Capítulo 27
André terminou o sanduíche, olhou para os lados e disse:
— E aí? Ele cedeu para vender a fazenda ou pelo menos uma parte?
— Não toquei mais no assunto.
— Como assim? Fala sério! Você disse que ia fazer qualquer coisa pra convencer ele. E você fez! E ainda não tem uma resposta? Não acredito.
Eles não tinham reparado que alguém estava escutando.
— Qualquer coisa? — disse Zacky, sentindo-se apunhalado. — Então era tudo encenação. Nada foi verdadeiro. — Ele suspirou, pesaroso.
Dolores sentiu o estômago contrair. Como iria explicar para ele que não foi isso, o que quis dizer a André? Não daquela forma.
— Zacky… — ela tentou falar.
— É melhor vocês irem embora. Vou trabalhar, e quando eu voltar, não quero vê-los aqui — disse ele, colocando o chapéu antes de sair.
Dolores permaneceu imóvel por alguns segundos, encarando o espaço vazio por onde Zacky havia saído. O som dos passos dele ficando cada vez mais distante. O peito apertou, e foi preciso apoiar a mão na bancada para não perder o equilíbrio.
André foi o primeiro a se mover.
— Ei… Dolores… — a voz dele saiu baixa. — Calma. Ele entendeu tudo errado.
Ela soltou uma risada sem humor, os olhos estavam marejados.
— Errado? — murmurou. — Não, André. Ele entendeu exatamente o que você disse. E do jeito que soou… eu também teria entendido assim.
André passou a mão pelos cabelos, claramente arrependido.
— Eu fui infeliz nas palavras, tá? Mas você sabe como eu falo. Eu não quis dizer que você usou ele. Eu só… — ele gesticulou, procurando o tom certo. — Você veio pra cá com um objetivo profissional. Isso não apaga o que aconteceu entre vocês.
Dolores sentiu o nó na garganta crescer. Virou o rosto, respirando fundo para não chorar ali, na frente dele.
— Para, André — pediu, com a voz trêmula. — Por favor, para.
Ele se calou por um segundo, mas não conseguiu conter-se.
— Eu só estou tentando consertar. Você está sofrendo por causa de um mal-entendido. Dá pra ir atrás dele, explicar…
— Não! — ela o interrompeu. — Você não entende. Não é só o que foi dito. É o que ele sentiu. E isso… isso eu não consigo apagar com palavras.
O silêncio ficou pesado entre eles por um momento.
Dolores levou a mão ao peito. Tudo o que viveu naqueles dias, agora seriam lembranças.
— Eu estraguei tudo — sussurrou, mais para si mesma do que para André.
Ele deu um passo à frente.
— Eu sinto muito, chefa. De verdade.
Ela fechou os olhos por um instante, respirou fundo e se recompôs como pôde.
— Vamos embora — disse por fim, sem encará-lo. — Antes que doa ainda mais ficar.
André foi até o carro. Dolores ficou ali, sozinha, tentando aceitar que o último dia deles havia acabado da pior forma possível.
Ela não conseguia simplesmente ir embora. Arrumou as coisas, colocou tudo no carro e pediu para André esperar ali. Em seguida, foi até o estábulo.
E lá estava ele, sem camisa, carregando feno. Por mais tensa que estivesse, seu corpo respondeu à visão. Passou a língua pelos lábios, sedenta pelo cowboy.
— Zacky…
Ele parou o que estava fazendo e olhou para ela. Também sentiu de imediato a atração inegável, mas desviou o olhar para não ceder. Estava magoado. Sentia-se usado.
— O que você quer? — disse, pegando outro monte de feno e jogando-o no fundo do estábulo.

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