Capítulo 12
Dolores se agarrava ao antebraço de Zacky com tanta força que as unhas marcaram a pele grossa. Ele sentia o tremor dela, não era só de frio, era pânico puro.
— Respira, coração... já está acabando — murmurou, tentando acalmá-la.
Mas outro trovão caiu, mais forte, e o corpo dela enrijeceu.
— Ei — disse próximo ao ouvido dela. — Eu tô aqui. Você não está sozinha nessa.
Momentos depois, viram a luz da varanda acesa. Pedro, da janela da área gourmet, observou quando as silhuetas se aproximaram.
— Nyra, eles chegaram — murmurou com um sorriso.
A serval se aproximou com elegância, apoiando as patas na base da janela para enxergar melhor. O rabo longuíssimo balançou, e ela soltou um grunhido baixo.
— Sim, o patrão é o melhor. Achou a donzela — comentou ele, como se a felina entendesse cada palavra. — Eu gostei dela. E você?
Nyra respondeu com outro som, uma espécie de ronronado, o que para Pedro era de aprovação clara.
— Muito bem, minha menina… — ele afagou a cabeça da serval. — Fiz uma sopa bem quente, pra esquentar esses corpos molhados. Não queremos o patrão e a mocinha doentes, certo?
Nyra inclinou a cabeça, concordando da maneira dela, e seguiu até a porta. Sentou-se ali, observando com atenção quando Zacky desceu do cavalo e, ergueu Dolores nos braços, protegendo-a da chuva que voltava a cair forte.
Maurício levou os cavalos e Pedro voltou ao fogão de lenha, para mexer a sopa. Nyra olhou por um momento, satisfeita por ver seu dono e a ruiva em segurança, e retornou para perto do calor. Pedro havia colocado um pano limpo, macio, só para ela. A serval se enroscou ali, fez um último ruído de contentamento e fechou os olhos, tranquilamente.
Zacky subiu as escadas e passou pelo corredor com Dolores nos braços, sentindo o corpo dela ainda trêmulo. Empurrou a porta do seu próprio quarto, o único local que considerava seguro o bastante para ela naquele estado.
A chuva batia forte nas janelas, trovões ressoavam ao longe.
— Ei… — sussurrou. — Já passou. Você está comigo agora.
Ela respirava rápido, seus olhos estavam arregalados como se ainda estivesse presa à tempestade lá fora.
— Zacky… eu… eu achei que não ia conseguir voltar…
— Conseguiu. Eu te encontrei. — Ele apoiou a mão na cabeça dela, afastando fios molhados do rosto. — Agora respira. Devagar.
Ela tentou, mas o ar ainda parecia preso na garganta.
— Eu só queria sinal… precisava responder às mensagens… não vi o tempo fechar…
— Eu sei. Mas agora me escuta: quando o céu escurece assim, não pode andar sozinha no campo. Nunca. Aqui é aberto demais, os raios caem perto demais.
Ela engoliu seco.
— Eu fiquei com medo… quando o trovão veio… eu não conseguia me mexer…
— Tá tudo bem agora, coração. — Ele falou baixo.
Com um gesto delicado, a fez sentar numa cadeira e tirou as botas dela, com o máximo de cuidado possível.
— Seu tornozelo dói?
— Sim… mas consigo ficar em pé.
— Não vai ficar. Eu vou te levar para tomar um banho. Você só precisa se esquentar e relaxar.
Ela respirou fundo, derrotada pelo cansaço e pelo medo. Ele a ergueu outra vez para lhe tirar a calça.
— Zacky… você devia estar zangado. Eu dei trabalho.
— Eu ficaria zangado se não tivesse te encontrado — respondeu, indo até o banheiro e abrindo a torneira da água quente. — Assustada, sozinha e sem sinal num temporal desses… isso sim dá trabalho para o meu coração.
Dolores sorriu, surpresa com a ternura inesperada que sentiu na voz dele.
— Calma… Nao precisa ter pressa. Vou te ajudar.
E enquanto o vapor começava a preencher o banheiro, ele tirou o restante de suas roupas e as dele ficando completamente nu à sua frente a deixando delirando. Nunca pensou, que um dia pudesse babar tanto por um homem.
Ele a pegou no colo e a colocou dentro da banheira depois de ver que a temperatura estava perfeita. Foi então que ele reparou melhor, o pé dela fora da bota estava inchando e tinha uma mancha roxa.


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