Capítulo 19
Ele pegou uma xícara de café fumegante e tomou um gole grande antes de perguntar:
- Onde está a Cristina?
- Deve estar na área de serviço - respondeu Pedro, enxugando as mãos no avental.
Zacky deixou a xícara de lado e pegou as chaves do carro. Só de pensar na papelada e nas perguntas da delegacia, o humor já começou a azedar.
- Vou sair, tenho que ir à delegacia. Pede pra ela não entrar no meu quarto. Volto assim que possível.
Pedro ergueu o olhar, entendendo tudo sem precisar de explicações. A hóspede. No quarto dele. Dormindo na cama dele. Com cheiro de cowboy dos pés à cabeça.
Ele segurou o sorriso interno e apenas assentiu como o amigo leal que sempre foi.
- Pode deixar, patrão.
Nyra apareceu logo atrás de Zacky, encarando-o com os olhos dourados.
- Você fica.
A serval sentou ao lado de Pedro, obediente, mas claramente contrariada por não ir junto.
Quando Zacky saiu pela porta, Nyra soltou um rosnado baixo de frustração.
Pedro cruzou os braços e olhou para ela.
- Vamos, majestade. O chefe volta logo. Enquanto isso... nada de roer móveis, combinado?
Nyra respondeu com um ronronar grave, ofendida. Pedro riu e foi preparar o que faltava para o desjejum, sabia que a hóspede acordaria com fome.
***
Cristina terminou de limpar a área gourmet e pegou o carrinho com produtos para entrar na casa, quando Pedro a chamou:
- Comece pelos quartos, mas não entre no do patrão.
Ela parou, virou-se e arqueou a sobrancelha.
- Ah, é? E posso saber por quê?
- Você sabe o que tem que saber. O restante não te interessa.
Cristina cruzou os braços, estreitou os olhos.
- Você sabe de alguma coisa, não é? Aquela mulherzinha disfarçada de donzela tá na cama dele, né? Eu não me conformo. Sou mais jovem e mais bonita que ela.
Pedro respirou fundo. Ele até tentou ser educado, mas a língua foi mais rápida e liberou sua acidez.
- Com esse coração podre, você pode ser a mais bela de todas que o patrão não vai te querer.
Cristina ficou indignada, o rosto ficando vermelho de raiva. Saiu bufando, empurrando o carrinho com força. Pedro ainda gritou atrás dela:
- Não entra no quarto!
Ela ignorou completamente. Entrou na casa bufando. O silêncio da casa aumentava sua curiosidade.
- Aposto que ela está lá, se achando a última bolacha do pacote... - murmurou, venenosa.
Nyra, havia entrado na casa. Estava perto de Cristina quando sentiu algo diferente em seu tom de voz. Ergueu as orelhas.
Ela a seguiu pelo corredor sem que Cristina percebesse.
A empregada parou diante da porta do quarto de Zacky. Era tão teimosa que não se importou com nada e colocou a mão na maçaneta.
Mas antes que pudesse dar um único passo... Escutou um rosnado bem atrás dela. Ela congelou e virou devagar. Nyra estava ali, parecia perigosa.
- A-ai, credo... - Cristina recuou um passo.
Nyra deu um passo à frente. Cristina sentiu um arrepio na espinha.
- Eu só... eu só ia dar uma olhada...
Nyra rosnou outra vez, mais alto.
- Tá bom! Tá bom! Eu já tô indo!
Ela saiu quase tropeçando nas próprias pernas.

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