Capítulo 225 — Um filme, um livro ou um pesadelo?
Emma Anderson
Eu queria ir atrás do Damien no mesmo segundo em que o vi atravessar a porta de vidro e entrar sozinho no casarão. Ele caminhava com os ombros rígidos, a cabeça baixa e o semblante fechado, sem sequer olhar para a área da piscina onde todos nós estávamos reunidos.
Aquele distanciamento dele me dava um aperto sufocante no peito. Tentei me levantar para segui-lo, mas Juliet segurou o meu braço com carinho e me convenceu a esperar, garantindo que o Elijah já tinha ido dar apoio. Mesmo contrariada, me sentei de volta e tentei me concentrar na leveza da tarde.
O momento com as garotas foi maravilhoso. A sessão de fotos improvisada pela Penny rendeu risadas soltas, poses engraçadas e um alívio genuíno para a tensão que pairava desde cedo. No entanto, assim que a agitação dos cliques terminou, vi a Taylor puxar a Esther, a Fernanda e a Katlyn para um canto isolado do deck.
A princípio, pensei que o assunto pudesse ser o ex-namorado abusivo da Katlyn, mas a minha intuição, aquela voz teimosa que nunca falha, gritava que havia algo muito mais grave sendo sussurrado ali.
Peguei o meu copo de suco fresco na mesinha e caminhei em silêncio até onde elas estavam. Conforme me aproximava por trás do pergolado, a voz da Katlyn soou clara, descrevendo o terror das descobertas da amiga advogada:
“A Tiffy disse que o cara é praticamente uma versão mais nova do Damien. O mesmo porte físico, o mesmo cabelo, olhos azuis… idêntico! E o rapaz confirmou com todas as letras: durante todo o ato no quarto secreto, a Verônica exigiu ser chamada de querida e ela o chamou de Dam sem parar até ela atingir o ápice.”
Aquelas palavras entraram nos meus ouvidos como estilhaços de gelo.
Minhas mãos perderam completamente a força. Os dedos amoleceram e o copo de vidro escorregou da minha palma, despencando contra o piso de pedra com um estrondo agudo. O cristal se partiu em dezenas de pedaços, espalhando suco e cacos brilhantes ao redor dos meus pés.
Quatro cabeças viraram na minha direção em um sobressalto sincronizado.
A fúria, o nojo e a repulsa entalaram na minha garganta de uma forma tão violenta que tudo o que consegui articular foi.
— Como é que é?!
Taylor deu dois passos rápidos na minha direção, erguendo as palmas das mãos.
— Emminha, calma… Respira fundo, pelo amor de Deus!
Levantei a mão aberta no ar, cortando a fala dela de imediato com um tom gélido.
— Eu estou perfeitamente calma, Taylor. Eu só quero ter a certeza absoluta de que ouvi direito o que acabou de ser dito. Aquela vaca amaldiçoada escolhe homens parecidos com o meu namorado para transar com eles enquanto grita e geme o nome dele?!
Taylor balançou a cabeça de leve, fazendo uma careta resignada.
— É… você resumiu com bastante precisão, minha Barbie profissões.
Encarei o vazio por um segundo, sentindo o estômago embrulhar de náusea.
— Isso é doentio demais… É bizarro pra caralho.
— Compartilhamos exatamente da mesma opinião, Em — Esther concordou, cruzando os braços com uma expressão carregada de repúdio.
Passos firmes sobre o deck de madeira chamaram a nossa atenção. Quando nos viramos, Elijah estava parado a poucos metros de nós, com as mãos nos bolsos da bermuda e um olhar sóbrio.
— Em, você tem um minuto? Posso falar com você a sós?
Assenti devagar.


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