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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 53

Capítulo 53 — Não hoje…

Damien Knight

Confesso que ouvi-la falar “Simon e eu nos envolvemos” me deu vontade de socar a parede; precisei controlar a minha raiva. Eu fui sincero quando disse que estava arrependido da forma como falei, mas fui mais sincero ainda quando disse que meu ciúme era incontrolável.

Só que vê-la falando da faculdade, da tristeza, e lembrar daquele sorriso que ela deu que nem mesmo chegou aos olhos, pois veio carregado de dor, me fez esquecer de todas as minhas inseguranças. Mas também me fez querer entender, querer que ela se abrisse.

Eu sei que tem mais; eu sinto, eu vejo. E, mesmo com Esther me pedindo para não forçar, para deixá-la me contar no seu tempo, quando a ouvi dizer:

— Eu não mereço ser feliz… — minha promessa a Esther se quebrou. Minha mulher estava sofrendo, e muito. E estava carregando essa dor sozinha.

Deitei sobre ela, capturando com cuidado cada lágrima que escorria daqueles olhos que me prenderam desde o primeiro olhar.

Lembrei da dor dela no túmulo dos pais, o desejo de estar no lugar deles. Lembrei do medo dela em perder a Ellie e o pedido para que Deus a levasse com a irmã. E agora… ela declarar que não merece a felicidade que eu estou disposto a proporcionar a ela. Tudo isso foi demais para mim.

— Fala comigo… — pedi. — Me diz, Emma. Por que você nunca acha que merece ser feliz? Por que nunca se acha digna de viver? Que culpa é essa, meu amor… — a palavra saiu do jeito certo e na hora certa — que você carrega sozinha?

Ela não me respondeu; por alguns segundos, ficou só me encarando. Até que levantou a mão e a colocou em meu rosto. Virei com cuidado e depositei um beijo ali antes de me voltar a ela.

— Por favor… — pedi, sincero. — Só divide isso comigo, amor.

E foi depois dessas minhas palavras que Emma desabou. O choro dela era carregado de um sofrimento que chegava a ser palpável. A dor dela estava estampada por todo o seu corpo. Emma se encolheu debaixo de mim. Rolei para o lado e me sentei correndo; a puxei para o meu colo e a abracei.

— Emma… — beijei o topo de sua cabeça. — Amor, por favor, fala comigo. — Mas ela não respondia, só chorava, e eu me senti um inútil naquele momento. As palavras da Esther ecoaram em minha mente: “Ela nos mostrou que está no limite. Conquiste a confiança da sua namorada, para que ela se sinta segura em conversar com você.”

Eu não podia insistir mais. Emma estava no limite, e eu não queria ser o responsável por ela ter mais uma síncope. Decidi não pedir mais; ela me falaria, no tempo dela… eu sei que sim. Continuei com ela no meu colo, acariciando-a, beijando-a e deixando sua dor extravasar através do choro.

Hoje me pareceu um dia de lembranças, pois lembrei dela me dizendo que, depois do que aconteceu com os pais, tudo o que ela mais queria era um abraço.

Então a abracei, com força, para que ela não só me sentisse, mas se lembrasse todos os dias de que eu estava ali. Não sei quanto tempo ficamos daquele jeito. Só sei que o choro dela, aos poucos, foi se tornando soluços contidos e depois cessou. Dei um beijo no topo de sua cabeça.

— Melhor? — perguntei. Ela somente assentiu com um aceno.

— Me desculpa… — sussurrou com a voz quebrada.

— Pelo quê? — me separei dela só o suficiente para encará-la.

— Duas noites seguidas te dei trabalho por… — Emma não terminou a frase.

Desci meus lábios até os dela; não foi um beijo, foi uma carícia.

— Querida, ter você nos meus braços não é trabalho. — Passei meu nariz no dela. — É o paraíso. — Tentei dizer de forma divertida para amenizar a tensão. Emma soltou um suspiro e colocou a mão no meu rosto.

— Eu não mereço você… — ela murmurou, e eu sorri.

— Então faça por merecer… — respondi em um sussurro.

— Pelo quê? — perguntei, acariciando seu rosto.

— Por tudo… pelo emprego forçado — nós dois rimos antes de ela continuar. — Mas necessário. — completou. — Pelo tratamento da Ellie, por aceitá-la aqui, por cuidar de nós. Enfim… por tudo.

— Tudo por você, amor… — falei, beijando-a logo em seguida. Quando nos separamos, ela estava chorando de novo. — O que foi? — perguntei, preocupado.

— Dam… Eu preciso… eu tenho uma coisa… — a voz dela falhou.

Encostei minha testa na dela.

— Agora não — falei, e ela entendeu. Eu a abracei, puxando-a para o meu peito. Sentia as lágrimas dela sobre mim, o corpo dela tremendo. A apertei contra mim. — Quando você estiver pronta, Em, eu estarei aqui para te ouvir. Mas não hoje.

Emma assentiu com a cabeça. Depositei um beijo em seus cabelos e, em minutos, ouvi a respiração dela acalmar e ela finalmente dormir.

Minha mente brincou comigo no silêncio do meu quarto escuro. Trouxe o pedido de desculpa da Emma, o dia do cemitério e o envelope que eu guardei na gaveta do meu escritório. Tirei ela de cima de mim com cuidado, a ajeitei e cobri. Dei um beijo em sua testa antes de murmurar:

— Já volto… — ela resmungou algo inaudível e eu só sorri antes de sair do quarto.

Desci as escadas; a mansão estava silenciosa. Caminhei com calma até meu escritório, entrei e fui direto à gaveta onde estava o maldito envelope.

Assim que o abri, havia fotos de um homem: o suposto proprietário do carro, mas não o condutor daquela noite. Tirei o papel com seus dados. 46 anos. Casado. Dois filhos. Meus olhos demoraram para ir até o nome que estava em destaque no início da folha. Mas, finalmente, criei coragem e ali estava ele, o homem que poderia finalmente tirar todas essas dúvidas de dentro do meu peito.

— Joseph Maloney… — murmurei seu nome. — Estou indo atrás de você.

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