Capítulo 5 — O Peso das Promessas
Emma Anderson
O cheiro de hospital sempre foi o gatilho para o meu pior pesadelo, mas hoje, ele tinha um rastro de esperança que eu não podia ignorar. Ver Ellie ser atendida em uma maca limpa, com lençóis que não cheiravam a mofo, era um alívio que quase me fazia esquecer o medo. Mas a cada bipe dos aparelhos, a conta na minha cabeça crescia. Como eu pagaria por isso? Como explicaria ao senhor Knight que o "resgate" dele tinha um preço que eu não podia cobrir nem em dez vidas?
A enfermeira colheu o sangue de Ellie com uma agilidade que só o dinheiro compra. Ela foi medicada, e o calor que emanava de sua pele pareceu baixar um tom.
— A doutora volta em breve com os resultados — a enfermeira disse, fechando a cortina.
Fiquei sozinha com o silêncio. E o silêncio sempre me levava de volta para o asfalto.
Eu me vi em uma maca, dois anos atrás. O teto do hospital girava. Eu gritava, mas nenhum som saía. Só pensava neles. Onde estava a minha irmã? Onde estava o menino? Lembro da enfermeira puxando uma cortina idêntica a esta. Ellie dormia ao lado, viva. "O menino já está com o pai", ela disse. "Ele está bem".
Eu quis levantar, mas a dor me derrubou. Meus pais não estavam na maca ao lado. Eles eram apenas fumaça e destroços. "Foi minha culpa", eu sussurrei para o teto. "Eu estava dirigindo".
Depois veio o efeito dominó. A documentação do óbito, as dívidas do hospital do meu pai que se arrastavam antes do acidente, a hipoteca atrasada da nossa casa pequena. Meu pai perdeu o emprego meses antes; eu larguei a faculdade para dobrar turnos e ajudá-lo. No fim, as chamas levaram os pilares e as dívidas levaram o teto. Sobramos apenas eu, Ellie e uma pilha de papéis de despejo.
Senti algo quente e pequeno me pressionando.
Fui arrancada das minhas lembranças pelos bracinhos de Luca. Ele estava ali, firme, como se estivesse me protegendo dos meus próprios fantasmas. Limpei o rosto rapidamente com as costas da mão, tentando esconder os rastros do passado.
Levantei o olhar e encontrei Damien Knight. Ele estava parado ao pé da cama, a postura impecável e os olhos azuis como uma tempestade pronta para desabar.
— Obrigada — minha voz saiu instável. — Eu vou pagar cada centavo, eu juro. Só preciso de um tempo para me organizar.
Ele se aproximou da cama. O simples movimento dele fazia o ar parecer escasso, denso. Ele me encarou com uma frieza que gelou minha espinha.
— Quantos anos você tem, senhorita Anderson? — A pergunta me pegou totalmente desprevenida. — E por que está cuidando de sua irmã sozinha dessa forma? Onde estão seus pais?
Parei de acariciar o cabelo de Luca. Meu coração batia contra as costelas. Ele não sabe... ele não tem ideia de que era eu naquele carro.
— Tenho vinte e dois — respondi, endireitando a coluna para manter o pouco de dignidade que me restava. — E Ellie tem seis. Meus pais morreram há dois anos.
Vi algo mudar nos olhos dele por um milésimo de segundo. Não consegui decifrar se era pena ou apenas a indiferença de quem observa uma estatística trágica.
— Marina disse que você precisava muito do emprego — ele comentou, quebrando o silêncio.
Suspirei, olhando para Ellie. O suor da febre começava a molhar seus fios castanhos claro, um sinal de que o remédio estava lutando.
— Meu pai ficou doente antes de morrer. Ele perdeu o emprego, a hipoteca atrasou... e quando ele e minha mãe se foram, eu perdi o que restava. Hoje sobrevivo de trabalhos temporários. Garçonete, entregadora... o que aparecer.
Levantei os olhos, sustentando o olhar dele.
— O emprego na sua empresa era o meu respiro. Eu não entrei lá para atingi-lo, eu nem mesmo sabia... — olhei para Luca, que se aninhava ao meu lado. — Que seu filho estava lá, e que ele se aproximaria de mim. Eu juro.
Damien estreitou os olhos, como se estivesse pesando cada palavra minha em uma balança invisível.
— Meu filho não fala, senhorita Anderson. Ele não se aproxima de estranhos e raramente se expressa como fez hoje. Por que com você?
— Talvez... — engoli em seco — Talvez ele tenha me visto com a minha irmã. Ele é pequeno, deve ter sentido o desespero dela e se identificado. Crianças têm um instinto para essas coisas.
Minha resposta pareceu convencê-lo. Por enquanto.


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