Capítulo 223 — Só conversando
Ambrose Blair
Pedi para as meninas irem até o anexo na lateral da casa, e me esperarem lá. Voltei para área da churrasqueira, Dom e Coletti já não estavam mais nos celulares.
— E aí? — perguntei assim que me aproximei.
— Meu pessoal já está se retirando da casa dos Ortega. Colheram depoimentos, recolheram imagens de câmeras. Mas a Verônica e o Dylan estão foragidos. — Dom me informou.
— E a Izabel?
— O corpo foi recolhido, como ela não tem parentes aqui combinei com o Damien de ele ir até lá assim que estiver tudo liberado.
Olhei para o meu primo que estava naquele exato momento seguindo para dentro da casa. Pensei em ir falar com ele, mas lembrei das meninas me esperando.
— Eu vou conversar com o Snake e com as meninas, depois vou lá falar com o Dam. — avisei.
— O Eli já está indo. — Stan apontou com o queixo na direção onde nosso amigo seguia. — Pode ir lá resolver o seu problema.
Assenti para o meu amigo e me virei para o Snake.
— As meninas estão nos esperando. — avisei.
— Então vamos.
Dei um toque no ombro do Snake e caminhei com ele pelo jardim em direção ao anexo lateral da mansão.
Assim que Snake e eu entramos, tranquei a porta de vidro para garantir sigilo total.
— Acho melhor vocês se acomodarem. — falei direcionado para as meninas.
Katlyn se sentou em uma das poltronas de couro, com as mãos entrelaçadas e o semblante ainda pálido de cansaço. Esther puxou uma cadeira ao lado dela, assumindo a sua postura protetora e médica, enquanto a Fer permaneceu em pé bem ao meu lado, segurando a minha mão com firmeza.
— Não quer se sentar? — sussurrei só pra ela, que negou.
— Estou bem amor, não se preocupa. — dei um beijo em sua têmpora.
Snake puxou uma cadeira de madeira, virou o encosto para a frente e sentou-se de frente para a Katlyn, apoiando os braços tatuados na borda.
— Muito bem, garota. Sem rodeios e sem meias palavras: quem é o desgraçado que está atrás de você?
Snake foi direto como sempre. Katlyn engoliu em seco, olhando para a figura imponente e intimidadora do homem à sua frente antes de soltar a voz, ainda trêmula.
— O nome dele é Estevan… Estevan Vance.
Snake estreitou os olhos no mesmo segundo, o maxilar trincando.
— Vance? Da dinastia Vance de Nova York?
— Sim — Katlyn assentiu, puxando a respiração com dificuldade. — A família dele tem uma fortuna bilionária construída no setor imobiliário e em fundos de investimento fechados… Mas o pior não é o dinheiro, é a blindagem política. O pai do Estevan é o senador Álvaro Vance.
Esther franziu a testa, indignada.
— Filho de senador? É por isso que ele acha que pode agredir, torturar e mandar bater em mulheres sem responder à lei?!
— A maioria dos agressores vêm de famílias de nome, ou são homens da lei. — Fernanda diz com tristeza lembrando que Mike é policial, e sobrinho de político.
— Ele se acha intocável por causa disso — Katlyn continuou, as lágrimas ameaçando voltar. — O Estevan tem conexões com juízes, com delegados estaduais e financia campanhas inteiras. A primeira vez que ele me trancou no apartamento a Tiffany tentou intervir por mim, e disse que ia denunciá-lo por cárcere privado.
Ela soltou o ar e secou com as costas das mãos as lágrimas que começaram a escorrer por seu rosto antes de continuar.
— Mas ele além de ameaçá-la, deixou claro que nenhuma delegacia comum aceitaria uma denúncia contra ele, porque o pai dele abafaria tudo em meia hora com uma simples ligação para o comissariado. Por isso a Tiffy nunca mais tentou me ajudar, e dessa vez, que eu finalmente consegui sair de lá. Estevan conseguiu afastá-la de mim de outra maneira. Mandando seus capangas até ela.
Snake soltou uma risada baixa, rouca e carregada de puro sarcasmo, balançando a cabeça devagar.
— Senador Álvaro Vance… Que ironia deliciosa do destino.
Esther olhou para ele, atenta.
— Você conhece a família, amor?
— Se eu conheço, cariño? — Snake deu um sorriso gélido e predatório que faria qualquer homem são gelar até a alma. — Aquele velho hipócrita do Álvaro lava metade do dinheiro de propina da bancada dele através de empresas de fachada em New Jersey que operam exatamente nos portos onde os meus negócios transitam. A família Vance posa de tradicional e puritana na televisão, mas tem as mãos atoladas na lama até o pescoço. O moleque acha que é dono do mundo porque o papai dele usa terno caro em Washington… Mas ele está prestes a descobrir que, no mundo real onde as pessoas sangram, o sobrenome dele não vale absolutamente nada.
Snake colocou-se de pé com uma lentidão calculada, ajeitando a camisa escura nos cotovelos. Ele olhou diretamente nos olhos arregalados da Katlyn e soltou a sua promessa com o peso de uma sentença irrevogável.
— Escuta muito bem o que eu vou te dizer, Katlyn: a partir deste exato segundo, você não derrama mais uma única lágrima de medo por causa desse verme. Você vai ficar trancada e protegida nesta propriedade debaixo dos olhos da equipe do Knight. Enquanto você descansa, eu vou acionar os meus contatos, levantar cada conta oculta, cada podridão da família Vance e colocar quatro homens na porta do apartamento do Estevan. Se aquele merdinha der mais um passo em falso ou sonhar em cruzar a ponte em direção a Hoboken, eu mesmo arranco a cabeça dele e entrego numa bandeja para o papai senador engolir. Essa ameaça acabou.
Katlyn levou as duas mãos ao peito, soltando o ar em um soluço profundo de puro alívio e gratidão:
— Muito obrigada… Meu Deus, muito obrigada a todos vocês…

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar