Capítulo 13
Sofia Kim
O sol ainda estava alto quando saímos do prédio. Era pouco depois do almoço, mas eu me sentia como se tivesse lutado uma guerra inteira.
Minha saia estava rasgada na lateral quase até a cintura, a blusa amarrotada, e eu ainda sentia o gosto dele na boca. O peso do que havia acontecido ali dentro ainda latejava no meu corpo.
Richard caminhava ao meu lado como se nada tivesse acontecido. Como se ele não tivesse me prensado contra a parede e me tocado como se eu fosse sua propriedade.
Quando chegamos à porta do carro, ele parou. Tirou o paletó escuro com um movimento fluido e estendeu para mim sem dizer uma palavra.
— Vista.
Olhei para o paletó, depois para ele. Por meio segundo, uma bobagem passou pela minha cabeça: Será que esse insensível está preocupado comigo?
Mas ele logo destruiu qualquer ilusão.
— Não pense demais. Não quero que ninguém mais veja seu corpo exposto desse jeito. Você agora é uma Brown. Aprenda a se portar como tal.
O tom frio e possessivo me deu nojo.
Não respondi. Peguei o paletó e vesti. Ainda estava quente do corpo dele. O cheiro dele me envolveu inteiro — aquele perfume caro que eu odiava amar.
Entrei no carro sem olhar para ele. Diego já estava no banco do motorista, pálido, claramente nervoso. Richard deu a volta no carro, mas antes de entrar, falou com a voz cortante:
— E Diego está demitido.
Eu senti o sangue subir tão rápido que cheguei a ver vermelho. Abri a porta do carro com violência e desci novamente, empurrando o peito de Richard com as duas mãos.
— Diego trabalha para mim! Você não tem esse direito!
Richard mal se moveu. Apenas baixou os olhos para mim com aquela expressão de superioridade que me dava vontade de atirar nele.
— Não, Sofia. Eu sou o presidente da Kim Enterprises agora. Se um funcionário desobedece minhas ordens diretas, ele tem sorte de só ser demitido e continuar vivo.
Diego saiu do carro tremendo, as mãos erguidas.
— Senhor Brown, eu fui ameaçado… ela encostou a arma na minha cabeça, eu...
Richard fez um sinal quase imperceptível. Em menos de dois segundos, seis dos seus soldados apontaram suas armas para Diego. O clique das travas de segurança ecoou no estacionamento.
Meu sangue ferveu.
— Para com isso! — gritei, me colocando na frente de Diego. — Não faz isso com ele! Ele só estava obedecendo a mim!
Richard sustentou meu olhar por longos segundos. Estava cada segundo mais vermelho de raiva.
— Defendendo outro homem Sofia? Ele desobedeceu a mim. E você precisa aprender que as consequências das suas ações caem sobre as pessoas ao seu redor.
Eu sentia o coração batendo na garganta. Sabia que ele era capaz. Sabia que ele podia mandar matar Diego ali mesmo só para me dar uma lição.
Respirei fundo, engolindo toda a minha raiva.
— Diego… pode ir — falei, a voz baixa e tensa.
Richard ergueu a mão.
— Errado.
Diego congelou.
— Você vai embora porque eu permiti. Não porque ela mandou.
Só então ele fez um movimento com a cabeça.
— Agora suma da minha frente.
Diego me olhou uma última vez, angustiado, antes de se afastar. Outro dos homens de Richard assumiu o volante em silêncio.
Ele obedeceu. Entrei logo depois e bati a porta com força. Richard entrou do meu lado, calmo como se tivéssemos acabado de discutir o clima.
O carro começou a andar.
Eu olhava pela janela, sentindo o paletó dele sobre meus ombros e o peso da humilhação no peito. Meu corpo ainda estava quente do que havia acontecido naquele escritório. Odiava que parte de mim tivesse respondido a ele. Odiava ainda mais que ele soubesse disso.
Quando chegamos à mansão, subi as escadas sem esperar por ele. Queria tomar um banho, tirar o cheiro dele de mim, tentar esquecer o peso do seu corpo sobre o meu.
Mas antes de chegar ao meu quarto, a voz dele soou atrás de mim, baixa e controlada:
— Sofia.
Parei no meio do corredor, sem me virar.
— Você não vai trabalhar esta tarde. Hoje à noite, quero você no meu quarto. Temos um assunto pendente.
Virei lentamente. Meu olhar era puro gelo.
— Se você encostar em mim de novo sem que eu queira, Richard… eu não vou usar o cotovelo. Eu vou atirar.
Ele sorriu. Um sorriso lento, perigoso, quase orgulhoso.
— Então é melhor pensar direito antes de me desafiar. Porque eu não sou um homem paciente.
Ele deu um passo à frente, aproximando-se o suficiente para que eu sentisse novamente o calor do seu corpo.

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