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O Temido Cowboy: Que salvou minha vida romance Capítulo 29

Capítulo 29

Dolores chegou ao prédio, estacionou na vaga de sempre e desligou o carro. Por alguns segundos, ficou ali sentada, com as mãos apoiadas no volante, sentindo o silêncio pesar mais do que o barulho da cidade lá fora. Por fim, respirou fundo, desceu, pegou a mala no porta-malas e foi até o elevador.

No elevador, apoiou a cabeça no espelho frio e fechou os olhos. Tentou não pensar. Tentou não ver o rosto de Zacky em suas lembranças, nem sentir o cheiro dele, nem lembrar da montanha, do vento, do jeito como ele a olhava como se o mundo pudesse acabar ali. Mas a mente não obedecia. Nunca obedeceu.

A porta do elevador abriu. Ela caminhou pelo corredor, abriu o apartamento e entrou. Deixou a mala largada na entrada, sem forças para levá-la até o quarto.

Foi direto até a enorme janela de vidro da sala.

A cidade brilhava lá embaixo. Prédios iluminados, sacadas decoradas, árvores piscando em tons dourados, vermelhos e azuis. Luzes de Natal por todos os lados. Risadas ao longe. Vidas seguindo seu curso normal.

Menos ali. Menos com ela.

O apartamento de Dolores estava escuro e sem vida. Nenhuma luz piscando. Nenhuma guirlanda. Nenhum sinal de celebração. Era como se aquele espaço refletisse exatamente o que ela sentia por dentro. Nada.

Ela cruzou os braços, apoiou a testa no vidro e soltou um suspiro longo e pesado.

- Eu devia estar feliz... - murmurou para o reflexo cansado no vidro. - Tenho tudo. Menos o que importa.

Os olhos arderam, mas ela não chorou. Ainda não. Ficou ali, observando as luzes alheias, sentindo-se estranhamente deslocada, como se tivesse voltado para um lugar que não lhe pertencia mais.

Naquele momento, a fazenda parecia mais viva do que toda aquela cidade iluminada. E isso doía mais do que ela gostaria de admitir.

- Amanhã será domingo. Vou decorar a casa para o Natal... - murmurou, tentando se convencer. - Preciso de um bichinho de estimação...

Com esse pensamento, afastou-se da janela e seguiu para o banheiro.

O banho foi rápido, mas não levou o peso no peito. Zacky ainda estava ali, em cada lembrança que insistia em voltar. Ela desligou o chuveiro, vestiu uma camisola de tecido leve e fresco e foi para o quarto.

Deitou-se, mas o calor era sufocante. Mesmo com a janela aberta, o ar parecia parado, pesado, completamente diferente das noites na fazenda, que eram frias ou ao menos agradavelmente frescas. Lá, o vento entrava suave, trazendo cheiro de terra e liberdade. Ali, só havia concreto e abafamento.

Irritada, Dolores se levantou outra vez, fechou a janela e ligou o ar-condicionado.

Voltou para a cama e se deitou encarando o teto.

O frio artificial começou a tomar conta do ambiente, mas não do coração.

Ela fechou os olhos, tentando dormir, enquanto a sensação era de que tinha deixado algo essencial para trás.

Na manhã seguinte, Dolores acordou um pouco mais tarde do que de costume. O sol invadia o quarto quando ela abriu os olhos, ainda estava com o corpo pesado, mas a mente decidida a não passar o dia inteiro presa às lembranças. Levantou-se, se vestiu com algo confortável e saiu.

No shopping, escolheu enfeites de Natal com calma: luzes quentes, algumas bolas douradas, fitas delicadas. Aproveitou para ir ao cinema e assistiu a uma comédia leve, que arrancam risadas quase sem querer. Por algumas horas, conseguiu esquecer. Almoçou sem pressa, fez as compras do mercado e, no fim da tarde, voltou para casa carregando sacolas e um cansaço estranho, mais emocional do que físico.

Capítulo 29 1

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