Capítulo 60
O sol estava começava a se pôr quando o ritmo da fazenda diminuiu. O ar ficou mais fresco, indício de uma possível chuva a caminho. Andréia ajudou Pedro a organizar o que seria servido no jantar. Entre uma panela e outra, ria baixo das histórias dele.
Do lado de fora, Maurício observava à distância. Não dizia nada, mas sentia que tudo tinha se encaixado. Vê-la ali, andando com naturalidade entre os espaços da fazenda, conversando com Pedro e aprendendo as rotinas, reforçava a certeza que havia tomado na noite anterior.
Dolores apareceu ao seu lado.
— Ela se adaptou rápido — comentou.
— Mais do que eu esperava — respondeu ele, sincero.
Dolores sorriu satisfeita.
— Às vezes, tudo o que uma pessoa precisa é alguém que estenda a mão no momento certo.
Maurício assentiu. Seus olhos voltaram para Andréia quando ela apareceu na porta, enxugando as mãos no pano de prato. Ao vê-lo, abriu um sorriso tímido.
Ele caminhou até ela.
— Cansada?
— Um pouco… mas é um cansaço bom — respondeu. — Eu nunca fiz tantas coisas diferentes em um dia só.
— Não precisa se forçar — disse baixo. — Aqui ninguém exige nada de você.
— Eu sei. Mas quero ajudar. Quero merecer estar aqui.
Maurício franziu levemente a testa e tocou o queixo dela, erguendo seu rosto com cuidado.
— Você não precisa merecer nada. Já está aqui porque eu quis.
Ela engoliu seco, emocionada demais para responder. Ele baixou a cabeça e deu beijo leve nos lábios dela com carinho. Pedro sorriu ao ver da janela.
***
Mais tarde, quando a noite caiu de vez e as luzes foram acesas, Maurício a levou de volta para casa.
— Vai demorar para se acostumar com tudo isso — disse ele, abrindo a porta.
— Eu sei… — respondeu, olhando ao redor mais uma vez. — Mas, se você tiver paciência comigo, acho que consigo.
Ele sorriu, tranquilo.
— Tempo é a única coisa que a gente tem de sobra por aqui.
***
— Zacky? — chamou Dolores de frente para a janela, observando as nuvens mais escuras cobrirem a lua crescente.
Nyra dormia profundamente no tapete, subindo e descendo o peito num ritmo tranquilo.
— Pode falar — respondeu ele, saindo do banheiro apenas com uma toalha presa à cintura e o cabelo pingando.
Ela se virou devagar.
— A veterinária… — hesitou por um instante. — Ela tem ou já teve algo com o Maurício? Alguma coisa que possa atrapalhar ou até destruir o que ele está construindo com a Andréia?
Zacky tirou a toalha e passou pelos cabelos, pensativo, antes de responder:
— Não. Nunca tiveram nada. Nem beijo, nem caso mal resolvido, nem história mal contada.
— Tem certeza?
— Absoluta. — Ele jogou a toalha sobre a cadeira e se aproximou dela. — Liliane até pode ter nutrido um interesse silencioso, mas Maurício nunca correspondeu. Sempre foi reservado demais para se envolver com alguém da fazenda, ainda mais alguém tão próxima do trabalho.

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