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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 56

Capítulo 56 — O Gelo Retorna

Damien Knight

Meu dia foi resumido entre reuniões, ligações e mais reuniões. Não tive tempo nem mesmo para almoçar; a cada vez que o celular vibrava e eu via que era Emma, eu parava para dar uma olhada, mas não conseguia responder a nenhuma.

Cheguei em casa e fui direto para o meu quarto. Recebi uma ligação do John e, no meio da nossa conversa, eu a ouvi. Quando a olhei, Emma estava pálida, os olhos marejados, e eu estava perdido, sem entender o que estava acontecendo.

Ela quis conversar e eu concordei, mas, antes, eu precisava de um banho e de comer alguma coisa. Depois disso, nossa conversa começou. Eu via em cada palavra, em cada gesto, em cada expressão como aquilo a estava afetando.

Insisti no “depois”, mas ela quis o "agora". Eu tentei fugir, sim, eu tentei:

— Eu não sei do que está falando. Mas, seja o que for, acho melhor não conversarmos agora. Não com você nesta situação.

Mas ela estava decidida… Emma deu um passo em minha direção, mas eu só queria que ela parasse. Aquilo não faria bem para ela. Mas, quando eu a ouvi dizer: “Nosso vizinho, um bom homem que nos conhecia há anos, ofereceu seu carro…”, eu entendi que não ia ser só para ela. O que Emma estava prestes a me contar não faria bem para nós.

— Emma, para. Eu não quero ouvir isso. Não agora, não assim, não hoje — falei no meu tom habitual, aquele que usei com ela quando nos conhecemos.

Mas, se existe uma pessoa mais teimosa que Emma Anderson… eu desconheço. Eu não queria ouvir porque eu sabia que a suspeita que eu tinha desde que nos conhecemos, desde o cemitério, desde que as coisas começaram a se encaixar, se tornaria uma certeza. E isso ia me doer para caralho.

— Não diz… — mandei, e, como sempre, ela não me obedeceu.

— Era eu! Eu estava dirigindo o carro naquela noite — Emma disse entre soluços. — Era eu, Damien.

Fiquei paralisado por alguns segundos mais do que o necessário. Eu sabia; no fundo, eu sempre soube. Mas eu fechei os olhos para tudo isso. Fugi, fingi que não era real, que não podia ser. Que toda essa dor, essa culpa, não podia ser pelo acidente.

A verdade é que eu nunca quis acreditar que Emma Anderson, a mulher por quem eu estava perdidamente apaixonado… foi a responsável pela morte da Clara. Minha esposa. Mãe do meu filho.

Voltei a olhar para Emma; ela tremia, soluçava... a dor dela era palpável. Eu odiava vê-la sofrer assim, mas eu também estava sofrendo. Sofrendo pela verdade, mas pela mentira também. Emma escondeu de mim esse tempo todo quem ela era.

— Por isso o Luca te conhece — falei seco, e ela concordou com a cabeça.

— Eu tirei minha irmã do carro e… — ela parou de falar por um instante. — Ouvi a Clara: “Por favor… meu filho…”, ela disse. — senti meu peito apertar ao ouvi-la falar da minha esposa. — Eu tirei o Luca do carro… — Emma abraçou a própria cintura. — Clara e eu conversamos por alguns minutos… — ela voltou a chorar com força. — Ela perguntou meu nome, me agradeceu por salvar o Luca…

Soltei um riso sem humor.

— Eu disse não porque estava preocupado com você. Porque não queria que tivesse uma síncope novamente. — Passei a mão pelo cabelo, tentando me acalmar. — Não dá para mim. Eu não consigo — falei, sentindo uma dor insuportável.

— Damien… — ela sussurrou, ainda no chão.

Estava me doendo vê-la ali. Me doendo lembrar da Clara. Me doendo pensar em toda essa situação. Mas minha dor maior era pensar que ela poderia ter ficado comigo por toda essa culpa que carrega, ou porque minha esposa pediu “ame por mim” em seu leito de morte. Dei as costas e comecei a sair da cozinha.

— Damien… — a voz dela veio desesperada atrás de mim.

— Sinto muito, senhorita Anderson… — fechei os olhos, sentindo-os arder. — Não dá mais para mim. Estou rescindindo nosso contrato — falei sem olhar para trás. — Sua dívida está perdoada. Pedirei ao John que cuide de tudo. Te darei uma compensação pela quebra do contrato para que consiga se manter e arcar com os custos médicos da Ellie por um tempo.

— Dam, por favor… — ela soluçava. Fechei a mão em punho para tentar manter minha postura na frente dela.

— Eu viajo pela manhã. Quando retornar, eu não quero vê-la aqui — e, com essas minhas palavras, eu saí.

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