Capítulo 51
No pé da escada, Molly a aguardava para dar algumas instruções antes de entrarem no bar.
— Ergue esse queixo, garota. Entra com postura de mulher fatal. Assim você parece uma virgem — disse, avaliando-a com um olhar crítico. — Escuta… você é mesmo maior de idade? Não parece.
— Sou, sim. Meu documento não é falso. Fiz dezoito hoje.
— Certo — respondeu Molly, mastigando o chiclete por alguns segundos. — Acho que vou te apresentar como inexperiente. Os homens enlouquecem com isso — riu. — Vem comigo. Vamos fazer dinheiro.
***
Enquanto isso, Billy tentava convencer Maurício a ficar com uma das mulheres do lugar.
— Não, tô fora — respondeu ele, olhando ao redor. — Nenhuma me interessa.
— Cara, você é homem — insistiu Billy, em tom baixo. — Escolhe qualquer uma. Uma hora o corpo reage, você nem percebe. Vai ficar de pau duro rapidinho.
Maurício estreitou os olhos, cada vez mais certo de que aquela noite estava tomando um rumo que ele nunca teria escolhido por conta própria.
— Tá bom. Deixa que eu escolho a moça — disse Billy, decidido. — Vai sair um pouco salgado, mas eu pago uma noite inteira pra você. Duas mulheres não dá… não tenho tanto dinheiro.
***
Na porta do bar, Andréia arregalou os olhos. Haviam homens de todos os tipos: jovens, maduros, alguns já bem idosos. O ambiente a fez engolir seco.
Molly se inclinou e falou baixo, prática demais:
— Alguns gostam de ir além do básico. Eles gostam de anal. Você vai ter que ceder se quiser agradar.
— Eu… não — respondeu Andréia, gaguejando, o pânico começando a subir.
Molly suspirou, impaciente, e a puxou levemente pelo braço.
— Vai aprender rápido. É assim que funciona aqui.
Andréia respirou fundo, sentindo as pernas fraquejarem, mas deu o primeiro passo para dentro do salão, porque, naquele momento, recuar não parecia uma opção.
Billy viu Andréia entrar e sorriu satisfeito. Maurício percebeu a reação dele e se virou no mesmo instante. Parou no lugar ao ver as mulheres atravessando o salão. Seus olhos, atentos demais, acabaram se fixando na mais jovem. Um arrepio percorreu-lhe a espinha sem que soubesse explicar o motivo.
Billy riu ao notar a expressão do chefe e se levantou, indo em direção a elas.
— Olá — disse, com confiança. — Essa mocinha está disponível? — perguntou, referindo-se a Andréia.
— Está, sim — respondeu Molly, empurrando-a suavemente na direção dele.
Andréia quase perdeu o equilíbrio, mas se recompôs com o coração disparado.
— Vem, princesa — disse Billy, segurando-a pelo braço. — Vou te apresentar a um amigo meu. Ele é bonitão… você vai gostar dele.
Andréia ergueu o olhar na direção de Maurício. Quando os olhos deles se encontraram, algo pareceu sair do eixo. Ele franziu a testa, tomado por uma sensação estranha.
Billy pediu que a jovem se sentasse e dissesse o nome. Andréia sentou sem conseguir tirar os olhos de Maurício. Ele estava sério demais, diferente de todos os outros homens ali. Aquela postura a intimidava… e, ao mesmo tempo, a atraía. Engoliu seco.
— Meu nome é Andréia. Sou nova aqui.
— Eu percebi — disse Billy, sorrindo. — Estive aqui ontem e não te vi.
— Comecei hoje.
— Bom… — ele se virou para Maurício. — Vou deixar você com o meu amigo. Vou pagar pra você ficar a noite toda com ele.
Andréia engoliu seco mais uma vez. O coração acelerou, mas tentou encontrar um lado menos assustador naquela situação. Se pensar bem, seria apenas um homem a noite inteira, e não vários. E aquele… aquele parecia diferente dos outros. Calmo. Contido. Não tinha o olhar faminto que viu nos demais.
Ela percebeu que gostou dele assim que o viu. Talvez não fosse tão difícil. Talvez até fosse suportável.
Maurício, que observava tudo em silêncio, falou enfim:

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