Capítulo 69
Os dias foram passando, e os encontros se tornaram mais frequentes. Os beijos também. Cada vez menos tímidos, cada vez mais cheios de sentimento.
Até que, numa tarde, Zacky viu o filho no estábulo.
Thomas cuidava do cavalo que ganhou aos dez anos. Escovava o pelo com atenção, falando baixo com o animal, como sempre fazia quando precisava organizar os próprios pensamentos. Zacky ficou alguns segundos observando, com os braços cruzados, encostado no batente da porta.
— Oi, filho.
Thomas se virou sobressaltado. Estava longe, a mente presa em Penélope.
— Pai… — respondeu, surpreso.
Zacky se desencostou do batente e caminhou até ele devagar. Thomas foi até o cavalo ao lado, o de Penélope, e colocou feno no cocho.
— Como está o Fumaça? — perguntou Zacky, referindo-se ao cavalo do filho.
— Cada dia mais forte… e mais esperto.
— Que bom — assentiu. — Ele me lembra muito o Pérola Negra. Uma pena que tenha partido.
— É verdade, pai. Aquele cavalo era seu xodó.
Zacky observou o filho em silêncio por alguns segundos. O jeito cuidadoso, o olhar atento, a postura firme de um verdadeiro cuidador. Viu ali não mais um menino, mas um jovem começando a entender o peso das próprias escolhas.
Então decidiu tocar no assunto.
— Gostaria de falar com você.
Thomas parou o que fazia e virou-se.
— Sobre o quê, pai?
— Um assunto delicado — disse com calma. — Um assunto de homem para homem. Porque eu sei que te criei bem.
Thomas respirou fundo.
— Eu já esperava por isso — disse, interrompendo-o. — É sobre a Penélope. Eu queria contar… mas estava com vergonha.
Zacky sorriu compreensivo.
— Eu sei como são as coisas nessa idade, meu filho. Não se esqueça que eu também já tive quinze anos. — Soltou um riso curto. — Lembro do meu primeiro beijo… e do meu nariz quebrado no primeiro e último murro que levei.
Thomas arregalou os olhos.
— O quê?
— Depois disso, seu avô me ensinou a lutar. Nunca mais perdi — disse com um brilho divertido no olhar, antes de ficar sério novamente.
Aproximou-se mais do filho.
— O que eu preciso saber é simples, Thomas. Você respeita a Penélope?
— Mais do que qualquer coisa — respondeu sem hesitar. — Eu gosto dela de verdade. Nunca faria nada que a machucasse.
Zacky assentiu lentamente.
— Então escute bem. Gostar é bonito. Sentir vontade é normal. Mas caráter… isso é o que separa um homem de um moleque.
Thomas sustentou o olhar do pai.
— Eu sei, pai.
— Não vou te proibir de sentir — continuou Zacky. — Nem vou fingir que não vejo o que está acontecendo. Mas confiança se constrói com atitudes. E responsabilidade vem antes de qualquer beijo.

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