Capítulo 52 — Antes de você
Emma Anderson
Encontrar Simon me trouxe memórias de uma época que, para mim, parece ter acontecido em outra vida. Me levou de volta ao meu primeiro ano de faculdade, à minha alegria, à minha juventude e à primeira vez que olhei para um cara com um ar de “por que não?”.
Nos conhecemos em um evento onde ele era o palestrante; nos olhamos, conversamos, trocamos números e, quando ele me acompanhou de volta ao meu dormitório, nos beijamos. E, depois disso, meu mundo ruiu. Papai ficou doente. Tranquei a faculdade. Eu trabalhava demais. Tinha tempo de menos.
Comecei a rejeitar suas ligações, ignorar suas mensagens, não porque não gostasse da sua companhia, mas porque eu era uma jovem de vinte anos sem futuro, sem dinheiro, sem status. E Simon Yates era um dos advogados mais fodas do estado: lindo, rico e podia ter a mulher que quisesse.
Mas um dia, quando eu perdi tudo e ameaçaram tirar minha irmã de mim, eu liguei para ele desesperada. Eu não tinha dinheiro para pagar, ele sabia disso, mas me ajudou mesmo assim. Quando tudo acabou, eu sentia que ele esperava algo mais, talvez que pudéssemos finalmente tentar alguma coisa.
Só que isso não aconteceu. Eu não tinha mais motivos para ficar naquele lugar. Eu não tinha dinheiro. Não tinha nem mesmo dignidade. Então eu fui embora, perdi meu celular e nunca mais nos falamos.
Eu fiquei com raiva do Damien pelo que ele insinuou. Mas, por mais incrível que pareça, eu não o julgo por pensar assim; qualquer um pensaria. Mas meu namorado se esqueceu de um pequeno detalhe nessa matemática dele: eu sou virgem!
Então não foi com meu corpo que eu paguei. Mas eu sinto que, no instante em que eu contar para Damien Knight o porquê de Simon Yates ter me ajudado, ele vai desejar que tivesse sido.
— Agora, senhor Knight, nós dois vamos conversar — disse, tentando me manter firme, porque vê-lo seminu na minha frente não estava ajudando na seriedade que o momento pedia.
Damien fechou a distância entre nós, levou a mão na minha nuca e me beijou. O beijo foi exatamente como ele: quente e possessivo.
— Vai ser difícil conversar com você assim… — ele murmurou, com a boca ainda na minha. Subi minha mão pelo peito dele até chegar em sua nuca.
— Assim como? — perguntei, antes de ele me beijar novamente. Damien passou o braço pela minha cintura e me levantou como se eu não pesasse nada.
— Damien! — o repreendi, e ele me ignorou, caminhando comigo até sua cama. Ele me deitou nela e ficou sobre mim, acariciando meus cabelos e me encarando com seus olhos azuis. — Eu vim aqui para conversar — falei, retribuindo o olhar.
— Eu sei. — Ele passou o nariz no meu. — Mas antes eu precisava me desculpar direito.
Ele me beijou novamente; dessa vez foi lento, intenso, a língua dele reverenciando a minha. Damien foi subindo a mão pela lateral do meu corpo e um gemido involuntário escapou do fundo da minha garganta.
Senti ele sorrir ainda com os lábios nos meus; esse cretino sabia bem o efeito que causava em mim. Com relutância, nos separei e coloquei a mão no peito dele para chamar a sua atenção.
— Se desculpar direito é mostrar arrependimento, Damien. E não me tirar o fôlego.
Eu disse em um tom suave, mas sei que minhas palavras o atingiram como facas. Ele saiu de cima de mim, se sentou e me ajudou a sentar também.
— Eu realmente estou arrependido. Pensei muito enquanto estava no banho… — ele começou. — Sei que, mesmo não tendo condições de pagar pelos serviços do Simon, você não faria nada de errado para consegui-los. — Damien respirou fundo. — Tudo se resume a esse ciúme incontrolável que eu sinto, e ao fato de que eu conheço bem meu amigo e a forma como ele te olhou, e o jeito que ficou quando soube que estávamos juntos…
— Nós já nos conhecíamos antes de ele me ajudar. — eu o interrompi. — Nos conhecemos no meu primeiro e único ano na faculdade — falei, com um sorriso sem humor, lembrando daquela época. — Quando as coisas apertaram e tentaram tirar a Ellie de mim, eu o procurei e ele me ajudou sem cobrar nada.
— Eu imaginei que fosse isso. Que vocês já se conhecessem, mas, como eu disse, conheço meu amigo.
— O que você quer ouvir, Damien? — o questionei.
— A verdade, Emma. É só isso que sempre espero: a verdade.
As palavras dele não eram mais sobre Simon; eu sabia que não eram.
— Simon e eu nos envolvemos quando nos conhecemos. — O vi fechar as mãos em punhos. — Mas foi coisa boba; foi um beijo, troca de números e algumas mensagens. Nada sério para um cara como ele.
— Simon não te olha como se o que aconteceu tivesse sido algo sem importância.
— Mas foi. E, mesmo que não tenha sido, foi antes de você.
Damien ficou me encarando por alguns segundos até que me envolveu pela cintura e me puxou para ele. Me acomodei em seu colo e envolvi meus braços por seu pescoço.
— É só isso? — perguntou, passando o nariz no meu. — Ou tem mais alguma coisa que eu precise saber de “antes de mim”? — Damien tirou alguns fios do meu rosto e ficou esperando minha resposta.
“Tem… eu estava dirigindo naquela noite.” Mas não falei; só pensei.

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