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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 1

Capítulo 1 — O Dia Em Que o Céu Caiu

Emma Anderson

O mundo não avisa quando vai ruir. Às vezes, ele só dobra na curva errada.

O grito veio antes do metal. Um grito de mulher, tão alto que parecia rasgar o próprio ar. Eu ainda sentia o volante tremendo nas minhas mãos quando a luz branca engoliu tudo. Depois… nada. Veio um silêncio que pesava mais que qualquer barulho.

Pisquei. O cheiro de gasolina queimava a garganta. O airbag me sufocava contra o banco. Ellie chorava atrás de mim, um choro pequeno, engasgado, que partia minha alma no meio.

— Ellie… princesa… calma… calma… — Minha voz saiu rouca, partida. Virei o pescoço devagar; sangue quente escorria da minha testa e pingava no volante.

— Papai? Nenhuma resposta. — Mamãe? — Chamei.

Mamãe estava caída contra a janela, o rosto virado para o lado errado. Papai… papai parecia dormir, mas o sono dele era pesado demais. Ellie gritava mais alto agora.

— Ellie… eu tô indo. — falei tentando acalmá-la.

Meus pais não acordaram, nem com o choro da minha irmã, nem mesmo com meus movimentos. Abri a porta com dificuldade, desci do banco com as pernas moles, desamarrei a cadeirinha com dedos que não pareciam meus. Puxei minha irmãzinha para o peito. Ela enterrou o rosto no meu pescoço, as mãozinhas agarrando minha blusa como se eu fosse a última coisa sólida do planeta.

— Tá tudo bem, meu amor… a Em tá aqui… a Em tá aqui… — Mentira. Nada estava bem. Mas era tudo que eu tinha para dar a ela.

Saí cambaleando do carro com Ellie nos braços. O asfalto queimava através das solas dos meus tênis. Minha visão escurecia nas bordas.

— Já volto, papai… já volto, mamãe… eu juro…

Uma voz fraca, quase um sopro, veio do outro carro, aquele que estava grudado no nosso como se tivessem se fundido.

— Por favor… meu filho…

Olhei. Uma mulher loira, presa entre o volante e o painel destruído, me encarava. O vestido claro agora era vermelho. Muito vermelho. Ela segurava a barriga com as duas mãos, como se tentasse manter a vida lá dentro. E no banco de trás, um menininho de uns três anos chorava, preso na cadeirinha, os cabelos loiros grudados no rosto.

Meu coração parou e depois disparou tão forte que doeu.

— Eu pego ele! Eu pego!

Coloquei Ellie no chão com cuidado. Uma mulher que eu nunca tinha visto na vida já corria na nossa direção.

— Me dá ela, me dá! — a desconhecida gritou, os olhos arregalados.

Entreguei minha irmã. Ellie se debateu, gritando meu nome.

— Eu já volto, princesinha, a Em já volta — eu disse para acalmar minha irmã.

Corri para o outro carro. O calor que vinha dali era insuportável. Puxei a porta traseira com as duas mãos; o metal queimou minhas palmas, mas a porta cedeu. Peguei o menino. Ele se agarrou a mim imediatamente, pernas e braços em volta do meu corpo como um macaquinho assustado.

— Tá tudo bem… tá tudo bem, pequeno…

Voltei para a porta da frente. A mulher esticou a mão trêmula e segurou meu pulso. Os olhos dela, verdes, estavam cheios de lágrimas e de uma calma que me aterrorizou.

— Qual… qual é o seu nome, anjo?

— Emma — minha voz falhou.

Ela sorriu. Um sorriso tão lindo e tão triste que eu nunca vou esquecer enquanto viver.

— Emma… — repetiu, como se estivesse guardando dentro do peito. — Obrigada… por salvar o meu Luca.

— A senhora vai ficar bem — menti, porque era o que as pessoas faziam nessas horas. — Eu vou tirar a senhora daí, eu prometo, eu…

Ela balançou a cabeça devagar. O sangue escorria mais rápido agora.

— Não, meu amor. Meu tempo acabou. — Ela olhou para Luca, que tremia nos meus braços. — Mas o dele não. Leva ele. Corre. Vive por ele. Ama por mim.

Lágrimas quentes queimaram meu rosto. Eram palavras difíceis de se ouvir vinda de alguém que estava partindo.

— Eu volto! Eu juro que volto pra buscar a senhora e meus pais…

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