijei. Foi um beijo faminto, uma declaração de posse e de entrega. Senti o choque dela, e depois, a rendição. Ela retribuiu com a mesma urgência, e por um segundo, eu acreditei que o mundo poderia ser perfeito.
— AEEEEEE! A fera beijou a Bela! — O grito das gêmeas cortou o ar, trazendo-me de volta à realidade. Elas pulavam, radiantes, achando que o beijo era o grand finale que tínhamos planejado.

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