Parei de respirar por um segundo antes de agir. E, naquele momento, fiz. Eu tomei a iniciativa de novo. Eu, Charlotte, a rainha do sarcasmo e da lógica torta, dei um passo que só poderia ser chamado de impulsivo.
Aproximei-me ainda mais, sentindo o calor de Alexander. Meu coração batia tão forte que era um milagre ele não ouvisse. Fiquei na ponta dos pés, circulei seu pescoço com os braços e pressionei meus lábios contra os dele.
Diferente da primeira vez, não hesitei. Não recuei. E definitivamente não deixei que ele fugisse. Mantive meu rosto próximo ao dele, minha respiração se misturando à dele, até abrir um sorriso desafiador.
— E agora? Está satisfeito? — perguntei, minha voz carregada de ironia.
Ele me olhou, os olhos fixos nos meus, a expressão confusa suavizando-se em algo mais intenso. Então, sem aviso, ele sussurrou:
— Não.
Antes que eu pudesse processar, Alexander me ergueu como se eu fosse feita de papel. Senti o frio da bancada da cozinha contra minhas pernas enquanto ele pressionava seus lábios contra os meus. O beijo… Bem, o beijo não foi nada menos que avassalador.
Não havia hesitação, nem reservas. Era como se ele tivesse esperado por aquilo mais do que qualquer outra coisa no mundo. Seus lábios encontraram os meus com uma paixão crua e inegável, uma força que fazia meu corpo inteiro responder como se tivesse vida própria. Cada movimento, cada toque, parecia gritar uma verdade que ele nunca conseguiu dizer em palavras.
Eu me agarrei a ele, minhas mãos explorando seu peito, sentindo a força sob a camisa. Era uma sensação que eu conhecia, mas que parecia diferente agora, mais carregada, mais verdadeira. Ele me segurava como se tivesse medo que eu desaparecesse, os dedos firmes no meu pescoço e nas minhas costas, aproximando-me tanto que quase não havia espaço para o ar passar entre nós.
Seus lábios deixaram os meus, descendo pelo meu pescoço em uma trilha de beijos e mordidas suaves. Meu corpo inteiro tremia sob seu toque, mas quando senti suas mãos deslizando sob minha camisa, algo dentro de mim clicou.
Era como despencar de um penhasco. A adrenalina inicial deu lugar a um pânico sutil. Um medo de atravessar uma linha que, no fundo, eu ainda não estava pronta para cruzar.
— Alexander… — murmurei, minha voz abafada enquanto segurava suas mãos. Ele parou imediatamente, recuando como se tivesse percebido algo errado. Seus olhos encontraram os meus, e eu vi algo que raramente tinha visto nele: arrependimento. E talvez… preocupação.
— Eu sinto muito — ele disse, quase sem fôlego, recuando mais um pouco, mas sem soltar minha cintura.
Eu baixei a cabeça, tentando recuperar o controle sobre minha respiração. Meu coração estava em um caos completo, enquanto o dele parecia tão estável quanto uma rocha. Era frustrante, mas, ao mesmo tempo, havia algo reconfortante na forma como ele esperava, sem pressionar.
Ele se inclinou ligeiramente, a voz baixa, mas firme.
— Eu vou esperar, Charlotte. Pelo tempo que precisar. Até que você me permita. Até que esteja pronta.
Minhas emoções se embaralharam ainda mais. Parte de mim queria gritar que ele estava sonhando se achava que eu realmente me permitiria algum dia. Mas outra parte, a mais silenciosa, perguntava algo muito mais aterrorizante: Será que eu ainda quero me divorciar?
Eu o chamei, minha voz um sussurro hesitante.
— Alexander?
— Humm?
Mordi o lábio, tentando encontrar as palavras certas. Mas, como sempre, a única coisa que consegui fazer foi ser brutalmente honesta.
— Isso… isso não significa que estamos juntos de novo. Não quero que você entenda errado.
Ele colocou a mão suavemente no meu queixo, inclinando meu rosto até que nossos olhos se encontrassem. Seu olhar tinha uma intensidade que fazia meu coração disparar novamente.
— Eu sei disso, Charlotte. — Sua voz era gentil, quase carinhosa. — Não se preocupe.
Balancei a cabeça, ainda tentando processar o sorriso que Alexander lançou antes de inclinar-se e beijar suavemente minha testa. O gesto me desarmou, e um calor estranho se espalhou pelo meu peito.
— Alexander?
— Hum? — Ele respondeu sem tirar os olhos de mim.
— Agora vá secar o cabelo antes de pegar um resfriado. Vou tomar um banho rápido e depois comemos juntos. — Ele ordenou, em seu tom autoritário habitual.
Concordei com um aceno de cabeça e me retirei para o quarto. Pelo caminho, ouvi seu telefone tocar, e ele atendeu na varanda. Não me preocupei em saber quem era. No final das contas, acabei não cozinhando nada naquele dia. A razão? Pura preguiça.
Quanto ao assunto de Nadir, deixei Alexander lidar com isso sozinho. Eu não queria ter nada a ver com minha mãe novamente. Mesmo que o tal assunto urgente fosse ela em seu leito de morte, implorando para me ver, eu não me importaria. Perdoei aquela mulher muitas vezes ao longo dos anos, mas desde que ela teve a audácia de dizer que sua decisão de me abandonar foi a certa, ela deixou de ser minha mãe. Era apenas uma estranha agora.
Mais tarde, naquela noite, Alexander entrou no meu quarto sem cerimônia. Ele se enfiou debaixo da colcha da minha cama, evitando me olhar diretamente. Em vez disso, focou em seu telefone, como se sua vida dependesse disso.
— Você se convidou para dormir na minha cama agora? — Perguntei, levantando uma sobrancelha.
Ele nem se deu ao trabalho de responder. Apenas continuou mexendo no telefone, indiferente. Suspirei, derrotada.
— Apenas traga o seu laptop. É uma tortura te ver trabalhando nesse telefone minúsculo.
Ele sorriu, mas não saiu da cama. Para minha surpresa, colocou o telefone de lado e virou-se para mim, a luz suave do abajur delineando seu rosto.
Então ele fez algo inesperado. Ele simplesmente ficou me encarando. Um minuto. Dois. Três. O silêncio se estendia, e eu me peguei checando a hora no meu próprio telefone, tentando fingir que não o tinha notado.
Finalmente, a paciência me escapou.
— Por que você está me olhando? — Perguntei, a voz carregada de exasperação.
Ele respondeu sem hesitação, a sinceridade em suas palavras me atingindo como um soco no peito:
— Porque eu senti sua falta.

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