Capítulo 70
Andréia chegou à fazenda após ter ido fazer o ultrassom. Entrou na área gourmet onde encontrou Dolores sentada, escolhendo feijão com calma, como fazia todos os dias.
Sem dizer nada de início, Andréia se sentou ao lado dela e pegou outra bacia, começando a ajudar, separando os grãos bons dos estragados. O som dos feijões caindo era quase reconfortante.
— O ultrassom foi hoje — comentou Andréia, quebrando o silêncio.
Dolores ergueu os olhos devagar, atenta.
— E como está o bebê?
Andréia sorriu, um sorriso tranquilo.
— O bebê está bem. Vou ter outra menina.
Dolores abriu um sorriso largo. Parou o que fazia por um instante e pousou a mão sobre a de Andréia.
— Menina é benção dobrada — disse com carinho. — Chega trazendo luz.
Andréia respirou fundo, feliz, enquanto as duas continuavam escolhendo feijão, lado a lado.
***
Zacky trocou poucas palavras com alguém da diretoria antes de ser conduzido até a sala do diretor. Assim que entrou, percebeu Thomas sentado à frente da mesa, com o olhar baixo.
— Bom dia, senhor Carter — disse o diretor, levantando-se às pressas e estendendo a mão.
Zacky apertou a mão do homem com firmeza excessiva, o suficiente para fazê-lo vacilar. Não sorriu. Não disse nada. Apenas manteve o olhar fixo, pesado, até o diretor se sentir obrigado a continuar.
— Senhor Carter… o comportamento do seu filho é absolutamente inadmissível nesta instituição. Se ele persistir com esse tipo de atitude, não teremos alternativa a não ser expulsá-lo.
Zacky inclinou levemente a cabeça, cruzando os braços com calma calculada.
— Antes de ameaçar — disse, com a voz baixa e controlada —, me diga exatamente o que ele fez.
O diretor pigarreou, desconfortável. O nó da gravata parecia apertar mais do que deveria. Ele conhecia a reputação de Zacky Carter, conhecia os contatos, a influência… e sabia que estava pisando em terreno perigoso.
— B-bem… houve uma… situação envolvendo ele e Henrique.
Zacky deu um passo à frente, apoiando as mãos na mesa do diretor, reduzindo a distância entre eles.
— Situação não é resposta — cortou, sem elevar o tom. — Fato é.
O diretor engoliu seco, sentindo o suor descer pela nuca. Naquela cidade, ninguém gostava de estar do lado oposto de Zacky Carter. E, naquele momento, ele tinha certeza de que estava exatamente ali.
Thomas, em silêncio, olhou para o pai.
— Bom, seu filho avançou contra outro aluno e o deixou com o rosto machucado. Além disso, mentiu ao afirmar que estava defendendo a namorada. Acha mesmo que eu não conheço esse tipo de garoto, cheio de testosterona nessa idade?
Zacky ergueu uma sobrancelha de forma intimidadora. O diretor pigarreou, claramente desconfortável, enquanto Thomas permanecia sentado.
— O senhor está afirmando que meu filho mentiu — disse Zacky, em tom baixo. — Sem ouvir a versão dele?
O diretor ajeitou os óculos no nariz, evitando encarar diretamente o homem à sua frente.
— Senhor Carter, temos regras. O outro aluno saiu da enfermaria com o rosto machucado. Isso é um fato.
— Fatos costumam ter dois lados — rebateu Zacky. — E eu conheço o meu filho. Thomas não levanta a mão sem motivo.
— Eu não menti — disse Thomas. — Ele estava falando de Penélope. Não foi a primeira vez.
O diretor entrelaçou os dedos sobre a mesa, visivelmente pressionado.
— Isso não foi mencionado — murmurou.
Zacky virou o rosto lentamente na direção dele.
— Então talvez o problema desta instituição não seja a testosterona dos garotos — disse, frio —, mas a falta de atenção aos sinais que vocês escolhem ignorar.
Thomas respirou fundo.
— Explique tudo, Thomas.
Zacky manteve o olhar firme no filho. Após alguns segundos de silêncio, Thomas respirou fundo e completou, a voz mais baixa:
— O Henrique é sobrinho do diretor, pai.
Zacky permaneceu em silêncio por alguns segundos, absorvendo a informação. Seus olhos saíram do filho e foram lentamente parar nos do diretor.
— Entendi…

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