Capítulo 246 — Não Antes de Ver Aquela Lingerie Vermelha
Bruno Coletti
Sustentei o olhar do cretino sem baixar a mira um único milímetro, sentindo a fúria pulsar no meu pescoço, sabendo que qualquer milissegundo em falso ditaria a vida ou a morte da única mulher que importava naquele inferno.
— Estevan, escuta muito bem o que eu vou te dizer — Dominic deu meio passo à frente, com a voz baixa, controlada e perigosa. — Você está cercado por agentes federais e atiradores de elite. As saídas da serra estão bloqueadas. Se você puxar esse gatilho, você não sai deste quarto respirando. Não existe tribunal, não existe fiança e não existe acordo para quem executa refém na frente do FBI. Solta a garota e você terá direito a um julgamento.
— Cala essa boca! — Estevan gritou, a voz falhando em puro desespero enquanto as lágrimas de fúria escorriam pelo seu rosto transtornado. Ele puxou a cabeça da Katlyn mais para trás pelos cabelos, fazendo-a soltar um gemido abafado de dor que fez o meu maxilar estalar sob a pressão dos meus próprios dentes. — Você acha que eu me importo com a porra de um julgamento?! O meu pai foi preso! O nome da minha família foi jogado na lama da imprensa há dez minutos! Eu sei que o Juan Rivera está lá embaixo! Vocês acabaram com tudo o que eu tinha no mundo!
Estevan cravou os olhos vidrados em mim, a saliva espirrando dos lábios trêmulos.
— Mas eu não vou sozinho para o inferno. Se eu cair hoje, eu levo o meu passarinho comigo! Ela é minha! Ela sempre foi minha, e se eu não puder tê-la, ninguém mais vai tocar nessa vadia!
— Ela nunca foi sua, seu lixo — cortei a fala dele com uma voz gutural, tão fria e firme que fez o próprio Estevan piscar por um segundo.
Dei um passo deliberado para a frente.
— Coletti, não se mexe! — Dominic avisou, mantendo a mira travada, mas eu já estava além de qualquer comando.
— Dá mais um passo e eu atiro! — Estevan berrou, o dedo indicador embranquecendo sobre a curvatura do gatilho.
— Atira, porra! — desafiei, abrindo os braços uma fração de centímetro e expondo o meu peito desprotegido, sem colete, sem escudo, tornando-me o único alvo evidente daquele cômodo. — Olha para mim, Estevan! Sou eu quem você quer! Fui eu quem te humilhou naquele estacionamento, fui eu quem colocou o cano na sua testa e te fez mijar nas calças de medo! Ela é só uma mulher indefesa que teve o azar de cruzar o seu caminho. Se você tem culhões para matar um homem, atira em mim!
Os olhos da Katlyn se arregalaram em puro pavor. Ela negou com a cabeça freneticamente, as lágrimas transbordando e caindo sobre a gola ensanguentada.
— Não, Bruno… Não faz isso! Por favor, não! — a voz dela saiu estrangulada, um grito desesperado que ecoou pelas paredes.
Estevan vacilou. Por um único milésimo de segundo, o ego ferido e o ódio irracional falaram mais alto do que o instinto de preservação. O olhar ensandecido dele se desviou da garota e encontrou o meu peito aberto. A ganância de me ver cair primeiro desequilibrou o controle que ele tinha sobre o refém.
Ele girou o cano do revólver na minha direção.
O disparo ensurdecedor quebrou o ar.
O impacto da bala atingiu o meu ombro esquerdo. A força cinética rasgou a carne, perfurou o músculo e me fez cambalear meio passo para trás com o estalo do osso sendo trincado. Uma queimação insuportável tomou conta de todo o lado esquerdo do meu tronco, mas a dor física simplesmente não encontrou espaço para me derrubar.
— BRUNO!! — o grito da Katlyn rasgou o quarto, um som dilacerado de pura agonia que pareceu arrancar a minha alma.
Ela aproveitou a rotação do corpo de Estevan e se jogou com todo o peso para baixo, cravando os dentes com força desesperada no antebraço dele.
Estevan uivou de dor, recuando o braço em reflexo. A linha de tiro que Dominic e eu precisávamos se abriu com a precisão de um milímetro.
Com o braço direito firme e os olhos focados na fresta aberta, ignorei o sangue quente que jorrava do meu ombro e puxei o gatilho.
BANG.
O tiro disparado a menos de quatro metros foi cirúrgico. O projétil de nove milímetros perfurou o ombro direito de Estevan, estraçalhando a articulação e fazendo o revólver dele voar pelo ar.
Antes que o desgraçado pudesse sequer compreender a dor, Dominic avançou. Meu chefe desferiu uma coronhada violenta na têmpora do cretino, o jogando de cara contra o chão. Dominic prensou o joelho contra a nuca de Estevan, torceu o braço ferido do canalha para trás em um ângulo brutal e fechou as algemas de aço nos pulsos dele até o limite da trava.
— Você está preso, seu desgraçado! — Dom rugiu contra o ouvido do homem que se contorcia no chão sob gemidos de dor e sangue. — Abre a boca mais uma vez e eu quebro o seu pescoço!
A porta do quarto foi escancarada de vez. Gayer, Lawson e mais dois agentes entraram com fuzis em punho, varrendo o espaço em segundos.
— Quarto seguro! — um dos meus parceiros gritou, baixando o cano do fuzil ao ver o Estevan imobilizado no chão. — Juan já limpou o perímetro externo. Toda a segurança dos Vance foi neutralizada. A propriedade está sob controle absoluto, chefe!
Mas eu não estava ouvindo relatórios.
A minha arma escorregou dos dedos dormentes e caiu sobre o tapete com um baque surdo. O choque do impacto do projétil no meu ombro começou a cobrar a sua conta. O sangue escorria espesso e quente pela manga da minha camisa, empapando o tecido e pingando com rapidez sobre o chão.
— Bruno… Meu Deus, Bruno!

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