Capítulo 17
Eles andaram pela sala escura, apenas a luz da lua entrava pela janela quebrada. Zacky fez sinal com a mão para Nyra.
— Vai, menina. Fareja.
Ela baixou a cabeça, o corpo ondulando, como um predador treinado. Passou primeiro pelo tapete, onde os cacos ainda brilhavam, e então seguiu para a porta, farejando cada centímetro. O rabo estava erguido e as orelhas rígidas.
Ela parou. Bem no batente, ele abriu a porta e viu que a madeira estava arranhada por fora.
Ele estreitou os olhos.
— Aqui... alguém forçou a entrada.
Nyra soltou um rosnado grave. A serval saiu da casa, sem pressa, para encontrar o invasor. Zacky colocou as botas de borracha que estavam ao lado da porta.
Ela farejou a varanda, depois a lama na entrada. E enfim... desceu as escadas e seguiu em frente, parando diante da cerca que separava a casa dos campos. A respiração dela mudou.
Zacky a alcançou.
— Conseguiu?
Nyra ergueu o olhar para ele e, em seguida, correu pelo gramado, ligeira como uma sombra. Zacky pulou a cerca e a seguiu, as botas afundavam cada vez que pisava na lama.
A serval parou de novo, agora diante do galpão dos tratores. O portão estava entreaberto.
Zacky franziu o cenho.
— Eu tranquei isso antes da chuva...
Nyra rosnou baixo, encostando o focinho na lateral da porta. O cheiro era nítido para ela. Alguém esteve ali, e não fazia muito tempo.
Zacky levantou a arma, abriu a porta devagar.
— Recuar, Nyra. Silêncio.
Ela obedeceu, mas estava pronta para atacar.
Ele acendeu a luz. No canto do galpão, algo brilhou.
Ele se aproximou, devagar, com o dedo no gatilho. Era uma cápsula de bala, recente no chão. Ele fechou a mão ao redor dela.
— Não foi uma tentativa de roubo. — murmurou. — Foi um recado.
Nyra rosnou outra vez.
— Eu sei, menina... Quem quer que tenha entrado... voltou.
Um trovão caiu no céu, a luz apagou e tudo ficou escuro.
Nyra saltou na frente dele no mesmo segundo, com a postura de ataque, protegendo seu dono, os pelos estavam eriçados.
Zacky ergueu a arma:
— Mostre a cara.
Nyra avançava em silêncio. Ela o encontrou perto do trator: um homem encharcado, com uma lanterna pendendo da mão, os olhos arregalados ao vê-los.
— Calma... calma — ele ergueu a outra mão em rendição. — Eu só... me perdi na estrada. A tempestade... pensei que fosse uma fazenda abandonada.
Zacky manteve-se firme.
— Perdeu a estrada e entrou quebrando janela?
— Foi a ventania! — o invasor insistiu, tentando parecer ofendido, mas o suor em sua testa não era de chuva.
Nyra deu dois passos lentos à frente, os músculos tensos, o dorso eriçado.
O homem engoliu seco.
— Eu... só preciso de abrigo. A chuva está ruim. Juro.
Ele deu um passo... rápido demais. Um grande erro.
Zacky ergueu a mão, em alerta.
— Pare aí.
O intruso sorriu e foi aí que sua história caiu em terra. A mão que estava escondida no casaco puxou um revólver, mirando direto no peito de Zacky.
— Ninguém se machuca se ficar quieto. Só preciso de dinheiro e do carro automático lá fora.
Nyra rugiu. O som tomou todo o local. Ela lançou-se contra o invasor, mordendo o braço armado, as presas afundando na carne antes mesmo que ele apertasse o gatilho.
— NYRA! Mantenha-se firme! — Zacky comandou.
A arma caiu no chão. O invasor gritou de dor no braço e fez uma careta de desespero contínuo.
Nyra segurava, sem largar, apenas apertando o suficiente para neutralizar o invasor após o comando do dono.
Zacky aproveitou o momento. Deu um chute no joelho do homem que caiu ajoelhado e um soco no rosto o fazendo cair no chão.
— Pode soltar — Zacky ordenou à serval.
Nyra o soltou, mas ficou à frente, rosnando para o inimigo.
Zacky se abaixou, pegou a arma e a retirou do alcance.
— Vai me explicar direito quem é você... antes que eu chame a polícia.
O invasor tremia, pressionando o ferimento.

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