Capítulo 67
André entrou na cozinha a tempo de ver Thomas sair ao lado de Penélope, os dois estavam conversando baixo. Ele arqueou uma sobrancelha, mas não comentou nada. Só riu baixinho.
- Tô lascado pra voltar com esse carro pra casa - disse, indo direto à pia lavar as mãos sujas de graxa. - O motor tá fervendo.
Andréia ergueu os olhos do fogão, preocupada.
- De novo, André? Você vive empurrando esse carro além do limite.
- Eu sei, eu sei... - respondeu, esfregando as mãos com sabão. - Ele tá pedindo aposentadoria faz tempo. Hoje quase ficou pelo caminho.
Dolores entrou logo atrás, com um leve sorriso bobo no rosto, o cabelo um pouco desalinhado. André percebeu e sorriu de canto.
- Pelo visto o dia tá rendendo pra todo mundo - comentou.
Ela sorriu.
- Alguns dias rendem mais que outros.
Andréia riu, desligando o fogo.
- Alguém quer café? - perguntou. - Porque, pelo jeito, essa casa vai precisar de energia pra aguentar até o jantar.
André secou as mãos no pano e assentiu.
- Café forte. E se tiver um pedaço de bolo, melhor ainda. Hoje eu mereço. Dolores... deixa eu te pedir uma coisa.
Ela ergueu os olhos na mesma hora.
- O que foi, André?
- Será que você pode me emprestar o seu carro? - disse, apoiando as mãos na bancada. - O meu tá fervendo de novo. Acho que a mangueira do radiador foi pro espaço.
Dolores franziu levemente a testa, mais por cuidado do que por recusa.
- Pra ir até onde?
- Até a cidade. Preciso voltar pra casa ou amanhã não abro a Butique.
Ela pensou por um segundo brincando com ele.
- Pode pegar - respondeu por fim. - Mas vai com calma, tá? Esse carro eu não corro nem quando tô atrasada.
André abriu um sorriso aliviado.
- Prometo. Vou tratar melhor do que trato o meu.
Ela pegou a chave no gancho e estendeu para ele.
- O tanque está quase cheio. Só não me volta com ele arranhado.
- Deus me livre - respondeu rindo, pegando a chave. - Já basta meu azar com carros.
Andréia observava a cena com um sorriso curioso.
— Boa sorte então.
— Vou precisar — disse André, se afastando. — Obrigado, Dolores.
Andréia se aproximou de Dolores, apoiando o cotovelo na bancada.
— Ele nem ficou para o bolo.
— Hoje é segunda-feira — respondeu Dolores com naturalidade. — E o caminho até a cidade é longo. Ele precisava ir.
Andréia colocou a chaleira e as xícaras sobre a mesa e se sentou ao lado da amiga, com o semblante mudando.
— Tenho uma coisa pra te contar — disse, baixando um pouco a voz. — Ainda não falei para o Maurício.
Dolores sentou-se de frente para ela, pegou uma xícara e serviu café com calma.
— Então começa a falar — incentivou, erguendo o olhar.
Andréia respirou fundo, procurando coragem.
— Estou grávida… depois de todos esses anos de casada.
Dolores congelou por um segundo, a xícara parada no ar, antes que um sorriso lento e emocionado surgisse em seu rosto.
— Grávida? — Dolores repetiu.
Andréia assentiu devagar.
— Descobri ontem. Fiz dois testes… e depois o exame de sangue hoje cedo. Positivo.
Dolores largou a xícara.
— Andréia… meu Deus… — a voz saiu embargada. — Depois de tudo… de tantos anos…
— Eu achei que não ia acontecer mais — confessou, respirando fundo. — Já tinha feito as pazes com a ideia. E agora… aconteceu assim, de surpresa.
Dolores deu a volta na mesa e a abraçou com força.

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