Não é um erro amar alguém, tampouco querer ser amado. Mas ferir inocentes no processo não é apenas um erro, é uma vergonha. E eu, que fui vítima do amor obsessivo de Olivia, sabia que nunca a perdoaria pelo que me causou.
Embora meu perdão ou ressentimento fossem irrelevantes para ela, eu ainda carregaria esses sentimentos comigo, inúteis, até o fim dos meus dias.
Alexander, por outro lado, parecia completamente alheio à mulher chorando que acabara de ser escoltada para fora. Ele me arrastou de volta para o carro com um senso de urgência quase palpável. Assim que abriu a porta, indicou que eu entrasse, e quando me sentei, ele próprio apertou meu cinto de segurança, seus movimentos rápidos e impacientes.
— Você quer me dar um ataque cardíaco, Charlotte?! — ele disparou, a voz cheia de irritação. — Como pode sair do carro assim em uma situação perigosa? Eu disse para ser cuidadosa! E se Olivia tivesse atiradores escondidos? E se você tivesse sido ferida? Como pode ser tão irresponsável?
Eu o encarei, piscando, sem reação. Minhas emoções estavam um caos. Ainda estava processando as palavras de Olivia, sua derrota e o destino que Alexander tão friamente selou para ela. Não havia espaço para absorver a raiva dele naquele momento. Então, simplesmente assenti em silêncio.
Ele pareceu ainda mais exasperado com minha falta de resposta e bateu a porta com força antes de ir para o assento do motorista. Durante todo o caminho de volta para a mansão, ele não parou de falar. Sua irritação transbordava em cada palavra, um sermão interminável sobre meu comportamento “insensato”.
Mas, sinceramente? Eu não ouvi nem metade do que ele disse. Minhas preocupações estavam em outro lugar. A paisagem fora da janela chamava minha atenção mais do que as palavras de Alexander. A mansão Speredo, meu refúgio relutante, agora parecia algo saído de um filme de guerra. Guardas armados estavam por toda parte.
Quando nosso carro parou diante do portão interno, vi algo ainda mais chocante: os empregados estavam alinhados, sendo inspecionados antes de entrarem na mansão.
— Charlotte, não me assuste assim de novo. — A voz de Alexander interrompeu meus pensamentos. Seus olhos, antes severos, estavam mais suaves agora, quase implorando.
Eu suspirei e assenti, minha voz saindo baixa:
— Foi um erro. Vou ser mais cuidadosa no futuro.
Ele exalou lentamente, como se estivesse tentando se acalmar.
— Sei que muitas coisas estão acontecendo ao mesmo tempo, mas isso será resolvido. Se você tiver dúvidas, pergunte. Não vou esconder nada de você.
— Tudo bem. — Sussurrei, enquanto desabotoava o cinto de segurança e saía do carro.
Dentro da mansão, a visão familiar de minha avó esperando atrás da grande porta me recebeu. Mas, diferente de seu habitual comportamento confiante, ela parecia tão perdida quanto eu me sentia. Por um breve momento, senti um resquício de orgulho por estar lidando com tudo isso melhor do que imaginava.
Ela avançou imediatamente quando Alexander entrou, sua curiosidade habitual evidente.
— O que está acontecendo, Alexander? — ela perguntou, a preocupação estampada em cada palavra. — Sua mãe tem ligado sem parar desde que vocês saíram. Ela disse que precisa falar com você urgentemente, mas não quis dizer por quê. E agora, essa segurança toda… Estamos em guerra? Aconteceu algo com Jackson ou Lily?
Alexander a encarou com a paciência limitada de alguém que tinha preocupações muito maiores.
— Eles estão seguros. Não precisa se preocupar com isso. Quanto ao restante... Charlotte te explicará depois. Com licença, vovó.
E, como se aquilo encerrasse qualquer discussão, ele fez um gesto para que eu o seguisse e subiu as escadas.
Olhei para minha avó, sentindo-me culpada por não poder oferecer nenhuma resposta concreta.
— Não se preocupe, vovó. Eu volto logo. — Foi tudo o que consegui dizer antes de seguir Alexander.
Quando entrei em nosso quarto, ele já estava sentado no sofá, desabotoando a gravata e afrouxando a gola da camisa. Parecia tão despreocupado que quase me fez esquecer os últimos acontecimentos.
Eu tirei as sandálias com um gesto automático e sentei-me na beirada da cama, encarando-o. Estava claro que ele sabia o que eu queria. Ele só estava aproveitando o momento, atiçando minha curiosidade até o ponto de ebulição.
Depois de um longo silêncio, não consegui me conter mais:
— Sempre me perguntei por que você, que é tão radical com quem te irrita, nunca fez nada com Olivia. — Minha voz saiu mais calma do que eu esperava. — No passado, eu achava que era porque ela tinha algum lugar especial no seu coração. E, bom, como não conversávamos, acabei tirando conclusões erradas. No final, eu até achei que você estava me traindo com ela.
Alexander ergueu os olhos para mim, seu rosto inexpressivo, mas seus dedos pararam de mexer na gravata.
Ela me lançou um olhar que me fez sentir como uma criança de cinco anos novamente.
— Quem você pensa que é para me ensinar o que fazer, Charlotte? Enquanto eu viver, esta família é minha responsabilidade. Sou a mais velha, e todos vocês devem me obedecer! — Ela apontou o dedo para mim, enfática. — Já estou na idade de orar a Deus e esperar meu tempo chegar, mas você insiste em me mandar para o túmulo com o coração pesado! Nenhum de vocês sabe como ser obediente!
Eu sabia que seria inútil argumentar. Era melhor sair do quarto antes que ela resolvesse rezar por mim também – não no sentido positivo.
Deixei a conversa com vovó e decidi encontrar Alexander. Eu precisava confessar o que havia feito e preparar meu marido para o inferno que estava prestes a desabar sobre nós graças à minha imprudência.
Primeiro, fui ao nosso quarto, mas ele não estava lá. No corredor, encontrei uma das empregadas passando às pressas e a parei.
— Você sabe onde está Alexander? — perguntei.
Ela parecia com pressa, respirando rápido, mas respondeu:
— O senhor Speredo está no jardim com o Sr. Hodiri.
Hodiri. Finalmente, um nome para aquele homem que parecia sempre à sombra de Alexander, mas que havia desaparecido misteriosamente pela manhã.
Agradeci à empregada e me dirigi ao jardim. Precisava descobrir o que estava acontecendo — e quem era, afinal, esse “Sr. Hodiri”, que Alexander julgava importante o suficiente para convidar para a mansão em meio a todo o caos.
Quando alcancei o jardim, avistei Alexander conversando com outro homem no canto leste do espaço. Caminhei com cuidado, tentando observar antes de interromper. Quando cheguei mais perto, finalmente o reconheci.
O misterioso Sr. Hodiri, que eu havia notado tantas vezes ao lado de Alexander, era ninguém menos que o assistente que desaparecera naquela manhã.
Então, ele não tinha desaparecido. Tinha apenas mudado de lugar no tabuleiro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO Que Odeio Não Quer Dar O Divórcio!