Capítulo 49
- Zacky, eu já tinha dito antes que o que aconteceu não foi proposital. Foi apenas uma infeliz coincidência o que André disse naquele dia...
- Não é isso - disse ele, suspirando. - Aquilo ficou no passado.
- Jura?
- Sim.
- Quero que saiba que, depois do que aconteceu entre nós, eu não penso mais em reaver as terras do meu avô. O que vivemos foi especial demais para eu estragar tudo por causa disso.
Zacky a observou em silêncio por alguns segundos. Ele se aproximou devagar, como se tivesse medo de quebrar aquele instante.
- Você não faz ideia do quanto isso significa pra mim - disse, com sinceridade. - Achei que aquele assunto ainda estivesse entre nós... como uma sombra.
Dolores deu um passo à frente, diminuindo a distância.
- Não está - respondeu. - Porque o que eu sinto agora é maior do que qualquer terra, qualquer herança.
Zacky colocou a mão no rosto dela.
- Eu tentei lutar contra isso - confessou. - Mas cada vez que você vai embora, a fazenda fica vazia demais.
Ela sorriu, emocionada, e colocou a mão sobre o peito dele, sentindo o coração bater forte.
- Então não lute mais.
Os lábios se encontraram num beijo profundo.
Quando se afastaram, Zacky apoiou a testa na dela.
- Fica - pediu, quase num sussurro. - Fica comigo.
Dolores não respondeu, ela sorriu, e naquele sorriso ele encontrou a resposta que tanto queria.
Zacky a levou até o quarto em silêncio. Assim que chegaram, ele parou diante da porta e se virou para ela.
- Vai querer dormir comigo?
Ela aproximou-se, segurou o rosto dele com as duas mãos e respondeu num tom baixo:
- Todas as noites.
O olhar de Zacky suavizou imediatamente. Ele inclinou a cabeça até encostar a testa na dela.
- Então entra - disse, abrindo a porta. - Esse sempre foi o seu lugar.
Zacky fechou a porta atrás deles e a envolveu num abraço forte e protetor. Ela se acomodou contra o peito dele, ouvindo o coração do cowboy.
***
Enquanto isso, a moça grávida que havia feito o pedido no lago de carpas saía de casa levando apenas o pouco que conseguira reunir às pressas.
- Some logo daqui - disse o ex, alto o suficiente para que ela escutasse. - Você não presta nem pra sexo. Só perdi meu tempo.
Ela não respondeu. Apenas apertou o passo, engolindo o choro, determinada a sair dali o mais rápido possível e nunca mais olhar para trás.
Cada passo parecia mais pesado que o anterior, não apenas pelo corpo cansado, mas pelo peso das palavras que ainda ecoavam na cabeça.
"Você não presta nem pra sexo."
Colocou a mão na barriga, num gesto de proteção. Ela não podia desistir. Não agora.
"Por você, eu vou aguentar", pensou com tristeza.
Não tinha carro, não tinha dinheiro suficiente, não tinha para onde ir. Só uma bolsa velha e alguns documentos.
- Eu vou encontrar um lugar seguro pra nós - murmurou.
Sem perceber, pegou a estrada que levava para fora da cidade, a mesma que seguia em direção às fazendas.
- Vou lutar por nós, meu amor - murmurou, passando a mão pela barriga.
Ela caminhou por horas até alcançar a cidade mais próxima. Exausta, sentou-se em um banco à sombra de uma árvore na praça principal. O estômago roncou alto. Abriu a bolsa e puxou a carteira para conferir quanto dinheiro ainda tinha.
Foi então que a realidade a atingiu como um golpe.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Temido Cowboy: Que salvou minha vida