Capítulo 64
Zacky chegou à área gourmet com Andréia logo atrás.
— Amor…
Dolores tentou se levantar ao vê-lo, mas o corpo não respondeu. Ela desmaiou e Zacky a segurou a tempo. Colocou ela no colo indo em direção à garagem.
— Tião, vem comigo! — ordenou. — Andréia, cuida de tudo.
— Sim, senhor. CUIDA DELA! — Andréia gritou, com a voz embargada.
Nyra correu atrás deles e saltou para dentro do carro. Zacky lançou um olhar rápido para a serval, fechou a porta, entrou e ligou o veículo.
— Ligo assim que possível — disse a Tião, antes de acelerar, cantando pneu ao sair.
Tião ficou parado, vendo o carro desaparecer na curva, as mãos unidas em nervosismo, murmurando uma prece.
Minutos depois; que pareceram uma eternidade; Zacky chegava ao hospital com Dolores ainda desacordada nos braços. Os enfermeiros correram, colocaram-na rapidamente na maca e seguiram apressados para dentro.
Um segurança, ao ver Nyra andando pelo saguão, pegou a arma e apontou para o animal.
Zacky viu, seu olhar se tornou frio:
— Atira nela — disse em voz baixa. — e você nunca mais vai ver o sol nascer.
O segurança hesitou, engoliu seco e abaixou a arma.
Ele foi até o balcão para dar entrada na papelada e exigiu notícias da esposa, ainda estava em choque por ela ter desmaiado.
— Quero saber como ela está. Agora.
A atendente pediu que aguardasse. Minutos depois, um médico se aproximou, apresentou-se rapidamente e explicou, com calma excessiva para Zacky, que cuidaria do parto. Disse que seria um parto normal e que ainda não era a hora do bebê nascer. Precisavam esperar.
Zacky assentiu à contragosto, mas o nó em seu peito só apertava. As horas passaram devagar.
Doze horas depois, o bebê ainda não havia nascido. Os gritos de dor de Dolores ecoavam pelo corredor, rasgando o coração de Zacky. Ela não aguentava mais, exausta, suando frio, implorando por alívio.
Zacky, chegou no limite de sua paciência para aguentar aquilo.
Com o sangue fervendo nas veias, ele deixou a sala de espera e andou pelo corredor até encontrar o médico.
— Chega — disse, a voz dura, segurando o jaleco do homem. — Minha esposa está sofrendo há horas. Se você não fizer alguma coisa agora, eu vou exigir outro médico. E não estou pedindo. Estou avisando.
O médico arregalou os olhos.
— Estou fazendo o meu trabalho, pai. Se o senhor quiser levá-la para outro lugar, fique à vontade.
A última palavra mal saiu da boca do médico quando Zacky o agarrou pelo colarinho e o empurrou com força contra a parede.
— A minha família está ali dentro. Minha mulher está sofrendo! — rosnou, os olhos ardendo de fúria.
— A maioria das mulheres sente dores no parto… — tentou argumentar o homem, a voz falhando devido ao medo que estava do grandão.
— Se acontecer qualquer coisa com ela ou com o meu filho, você vai pagar. Um preço muito alto. A sua própria vida.
— O senhor está me ameaçando… — engoliu em seco.
— Estou. E eu cumpro.
Um segurança correu para separá-los, mas recebeu um empurrão de Zacky e caiu com força para trás. Nesse momento, dois policiais que haviam acabado de chegar com um ladrão ferido se aproximaram rapidamente.
— Senhor, tente se acalmar… — começou um deles, até reconhecer o homem à sua frente. — Zacky? Como você está?
— Esse médico de merda não está dando a assistência correta para minha mulher! — explodiu. — Ela está sofrendo há horas e o bebê não nasce!
O policial lançou um olhar duro e cheio de reprovação ao médico. Sem dizer mais nada, pegou o celular, desbloqueou a tela e ligou para alguém.
— Alô, amorzinho… você já vai entrar no plantão? — fez uma pausa. — Preciso que substitua um médico num parto agora. Sim. Estou perto da recepção. — desligou e guardou o aparelho. — Já vamos resolver isso, doutor.
Segundos depois, uma mulher apareceu apressada pelo corredor, vestindo o avental. Beijou o policial rapidamente nos lábios.
— Amor, não temos tempo — ele disse, firme. — Vai cuidar da esposa do meu amigo. Agora.
A médica assentiu sem hesitar e saiu quase correndo em direção à sala de parto.
Zacky correu atrás dela. A médica entrou na sala de parto e encontrou Dolores pálida, com os olhos fechados, o rosto coberto de suor frio. Aproximou-se rapidamente, colocou o oxímetro no dedo dela, aferiu a pressão e pediu o monitor fetal.
— Frequência cardíaca fetal… agora — ordenou.
Ao posicionar o transdutor sobre a barriga, o som irregular encheu a sala. A médica franziu o cenho. Tocou o abdômen com firmeza, avaliando as contrações, e seu semblante ficou sério.
— Há quanto tempo ela está em trabalho de parto? — perguntou à enfermeira.
— Quase doze horas, doutora. Dilatação lenta, muita dor, desmaiou antes de chegar.
A médica respirou fundo.
— Ela está em sofrimento. A mãe e o bebê.

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