Capítulo 65
Nyra andava de um lado para o outro, com as orelhas sempre erguidas. Ela rosnava baixo, parecia agoniada.
Uma enfermeira passou apressada e se assustou ao vê-la ali.
— Ai meu Deus…
Nyra não se moveu. Ficou assim por longos minutos. Então, escutou o choro. O corpo inteiro ficou rígido por um segundo… e depois relaxou.
Ela deu três voltas no próprio eixo, como fazia na fazenda quando algo importante acontecia, e sentou novamente diante da porta.
O filhote havia nascido.
***
A enfermeira levou o bebê para mais perto, posicionando-o de forma que Dolores pudesse vê-lo. O rostinho estava vermelho, os olhos fechados e a boquinha tremendo do choro.
— Oi… — Dolores sussurrou, emocionada. — Oi, meu amor…
As lágrimas desceram. Ela não podia tocá-lo ainda, mas estendeu a mão o máximo que conseguiu.
Zacky não aguentou. Inclinou-se e encostou o rosto no pequeno, beijando de leve sua testa.
— É o papai... — disse com a voz falhando pela emoção. — Sempre estarei com você.
A enfermeira aproximou ainda mais o bebê do rosto de Dolores. Ela sorriu em meio às lágrimas.
— Nosso filho… — disse, feliz.
Zacky beijou a testa dela.
— Nossa família.
Enquanto a equipe retomava os procedimentos finais e o cirurgião se preparava para fechar a incisão, aquele instante ficou gravado para sempre.
***
Quando Zacky saiu da sala alguns minutos depois, encontrou Nyra. Ela levantou e caminhou até ele, encostando a cabeça em sua perna.
Zacky agachou e segurou o rosto dela entre as mãos.
— Obrigado, menina…
Nyra piscou devagar. Agora sim, o clã estava completo.
Depois de avisar todos na fazenda, Zacky voltou até o estacionamento. Abriu o carro e pegou a mala do bebê, que estava ali havia mais de uma semana.
— Ainda bem que eu nunca tirei isso daqui… — murmurou, sorrindo sozinho.
Nyra caminhava ao lado dele. Entraram juntos no hospital; alguns funcionários olharam curiosos para a serval, mas ninguém ousou dizer nada.
Dolores estava encostada na cama. O bebê estava em seus braços. A enfermeira ajustava a posição com cuidado, orientando com voz baixa.
— Assim… isso. Segura a cabecinha dele, bem firme.
Dolores fez como mandado, ainda insegura.
— Eu estou com medo de fazer errado… — confessou.
— Não existe errado — respondeu a enfermeira com um sorriso calmo. — Existe aprendizado.
Ela ajudou a posicionar o bebê mais próximo do corpo, alinhando o rostinho ao seio.
— Espera ele abrir bem a boca… isso… agora.
O bebê resmungou, mexeu a cabeça de um lado para o outro e, de repente, abocanhou o mamilo com força inesperada.
— Ai…
A enfermeira observou atentamente.
— Fique tranquila, ele pegou certo.
Ela respirou fundo, a sensação era estranha. O bebê começou a sugar. Ela riu.
Zacky ficou parado observando. Dolores olhou para ele, emocionada.
— Eu achei que não fosse conseguir… eu estava com tanto medo.
— E mesmo assim conseguiu — respondeu, tocando de leve os cabelos dela. — Como sempre.
A enfermeira conferiu a pega mais uma vez, satisfeita.
— Ele está mamando direitinho. Se sentir dor contínua ou rachaduras, chama a gente. Agora o mais importante é descansar.
A enfermeira se virou para pegar alguns materiais e deu um pequeno sobressalto ao notar a presença de Nyra ao lado da cama.
— Meu Deus… — murmurou, recuando um passo. — O que é isso?

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