Capítulo 62
Eles voltaram para a fazenda, mas no meio do caminho um carro apareceu em alta velocidade, ultrapassou o caminhão ficando na frente deles. O teto solar foi aberto, e um homem gritou:
- PARA O CAMINHÃO! A GENTE SÓ QUER A MERCADORIA!
Dolores continuou dirigindo, horrorizada.
- O que eu faço, Zacky?
- Continua dirigindo - respondeu ele com calma, com os olhos atentos a cada movimento do homem.
Ela engoliu seco. As mãos tremiam, mas se forçou a apertar o volante com mais força. Foi então que surgiram mais dois carros, um de cada lado do caminhão, fechando o cerco. Logo atrás, uma Ranger apareceu, colada na traseira.
Dolores sentiu o estômago revirar.
- Zacky... - sussurrou, à beira do pânico.
Ele olhou rapidamente pelos retrovisores e reconheceu o perigo. No carro à direita estava o mesmo homem da praça: roupas de couro preto, olhar frio, um sorriso torto no rosto enquanto fumava calmamente.
- Não desacelera - disse ele em tom baixo. - Eles querem que você entre em pânico. Confie em mim e segue em frente.
O motor fez um barulho mais alto quando Dolores, tomada pelo medo e pela adrenalina, manteve o pé no acelerador.
O coração dela martelava em desespero no peito quando Zacky puxou o cinto com força e abriu o porta-luvas.
- Não olha pra eles. Olha pra estrada. Confie em mim - disse com uma calma que ela nunca viu nele.
O carro da frente reduziu de repente, tentando fazê-la frear. À esquerda, o veículo emparelhou; à direita, o homem de couro preto sorria como um predador certo da presa.
- Zacky, eles vão bater! - ela gritou, sentindo as lágrimas queimarem os olhos.
- Agora, Dolores! Acelera!
Ela assim o fez. Pisou com tanta força que o motor parecia que ia explodir, e foi nesse instante que Zacky abaixou e ergueu a arma e mirou através da janela onde Dolores estava.
- Filho da puta... - murmurou.
O primeiro tiro ecoou no ar, ensurdecedor dentro da cabine. A bala atingiu o pneu dianteiro do carro à esquerda. Houve um estouro violento no pneu, o veículo perdeu o controle, rodopiou uma vez e saiu da pista, despencando pela ribanceira em meio a gritos dos ocupantes do carro.
- Meu Deus! - Dolores soluçou mantendo o volante firme.
Antes que pudesse processar, algo bateu com força na lateral do caminhão.
- Zacky! - ela gritou.
Um dos homens havia saído pelo teto solar do carro da frente e, com uma agilidade assustadora, saltou e se agarrou à lateral do caminhão. Ele socou a porta, tentando abrir, estava com o rosto retorcido em fúria.
- Continua! Não para! - gritou Zacky.
O homem conseguiu forçar a maçaneta. Num movimento rápido, Zacky segurou a porta com uma mão e, com a outra, acertou um soco com força brutal no rosto do invasor.
O homem perdeu o equilíbrio. Por um segundo interminável, ficou pendurado apenas pelos dedos, os olhos arregalados de terror... e então caiu, rolando pelo asfalto até desaparecer na poeira da estrada.
- ZACKY! - Dolores gritou, em choque.
- Calma! Dirige!
O carro da direita avançou, tentando fechar o caminhão. O homem de couro preto gritava algo inaudível com ódio. Zacky pontou para baixo e deu dois tiros.
O pneu traseiro estourou. O carro derrapou, bateu de lado num poste e capotou várias vezes antes de parar de cabeça para baixo.
A Ranger que vinha atrás freou bruscamente e deu meia-volta, desistindo da perseguição.

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