Capítulo 16
Minutos depois, seu cowboy voltou, agora de moletom cinza e camiseta simples, sem chapéu, sem botas, sem postura de patrão.
Parecia... comum. Quase um homem qualquer, não fosse o fato de ocupar a sala inteira com aquela presença imensa, larga, impossível de ignorar.
Dolores piscou, surpresa. Nunca achou que fosse gostar de um homem tão grande, tão vasto de corpo e de silêncio. Mas ali estava ela, com o coração balançado por um tipo que nem fazia parte dos seus planos.
Ela ergueu o celular, mostrando a tela escura.
- Meu celular está encharcado.
- Coloca no arroz que puxa toda a umidade.
Dolores franziu a testa, como se ele tivesse acabado de ensinar magia.
- Será que funciona?
- Não custa tentar.
Ele abriu um pote de vidro. Pegou o saco de arroz, despejou dentro e colocou o celular no centro.
- Não vou ligar pra ninguém tão cedo - murmurou, resignada.
Ele sorriu.
- Vai sobreviver sem contato externo?
- Acho que consigo sobreviver sem tecnologia.
Ele se sentou outra vez, ao lado dela. A tempestade estava forte, um trovão fez vibrar a janela e Nyra abriu só um olho, preguiçosa.
Zacky olhou para o pé dela outra vez, ajustando a manta para aquecê-la.
- Está confortável?
- Sim. Só um pouco cansada.
- Você teve um dia difícil.
Ela o encarou, e ele havia tirado tudo que o transformava em "cowboy imponente": botas, fivela, chapéu, rigidez. Restava só o homem. Um homem com ombros largos demais para a cadeira, com expressão calma demais para o que sentia.
- Obrigada por tudo... - murmurou.
- Eu faria mais se você deixasse.
A respiração dela falhou.
Zacky encostou o cotovelo na mesa e, por um momento, deixou transparecer o que normalmente escondia: ternura. Uma ternura grande como ele.
- A chuva não vai parar, e eu não quero que você se mova com esse pé. Não vou permitir.
Ela percebeu que não era só cuidado de anfitrião. Era posse, doce e intensa. Era proteção instintiva. E estava amando tudo aquilo.
- O que pretende fazer?
- Vou te levar para dentro e te deitar na minha cama. Você quer?
- Quero - respondeu sem hesitar.
Ele olhou para o relógio preso no pulso largo.
- Faltam poucos minutos para tomar seu remédio novamente. Vamos entrar. Ainda quer comer alguma coisa?
- Não, estou mega satisfeita. Vamos.
Zacky se aproximou, colocando um braço sob os joelhos dela e outro nas costas. Ergueu-a como se não pesasse mais do que um cobertor leve. Dolores segurou o pescoço dele.
Ele a levou pelo corredor de madeira. A tempestade rugia lá fora, mas ali dentro o calor era outro.
Ao chegar ao quarto, empurrou a porta com o ombro.
Zacky a deitou devagar. Ajustou o travesseiro, ergueu a manta e acomodou o pé dela sobre uma almofada macia.
- Assim está melhor.
Ele se afastou um pouco, mas seus olhos ficaram presos nela.
Dolores sorriu, tímida, mas o sorriso saiu como um agradecimento.
- Você cuida de tudo e de todos... até demais.
- Só cuido de quem merece - ele corrigiu, sem arrogância, apenas disse a verdade que vinha do seu coração.
Pegou a pequena caixa de comprimidos e um copo de água, sentou-se ao lado dela. O vento uivou e Nyra parou diante da porta do quarto, como guarda de sentinela. Zacky ergueu a mão, sinalizando para ela ficar.
- Pode entrar.
A serval deitou aos pés da cama sem fazer barulho, como de costume.
Zacky voltou a olhar para Dolores.
- Tome.
Ela engoliu o remédio e devolveu o copo. Os dedos dele roçaram os dela.
Ele se inclinou um pouco:
- Está sentindo dor agora?
- Não.
Zacky sorriu com o canto.
Ele tirou o tênis e, com cuidado, deitou ao lado dela. Tinha apagado a luz, deixando apenas o abajur aceso.
- Vou tirar a faixa.

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