Capítulo 248 — Responsável pelo sofrimento
Katlyn Pratt
— Graças a Deus, Katy… Você está viva, e esse pesadelo chegou ao fim.
Ele sussurrou contra o topo da minha cabeça, afastando-se apenas o suficiente para segurar os meus ombros e examinar o meu estado. Quando os olhos dele desceram e viram a minha blusa rasgada e a quantidade imensa de sangue cobrindo minhas mãos, meu peito e minhas calças, ele empalideceu.
— Você está ferida?! Onde ele te acertou?! Alguém chama um médico aqui agora!
— Não, Ozzie… Não é meu — solucei, o tremor nas minhas mãos ficando incontrolável enquanto eu as estendia diante de nós dois. — Esse sangue não é meu… É do Bruno. É tudo dele! Ele entrou na frente da arma por mim… Ele tomou um tiro por minha causa!
Damien se aproximou, com a mão no ombro do Dominic, trocando um olhar pesado com o amigo, que apenas assentiu em silêncio confirmando a gravidade do que tinha acontecido no andar de cima.
Dom e Bruno trabalhavam juntos há anos, a relação deles era muito maior que a de chefe e insubordinado. Era de amigos, de irmãos. Se pra mim que conhecia Bruno somente a uma semana estava doendo, imagina para ele.
— Com licença, por favor — uma voz feminina e firme cortou o nosso círculo.
Uma socorrista se aproximou, trazendo uma maleta de primeiros socorros nas mãos. Ela olhou para o corte aberto na minha têmpora e para os meus lábios partidos.
— Você precisa deixar a gente te avaliar, querida. Vamos até a segunda ambulância.
— Eu não quero ambulância! — respondi de imediato, balançando a cabeça com teimosia. — Eu estou inteira, eu só quero ir para o hospital ver o Bruno! Me leva para o hospital, Ozzie, por favor!
A paramédica deu um sorriso calmo e compreensivo, pousando a mão enluvada no meu braço de forma gentil.
— O agente Coletti já está a caminho do pronto-socorro sob cuidados intensivos, mocinha. E nós também vamos para lá. Mas você sofreu um traumatismo na cabeça, tem sangue escorrendo pelo seu rosto e precisa de curativo e estabilização antes de entrar em qualquer carro. Se você vier comigo agora, eu cuido disso em cinco minutos e nós seguimos direto para a mesma unidade onde ele está. Combinado?
Olhei para Ambrose, suplicando com os olhos por uma resposta diferente, mas ele segurou a minha mão direita ensanguentada com firmeza.
— Faz o que ela está pedindo, Katy. Fica tranquila, nós vamos logo atrás de você. Eu não saio do seu lado por nada hoje. Mas você precisa ser cuidada primeiro.
Engoli o choro e assenti com a cabeça, incapaz de lutar contra a lógica de todos eles.
Eles me guiaram até a traseira aberta da segunda viatura. Me sentei no banco acolchoado enquanto a chuva fina começava a engrossar do lado de fora. A paramédica pegou gaze estéril embebida em soro e começou a limpar a crosta de sangue seco que descia da minha têmpora.
O toque ardeu, mas a dor física parecia insignificante diante do vazio que queimava dentro do meu estômago.
— O corte aqui na cabeça foi profundo, mas não vai precisar de sutura agora — a socorrista explicou com voz suave, aplicando uma fita de fechamento adesivo e cobrindo com um curativo quadrado e limpo. — Mas você levou uma pancada contundente e perdeu a consciência mais cedo, pelo que os federais relataram.
Ela pegou um algodão com antisséptico e passou com cuidado extremo sobre os meus lábios cortados e inchados. Fechei os olhos com força quando o líquido ardeu contra a pele viva.
— Pronto, o rosto está limpo — ela guardou o material e checou a minha pressão arterial, anotando os números em uma prancheta. — Seus sinais vitais estão estáveis, mas nós precisamos que você faça exames de imagem no hospital. Uma tomografia é indispensável para descartar qualquer edema ou concussão mais séria decorrente dessa coronhada.
— Eu só preciso ver se ele está vivo… — repeti, como se fosse a única frase que a minha mente conseguia processar.
Ambrose, que assistia a tudo parado ao lado da porta aberta da ambulância com os braços cruzados e o semblante fechado de preocupação, deu um passo para dentro.
— Nós vamos fazer tudo o que os médicos mandarem, Katy. Primeiro eles vão examinar você de cima a baixo, tirar as radiografias e garantir que você não tem nada quebrado. Depois que você estiver liberada, nós vamos ver o Coletti. Passo a passo.
— Ele não pode morrer, Ambrose… — murmurei, olhando para ele com os olhos embaçados. — Se ele morrer, eu nunca mais vou me perdoar.
— Ele não vai morrer — Ambrose garantiu com a voz firme e convicta, embora eu pudesse ver nos olhos dele o mesmo medo que assombrava a todos nós. — Aquele homem é um touro, Katy. Ele é teimoso demais para deixar esse mundo tão fácil. Agora vamos.


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