Capítulo 51 — O ciúme deu as caras
Damien Knight
Emma ficou na fila e eu segui com as crianças até o quiosque. Os deixei livres para escolherem o que quisessem; estava entretido na interação da Ellie com o Luca, em como ele agia diante dela, em como se entendiam somente com olhares. Era como se eles se conhecessem por uma vida inteira.
— Damien? — Ouvi uma voz atrás de mim e, quando me virei:
— Simon. — Estendi a mão para cumprimentá-lo. — Perdido no shopping?
— Vim comprar uma lembrança para o Elijah e a Mia. Você vai ao casamento na sexta?
— Para ser sincero, havia me esquecido de que a cerimônia já é na próxima semana — respondi, pois, com os últimos acontecimentos, eu tinha me esquecido completamente.
— Pronto, tio Dam! — Ellie me chamou, se aproximando. Peguei na mão dela e na de Luca e os puxei para o lado comigo.
— Quem é esta, Dam? — Simon me perguntou em um tom além do curioso. — Ela… parece familiar. — Olhei para ele, confuso, até que ouvi a voz da Emma.
— Dam. — Olhei para ela, estendi meu braço envolvendo sua cintura, colando seu corpo no meu, e disse: — Este é o… — Mas Simon não me deixou concluir.
— Emma Anderson, quanto tempo! — ele disse à minha mulher com um sorriso. Olhei para Emma, confuso.
— Bom te ver, Simon Yates — ela respondeu, com um sorriso.
— Vocês dois… — ele fez sinal entre nós.
— Sim, Emma e eu estamos juntos. — Senti o corpo dela enrijecer sob o meu.
— Ah… — ele disse, parecendo desapontado. — Por isso a garotinha me pareceu familiar; é sua irmã. — Simon olhou para Ellie, que estava alheia a tudo, conversando com Luca e colocando jujubas na boca dele.
— Sim, é a Ellie.
— Eu procurei vocês, fui ao seu endereço antigo, mas não as encontrei.
— As circunstâncias me fizeram mudar, mas não fui para muito longe — Emma respondeu, mas notei que ela estava desconfortável com aquela situação e, para ser sincero, eu também estava começando a ficar.
— E onde vocês estão agora?
— Na minha casa — respondi seco, e meu amigo logo entendeu que era melhor recuar.
— Ah, entendi — Simon disse, visivelmente insatisfeito.
— Moro lá porque sou babá do Luca — Emma justificou, e aquilo me irritou. Sei que era a verdade, mas não havia a necessidade de ele saber disso.
— Que bom, Emma. Fico feliz em ver você e a Ellie bem.
Minha mulher sorriu para ele e, por instinto, apertei sua cintura. Simon, assim como os outros, é meu amigo de anos; eu confiava em cada um deles. Mas uma amizade de anos não nos traz só confiança; traz também intimidade.
E eu conheço cada expressão, cada gesto e cada intenção de cada um deles. E tudo em Simon Yates, neste momento em relação à Emma, indicava o quão interessado ele estava nela.
— Obrigada, Simon — ela agradeceu, depois se virou para mim: — A sessão já vai começar. Se não entrarmos agora, a próxima será só em duas horas.
Desci meus lábios até os dela em um selinho demorado. Sim, foi infantil, eu sei, mas eu fiz.
— Estamos indo — respondi, e ela assentiu, mesmo sem graça por eu tê-la beijado na frente do Simon. Me virei para meu amigo: — Precisamos ir, mas foi bom te ver. — Estendi minha mão e ele a apertou com firmeza.
— Foi bom vê-los também. Acho que nos veremos em breve, no casamento?
— Sim — falei direto e ele apenas assentiu. Nos despedimos e seguimos para a entrada do cinema.
Entreguei os ingressos e Emma me olhou confusa quando notou a quantidade, mas não disse nada. Entramos e seguimos para o último andar. O lugar estava vazio; sentamos nas poltronas do meio.
— Por que você pegou esses lugares altos assim? — Emma perguntou em um sussurro.
— A visão é panorâmica, sem distorção para as crianças e confortável para o pescoço também.
Emma olhou ao redor e viu que as únicas poltronas com pessoas eram as de baixo; na área onde estávamos, somente as nossas cadeiras estavam ocupadas.
— Você comprou todos esses lugares?
— Sim… — respondi, passando os braços por trás dela e a puxando para mim.
— Posso saber por quê? — ela perguntou, arqueando as sobrancelhas. Sorri e dei um beijo rápido nela antes de responder:
— Eu disse para não comerem tantos doces de uma vez antes do filme — Emma os repreendeu, já se levantando.
— Onde vai? — perguntei.
— Buscar água para eles.
— Eu… — foi tudo o que consegui dizer antes de ela levantar a mão para me calar.
— Você fica com eles, eu vou. — E, sem me dar o direito de contestar, ela saiu.
Fiquei impaciente esperando seu retorno e, quando ela voltou, sentou-se ao lado das crianças e por lá ficou. Esperei cinco, dez, quinze minutos e, quando notei que ela não voltaria para o meu lado, fui até ela. Me sentei ao seu lado, passei os braços por trás dela e sussurrei em seu ouvido:
— Me desculpe.
Emma se ajeitou em meu ombro, mas não me respondeu. Só o fato de ela não me afastar já me deixou satisfeito. O filme terminou e levamos as crianças para dar algumas voltas no carrossel. Minha mulher mal dirigia a palavra para mim, mas não recuava quando eu me aproximava, o que, para mim, ainda era um bom sinal.
O nosso domingo acabou. A noite começou a cair assim que chegamos em casa. Emma disse que ia dar banho e colocar as crianças na cama, e depois tomaria um banho também. Pedi para ela ir ao meu quarto quando terminasse; ela assentiu. A puxei para um beijo rápido e a deixei ir.
Entrei no meu quarto, me joguei na cama e fiquei encarando o teto, repassando o dia na minha mente, avaliando todos os seus altos e baixos: Verônica, a investigação, nosso momento família, Simon.
Tomei um banho e saí do banheiro já com minha calça de moletom, secando os cabelos com a toalha, quando a vi.
Emma estava sentada na beirada da minha cama. Ela usava uma camisola de seda que deixava seu colo e suas pernas à mostra. Por alguns segundos, fiquei preso naquela visão. Ela se levantou e parou bem na minha frente e disse em um tom sério.
— Agora, senhor Knight, nós dois vamos conversar.
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Meninas sabem que gosto muito de interagir com vocês, então sempre repasso os capítulos tentando responder os comentários.
Surgiu uma questão sobre as crianças e achei interessante responder.
Ellie tem seis anos e Luca cinco, existem crianças que são muito ativas e espertas (principalmente a dos livros) mesmo tão pequenas assim. E outra questão sobre eles sempre pedirem colo, ambos perderam a mãe naquele acidente, inconscientemente eles são carentes e dependentes. E ao redor deles existem pessoas que os compreendem e gostam de dar essa atenção e carinho.
Obrigado por estarem aqui, e vamos para mais uma DR. Oh casal que gosta de uma DR isso porque estão juntos a menos de 48 horas kkkkkk

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar