Capítulo 59
Enquanto isso, Andréia observava atentamente o jeito de Pedro cozinhar. Assim que o café da manhã terminou, ele já começava a preparar o almoço. Seus movimentos eram rápidos e cheios de truques que ela nunca tinha visto, o que a deixou completamente maravilhada.
- Eu posso... - começou, meio envergonhada, apertando os dedos uns contra os outros.
Pedro ergueu os olhos e sorriu.
- Claro que pode me ajudar. Espero que o Maurício não se importe.
Antes que ela respondesse, a voz firme de Maurício veio da porta:
- Não me importo. Ela pode fazer o que quiser.
Andréia sentiu o rosto esquentar com o tom protetor dele e retribuiu com um sorriso tímido.
Maurício deixou Dolores com Andréia e saiu em seguida. Assim que ficou sozinha, Dolores pegou o celular que estava sobre a mesa e viu uma mensagem de André.
André:
- Chefa, tô quase tendo um infarto em plena segunda-feira.
Dolores arqueou uma sobrancelha, divertida, e digitou a resposta.
Dolores:
- Vou contratar alguém pra ficar no seu lugar.
A resposta foi rápida.
André:
- Ah, obrigado. Só não manda um bonitão, senão eu não vou conseguir trabalhar.
Dolores riu baixo, balançando a cabeça. Mesmo longe da empresa, certas coisas definitivamente não mudavam.
Ela saiu um pouco e foi andando pelo local. Estava feliz por finalmente ter wi-fi na fazenda; agora podia circular livremente e continuar trabalhando sem interrupções. Ligou para uma empresa e contratou uma assistente pessoal, pedindo que se apresentasse na boutique no dia seguinte.
Falou tanto durante a ligação que nem percebeu o quanto havia se afastado da casa. Só se deu conta quando sentiu um focinho gelado encostar de leve em sua perna.
- Nyra... você sumiu, danadinha - disse com um sorriso, abaixando-se para acariciá-la.
A serval ronronou, satisfeita com o carinho.
— Sabe onde o Zacky está? Pode me levar até ele?
A serval ergueu as orelhas assim que reconheceu o nome do dono e, como se tivesse entendido perfeitamente, seguiu à frente, guiando Dolores pela fazenda. Pouco depois, elas chegaram a um pomar de laranjas, onde Zacky conversava com Maurício em meio à colheita.
— Precisamos levar o Pérola Negra para o estábulo — disse Zacky, e Maurício concordou com um aceno de cabeça.
Eles então avistaram Dolores se aproximando. Maurício se afastou para atender ao pedido do patrão, enquanto Zacky foi ao encontro dela e a envolveu em um abraço.
Com exceção de Tião e Billy, os outros funcionários, que ainda não conheciam Dolores, observavam a cena com curiosidade discreta, tentando entender quem era a mulher que chegou acompanhada de uma serval e recebida com tanta intimidade pelo patrão.
— Billy? Quem é a mulher grávida? — cochichou uma das funcionárias, esticando o pescoço para olhar melhor.
— É a namorada do patrão — respondeu ele, com um sorrisinho cúmplice.
— Namorada? Grávida? Como assim? A gente nem viu isso acontecer!
Billy riu baixo.
— Ah, isso é coisa antiga… Eles se gostavam já faz tempo. Aí vieram aquelas chuvas fortes, ficaram afastados, cada um no seu canto. Na época o patrão ficou acabado.
— E agora?
— Agora Deus tratou de juntar tudo de novo — falou, divertido. — Quando descobriram a gravidez, foi só amor, reconciliação e promessa de família. Coisa bonita de ver.
As mulheres trocaram olhares animados, suspirando.
— Sabia… Um homem daquele não fica sozinho muito tempo.
— Nem mulher grávida daquele jeito fica sem proteção — completou Billy, piscando.
***
Uma das funcionárias saiu do galpão carregando os latões de leite recém-ordenhado e os colocou na carroceria de um dos carros da fazenda. Ao passar pela área gourmet, avistou Pedro atarefado, cercado de panelas para o almoço, pois teriam muitas bocas para comer nesse dia de colheita.

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