Capítulo 40
Enquanto isso, Victor caminhava até onde sua amiga vendedora organizava a vitrine. Parou diante do vidro, cruzou os braços e ficou alguns segundos em silêncio, perdido em pensamentos sobre o cowboy.
— Não pode ser algo muito ousado… — murmurou, inclinando a cabeça. — Sim, sim… o conceito está vindo…
De repente, seus olhos brilharam.
— A cena será numa noite de lua cheia… Um apartamento elegante… intimista. Eles estarão de pijama… — disse, puxando do cabide o conjunto mais sensual que havia separado para Dolores. — Perfeito.
Ele franziu os lábios, pensativo.
— E ele…? — olhou para o vazio, como se Zacky estivesse ali. — Só uma calça. Nada mais.
Victor suspirou, levando a mão ao peito.
— Ah… esse homem sem camisa deve ser uma visão dos céus. Um verdadeiro presente divino para a moda contemporânea.
A vendedora apenas sorriu.
***
Enquanto isso, Dolores saiu da sala por alguns minutos, deixando Zacky sozinho. Ele aproveitou o momento para mexer no próprio celular, quebrando a cabeça enquanto tentava falar com o capataz.
Do outro lado da boutique, Victor conversava animadamente com uma das vendedoras, gesticulando enquanto descrevia cenas que só existiam em sua mente criativa.
Victor, então, viu Dolores atravessando a loja.
Arregalou os olhos, ansioso.
Abandonou a conversa no meio da frase e quase correu até ela.
— E então? — perguntou em voz baixa, ansioso, inclinando-se na direção dela. — Ele aceitou?
Dolores respirou fundo antes de responder e fez um gesto com a mão, pedindo calma.
— Ainda não — respondeu num sussurro. — Eu nem terminei de explicar.
Victor levou a mão ao peito, ofendido.
— Dolores, querida deusa da moda… você não pode simplesmente jogar a bomba e sair correndo.
— Eu não joguei bomba nenhuma — rebateu. — Eu disse que era uma proposta, expliquei que não era nada vulgar e que você queria algo elegante.
— E…? — ele insistiu, roendo a unha postiça.
— E ele ficou em silêncio — completou ela. — Com aquela cara dele de quem está calculando se aquilo é uma armadilha. Depois , disse que ia pensar.
Victor fechou os olhos por um segundo.
— Claro… macho alfa reage assim mesmo. Primeiro desconfia. Depois… — abriu os olhos, sorrindo — depois ele aceita.
Dolores cruzou os braços após Victor contar sua ideia.
— Victor, se você aparecer do nada falando de pijama, lua cheia e sensualidade, ele foge.
— Eu não sou louco — respondeu, ofendido. — Sou apenas intenso.
Dolores respirou fundo antes de continuar, prevendo o drama da situação.
— Victor… a boutique é feminina. Se o Zacky aceitar vestir uma calça de pijama da coleção, vai ficar estranho pra ele. Muito estranho.
Victor congelou, sua mente perfeita não pensou por esse lado. Surgiu a ruga profunda bem no meio da testa.
— Estranho…? — repetiu, em câmera lenta. — Querida… nada fica estranho num homem daquele tamanho.
— Victor — ela falou com toda paciência. — Ele nunca usou pijama na vida. Dorme de bermuda, às vezes de jeans. Colocar ele numa calça de cetim com elástico vai fazê-lo se sentir… fantasiado.
Victor levou a mão ao peito, dramaticamente.
— Meu coração fashion acabou de sofrer um pequeno infarto.
— Eu estou falando sério.
— Eu também! — ele rebateu. — Estou tentando imaginar aquele corpo desperdiçado com roupa demais!
Dolores coçou a cabeça antes de cruzar os braços bufando.
— A ideia é ele aceitar participar, não sair correndo da boutique achando que estamos tentando transformá-lo em modelo de vitrine.
Victor começou a andar de um lado para o outro, murmurando sozinho:
— Tá… tá… pensamento estratégico… menos tecido… mais impacto… — parou de repente. — Espera.
Ele ergueu o dedo.
— E se… — fez suspense — ele usar só uma calça simples, neutra, sem marca aparente? Pode até ser um jeans.
— Exatamente o que eu pensei — disse Dolores.
Victor a encarou por dois segundos. Depois sorriu devagar de forma felina.
— E sem camisa, claro.

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