Capítulo 61
Quatro meses depois…
Do alto da montanha, Zacky observava suas terras se estenderem até onde a vista alcançava. O movimento da colheita tomava conta do vinhedo; homens e mulheres trabalhavam entre as fileiras, enchendo cestos com uvas maduras. Ele estendeu a mão, colheu um cacho de uvas roxas e provou uma. Estava doce, no ponto certo. Separou o cacho para levar a Dolores.
— Maurício.
— Senhor?
— Vou para casa. Cuide de tudo por aqui.
— Pode deixar.
Zacky seguiu até a caminhonete e colocou as uvas no banco do passageiro. Minutos depois, passou pelo estábulo. Entrou e encontrou Pérola Negra sendo examinado pela veterinária.
— Está tudo bem com ele? — perguntou.
— Sim, senhor. Exalando saúde — respondeu ela, profissional.
— Ótimo. Vou usá-lo como reprodutor.
Ela o olhou e sorriu.
— Ele terá lindos filhotes.
Depois , olhou para o animal e passou a mão pelo pescoço de Pérola Negra, sentindo a musculatura forte sob a pelagem brilhante.
— Ele se recuperou muito bem — completou, profissional, com um leve orgulho na voz. — O veneno não deixou nenhuma sequela. É um dos melhores cavalos que já tratei por aqui.
Zacky assentiu satisfeito. Aproximou-se um pouco mais do boxe, observando o animal relinchar baixo, tranquilo.
— Bom saber. Esse cavalo é parte da história dessa fazenda — disse, com um meio sorriso. — Merece uma longa vida.
— E vai ter — respondeu ela, fechando a maleta. — Se precisar de mim novamente, é só chamar.
— Obrigado, doutora.
Ela fez um breve aceno com a cabeça e se afastou. Zacky ainda ficou alguns segundos ali, observando o cavalo, fazendo carinho nele, antes de seguir para a casa.
No caminho, a imagem de Dolores veio imediata à mente. O sorriso dela, a calma que trouxe para a casa e para a fazenda inteira. Olhou para o cacho de uvas.
— Ela vai gostar… — murmurou para si mesmo.
Zacky entrou na casa e encontrou dona Noêmia fazendo a limpeza. Cristina havia viajado para o Nordeste para cuidar de um parente acamado, por isso a tia ia direto trabalhar.
— Bom dia, dona Noêmia.
— Bom dia, patrão.
— Viu a Dolores?
— Está no quarto do bebê, cuidando da decoração. Afinal, falta pouco pra nascer.
— É verdade… Vou vê-la.
Ele subiu as escadas e entrou no quarto do filho. Encontrou Dolores parada diante da janela, com uma das mãos apoiada na barriga arredondada, com o olhar perdido além do vidro.
— Está pensativa, meu amor? Com medo do parto?
Ela demorou um segundo a responder.
— Não… bom, na verdade dá um pouco de medo, sim.
Zacky se aproximou e a envolveu em um abraço.
— Vai dar tudo certo. Vou estar com vocês dois o tempo todo. Nunca vou soltar a mão de vocês.
— Deus te ouça — disse ela, retribuindo o abraço com carinho.
Zacky franziu levemente a testa. Ela disse que não, mas ele sentia a apreensão escondida na voz, no jeito contido. Apertou o abraço, como se pudesse protegê-la de qualquer coisa.

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