Capítulo 50
Minutos depois, Andréia acabou aceitando o emprego, mesmo contra a própria vontade. Não porque quisesse, mas porque teria comida e um teto sobre a cabeça. Era isso ou a rua.
Ainda assim, desde o primeiro instante, ela traçou um plano silencioso: sairia dali o mais rápido possível. Não queria aquela vida. Guardaria cada centavo que conseguisse, alugaria uma casa simples e sobreviveria por alguns meses até encontrar um trabalho digno, algo que não se parecesse em nada com aquilo que foi obrigada a aceitar.
Saiu do escritório com a cabeça baixa e seguiu a moça pelo corredor.
- Aqui está, queridinha - disse ela, abrindo a porta. - Comece a limpeza. Hoje à noite você já começa a atender. Vou deixar vários lençóis pra você e vai trocando conforme for recebendo cliente.
As palavras pareciam vários socos em seu estômago.
Andréia segurou o choro, engoliu seco e apenas concordou com a cabeça. Não contou que estava grávida. Se tivesse contado, talvez nem estivesse ali agora.
Quando a porta fechou e ela ficou sozinha, soltou o ar dos pulmões num suspiro trêmulo. Colocou a mão pela barriga.
- É só por um tempo... - murmurou, tentando se convencer. - Só até eu conseguir sair daqui.
Começou a arrumar o quarto em silêncio, dobrando roupas e ajeitou a cama.
Ela podia ter sido empurrada até ali.
Mas não permitiria que aquele lugar definisse quem ela era.
Nem o futuro do filho que carregava.
***
Enquanto isso, na fazenda, após o banho, Dolores desceu e seguiu até a área gourmet. Pedro a viu e sorriu. O olhar dele desceu automaticamente até a barriga dela.
- É do patrão, não é? - perguntou, com alegria.
Dolores sorriu, orgulhosa.
- É sim. É um menino. Vai se chamar Thomas.
Pedro abriu ainda mais o sorriso, emocionado.
- Nome bonito. Forte - comentou. - O patrão deve estar todo bobo.
Dolores passou a mão na barriga, sentindo uma paz que não sentia havia muito tempo.
Dolores cumprimentou Maurício e os outros peões e foi até o fogão a lenha, ficando ali, conversando com Pedro enquanto ajudava no que podia.
Enquanto isso, Maurício voltou a comer, e Billy se aproximou.
- Vamos sair?
Maurício ergueu o olhar, desconfiado.
- Sair? Não estou a fim - respondeu.
- A gente bebe um pouco e volta pra casa - insistiu Tião, tentando convencer o capataz.
Billy completou, em tom de brincadeira:
- Fica tranquilo, a gente não vai contar pra veterinária que você saiu.
Maurício balançou a cabeça, resignado.
- Tá bom.
- Vamos! - disse Billy, empolgado.
- Beleza. Depois do jantar você se arruma e a gente sai - concluiu Tião.
Maurício suspirou.
Ao se encontrarem após o jantar, Tião e Billy se entreolharam e, quase ao mesmo tempo, apontaram para o carro de Maurício estacionado ali perto.
- A gente podia ir no seu carro - sugeriu Billy, tentando soar casual.
Maurício ergueu uma sobrancelha, imediatamente desconfiado.
- Agora entendi por que me chamaram pra sair. Vocês estão sem carro.
Os dois riram, meio sem graça.
- Por que não vão de moto? - continuou ele.
Billy abriu a boca para responder:
- Porque a gente vai beber um pouco e, se cair, a gente se arrebenta... e não tem mais ninguém por essas bandas que vá no... - parou de falar ao levar uma cotovelada discreta de Tião.
Maurício estreitou o olhar ao vê-los sorrirem nervosos.
- Onde vamos? - perguntou, desconfiado.
- No bar - respondeu Tião rápido demais.
Maurício suspirou, passando a mão pelo rosto, e balançou a cabeça em rendição.
- Está bem. Vamos no meu carro.
Tião e Billy começaram a cantar no caminho, batendo palmas e rindo alto, enquanto Maurício seguia em silêncio, atento à estrada.

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