Capítulo 54 — Pode ser cruel
Emma Anderson
Acordei sentindo um peso sobre mim. Quando me virei com cuidado, Damien dormia profundamente com os braços ao redor da minha cintura. Ele me segurava forte, como se estivesse com medo de que eu fugisse. E, no fundo, era exatamente isso que eu tinha que fazer.
Mas eu não conseguiria mais fugir… eu já estava envolvida demais para fechar os olhos e fingir que nada aconteceu; não dava mais para seguir em frente sem ele. Passei a mão por seu rosto, tirando alguns fios caídos dali, e fiquei admirando cada traço dele, decorando cada detalhe desse rosto tão lindo e tão expressivo.
— Querida… — ele disse com a voz rouca de sono. — Se continuar me olhando desse jeito, não respondo por mim. — Sorri para suas palavras.
— E como sabe o jeito que estou te olhando?
Damien me puxou mais para ele e, ainda com os olhos fechados, passou o nariz no meu.
— Eu só sei… — respondeu e encostou a boca na minha em um selinho demorado. Quando nos separamos, ele abriu os olhos e encontrou os meus. — Bom dia… — ele sussurrou.
— Bom dia — respondi, me aninhando mais a ele.
— Como foi sua noite?
— Apaguei — falei, e nós dois rimos.
Ele virou para olhar o relógio; já era seu horário de ir para a academia, mas ele não levantou.
— Não vai treinar? — perguntei, confusa.
— Vou — Damien disse, deitando sobre mim. — Mas não na academia… — ele passou o nariz pelo meu pescoço.
— Damien… — murmurei, mas meu corpo já o recebia com uma ansiedade que eu não conseguia mais esconder.
Ele se afastou apenas o suficiente para me encarar. Seus olhos azuis estavam escuros, carregados de uma luxúria que me fazia vibrar.
— Você é tão linda de manhã — ele sussurrou, a voz vibrando contra o meu pescoço enquanto descia os lábios pelo meu colo. — Tão real. Tão minha.
Senti um calafrio percorrer minha espinha quando ele segurou minhas coxas, me puxando para mais perto até que não houvesse um milímetro de ar entre nós. Minhas mãos se perderam em seus cabelos, puxando-o para mim.
Naquele momento, em meio ao calor dos lençóis e ao peso reconfortante dele sobre o meu corpo, um pensamento gritava na minha mente: eu queria ser dele por completo. Eu queria que ele rompesse todas as barreiras, que me tomasse como sua.
Mas Damien era paciente. Ele respeitava o meu tempo com uma devoção que chegava a doer. Ele desceu a mão pela lateral do meu corpo, a seda da camisola subindo conforme seus dedos subiam pela minha pele. Quando sua mão encontrou minha intimidade, já úmida e pulsante, eu perdi o fôlego.
— Damien… por favor… — arfei, fechando os olhos.
— Shhh… — ele murmurou contra o meu ouvido, a respiração quente me arrepiando inteira. — Deixa eu te sentir, Emma. Deixa eu te mostrar, amor, o quanto você me enlouquece.
Amor… essa palavra mexia comigo mais que seus toques. Seus dedos começaram um trabalho lento e torturante. Ele já me conhecia, sabia exatamente onde tocar e com qual intensidade. Eu me sentia em chamas, uma tensão doce e insuportável crescendo no meu baixo ventre.
Cada movimento dele era uma promessa, cada carícia era um "eu estou aqui". Eu me arqueava contra sua mão, meus gemidos preenchendo o quarto silencioso, e por um instante o mundo, e toda a culpa que eu carregava, deixou de existir. Só havia o toque dele. Só havia a prova de que eu estava viva.
A explosão veio como uma onda avassaladora. Senti cada músculo do meu corpo travar antes de relaxar em espasmos de puro prazer. Eu gritei o nome dele, segurando seus ombros com força enquanto meu mundo se desfazia em cores e sensações que eu nunca imaginei serem possíveis.
Quando finalmente comecei a voltar à realidade, ainda ofegante e com o coração martelando no peito, ouvi um som. Damien soltou uma risada baixa, uma vibração gostosa e rouca que vinha do fundo do peito. Eu não resisti e sorri junto, enterrando o rosto em seu pescoço, sentindo uma felicidade boba me inundar.
— Por que está rindo? — perguntei, levantando o olhar para encontrá-lo.
Ele me puxou para um beijo rápido e estalado, os olhos brilhando com uma diversão genuína.
— Porque você acabou de me fazer gozar novamente só de te ver desse jeito — ele confessou, passando o polegar pelo meu lábio inferior inchado. — Ver você se perder nos meus braços, Emma… é potente demais. Eu não posso deixar isso se tornar um hábito, ou vou acabar perdendo meu posto de homem sério em tempo recorde.
Eu ri, sentindo meu rosto esquentar, mas o puxei para mais um abraço. Damien estava se tornando meu porto seguro, o homem que me fazia querer ficar e que me protegia. E, por um breve momento, eu escolhi acreditar que o destino não seria cruel o suficiente para me tirar isso.
Ele saiu de cima de mim e se manteve ao meu lado em silêncio. Quando meu corpo começou a voltar ao normal, me apoiei no cotovelo e o encarei.
— Por quê?
— Tenho uma reunião no primeiro horário, não posso me atrasar e ainda tenho coisas para resolver.
— Tudo bem — falei, dando nele um beijo rápido. Bem, era para ser rápido, mas meu namorado parecia nunca estar satisfeito. — Dam… — murmurei com a boca ainda na dele.
— Hum?
— Você disse que não podia se atrasar. — Me separei dele com a mesma relutância que ele. — E eu também não posso — falei, fugindo dele e correndo para a porta. — Um ótimo dia para você! — Eu disse rindo e o ouvi resmungar.
Corri para o meu quarto, tomei banho, me troquei e comecei meu dia. Primeiro fui até o Luca, o acordei; depois seguimos juntos para o quarto da Ellie, que já estava pronta ao lado de Savannah. Descemos para o café;
Damien passou só para se despedir. Ele me deu um beijo na frente das crianças; ouvimos um “eca” da Ellie que fez todos na mesa rirem, inclusive Luca. E, depois disso, o dia foi um borrão entre as terapias do Luca e as sessões de fisioterapia da minha irmã.
A noite caiu e Damien não deu notícias o dia inteiro, nem respondeu às minhas mensagens, o que já era um costume nosso antes mesmo de começarmos a namorar. Eu estava no meu quarto, já me arrumando para dormir, quando ouvi passos firmes vindo do corredor. Imaginei que fosse ele.
— Resista, Emma… — murmurei para mim mesma, mas foi inútil. Não resisti.
Saí do meu quarto e segui para o dele. Dei duas batidas na porta e a abri.
— Damien… — chamei, mas não obtive resposta; entrei mesmo assim. Ele estava na varanda falando ao telefone. Me aproximei com cuidado e parei na porta, e então eu ouvi:
— Eu vou. Avise a ele, John — ele respondeu e ficou em silêncio por alguns segundos antes de concluir: — Diga a Joseph Maloney que me encontrarei com ele.
“Joseph Maloney”
O nome ecoou na minha mente. Senti meu corpo inteiro tremer. Dei um passo para trás e acabei batendo na porta, o que chamou a atenção do Damien. Ele se virou e, quando nossos olhos se encontraram, eu soube.
O destino pode, sim, ser cruel.

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